Uma foto de Alexandre de Moraes usando um relógio de dar inveja colocou o pulso do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no centro dos holofotes. E não era para menos: a peça em questão é um Patek Philippe, o topo da pirâmide da alta relojoaria suíça, capaz de bater a casa dos R$ 500 mil no mercado atual. Socorro!
Tudo começou em novembro de 2024, quando um post no X (o antigo Twitter) jogou a dúvida no ar: como um ministro do STF, com salário na casa dos R$ 41 mil, ostentaria um acessório estimado em R$ 350 mil? O post voou baixo, somou milhares de curtidas e reposts em poucas horas, mas a história por trás dessa etiqueta salgada tem truque.
O modelo que foi parar no braço de Moraes é o Patek Philippe 5711G, fabricado entre 2008 e 2011. Longe de ser um modelo básico, a joia é feita em ouro branco com pulseira em couro de crocodilo. Na época em que estava nas vitrines, saía por cerca de US$ 30 mil - algo em torno de R$ 174 mil pela cotação trazida em reportagem da VEJA.
Ou seja, o número gigante de R$ 350 mil que assustou a internet passa bem longe do preço de tabela original. E é aí que entra o ingrediente secreto do mercado de luxo: a famigerada valorização.
O Patek Philippe de Moraes saiu de linha. Na alta relojoaria, parar de fabricar uma peça é o primeiro passo para transformar um objeto em relíquia disputada a tapas por colecionadores. Hoje, dependendo do estado de conservação e de detalhes como ter a caixa e os certificados originais, a peça orbita entre R$ 350 mil e R$ 500 mil.
Portanto, não dá para simplesmente olhar o preço de leilão de hoje e assumir que foi esse o valor desembolsado no passado. O mercado de colecionáveis joga com regras bem próprias.
Em conversa com a VEJA, Leandro Amorim, do canal GMT Menos 3, explicou que comprar uma joia dessas lembra bastante o universo de bolsas ultra exclusivas, como as famosas Birkin da Hermès.
Em alguns casos, conseguir um modelo direto da fábrica exige encarar filas de espera de sete a dez anos. Como a oferta é mínima e a procura é gigante, quem tem o relógio em mãos define o preço no mercado de seminovos.
E esse Patek Philippe não é o único queridinho de Moraes. Analistas do setor apontam que o ministro já circulou por aí vestindo outros nomes de peso da relojoaria tradicional, como o Rolex Yacht-Master, o Tag Heuer Carrera Calibre 16 e o Omega De Ville - peças que, segundo especialistas, ele já possui há bons anos.
A reportagem também lembrou que o histórico profissional de Moraes não começou ontem. Antes de ser indicado ao STF em 2017 por Michel Temer, o ministro construiu uma carreira longa: foi promotor no Ministério Público de São Paulo, Secretário de Transportes na gestão Kassab, Secretário de Segurança no governo Alckmin e Ministro da Justiça.
Além da vida pública, atuou por anos no direito privado com seu próprio escritório - hoje sob o comando da família - e segue recebendo como professor de Direito na USP e no Mackenzie.
Depende de quando a conta foi feita. Uma coisa é o preço de lançamento há mais de uma década (US$ 30 mil); outra bem diferente é a cotação de mercado para um item raro que virou objeto de desejo.
Na época da polêmica, a assessoria do STF foi procurada pela reportagem, mas não enviou resposta. No fim das contas, a conversa em torno do acessório mostra como funciona o fascinante mundo dos colecionáveis. E sobre o relógio no pulso de Moraes? Bom... o ponteiro até pode ser suíço, mas o bafafá, esse é 100% brasileiro.