Ele já foi o editor-chefe de um jornal diário na franquia “Homem-Aranha”, um neonazista que liderava uma gangue em “Oz”, da HBO, e um professor de música implacável em “Whiplash: Em Busca da Perfeição”.
Aos 71 anos, J. K. Simmons já fez um pouco de tudo, mas vive agora uma nova fase na carreira como o mafioso Eamon Sweeney de “Donos do Oeste”, série do MGM+ cujo primeiro episódio está disponível também para os assinantes do Prime Video.
O drama policial, ambientado em Nova York na década de 1980, foi o ponto de partida para uma entrevista que o ator concedeu ao jornal espanhol “La Vanguardia”. Durante a conversa, ele falou sobre sua extensa carreira e sobre o fato de normalmente ser uma das pessoas mais velhas nos sets de gravação.
Uma das principais reflexões feitas pelo ator toca em um tema que ainda precisa ser discutido: a maneira como a sociedade enxerga a velhice.
“Grande parte da cultura ocidental não valoriza a velhice, ou os idosos, tanto quanto poderíamos e deveríamos”, afirmou.
Simmons contou que, atualmente, costuma ser visto pelos atores mais jovens e pelos integrantes das equipes como a pessoa mais velha e sábia do set. Uma posição que ele procura honrar, embora reconheça que foi estranho passar para esse outro lado.
Ao recordar a infância, o ator também falou sobre um princípio que, em sua opinião, perdeu espaço com o passar do tempo.
“Havia uma frase que se repetia muito quando eu era criança: ‘Respeite os mais velhos’. E isso era um lema de vida, uma forma de se comportar em sociedade. Acredito, sim, que isso se perdeu um pouco.”
A reflexão chega em um momento no qual as pessoas idosas ocupam uma parcela cada vez maior da sociedade.
Segundo o IBGE, a população brasileira com 60 anos ou mais passou de 22 milhões para 34,1 milhões entre 2012 e 2024 — um crescimento de 53,3% em apenas 12 anos.
O aumento da longevidade, no entanto, não significa que aprendemos a compreender melhor essa etapa da vida.
A velhice ainda é frequentemente associada apenas à fragilidade, à dependência e à perda de capacidades, como se envelhecer anulasse a a autonomia e os desejos de uma pessoa.
Esse olhar ajuda a alimentar o etarismo, termo usado para definir estereótipos, preconceitos e práticas discriminatórias baseadas na idade. De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde, uma em cada duas pessoas no mundo apresenta atitudes etaristas contra idosos.
Respeitar os mais velhos, portanto, não significa apenas seguir regras de educação ou tratá-los com gentileza. Também envolve ouvi-los, reconhecer sua autonomia e entender que não existe uma única maneira de viver a terceira idade.
Aos 71 anos e assumindo o papel principal de uma nova série, Simmons representa justamente essa diversidade. Envelhecer não precisa significar desaparecer ou deixar de ocupar espaços importantes, inclusive diante das câmeras.