'Rancor no coração': há 38 anos e no Troféu Imprensa, Jô Soares fez crítica ácida a poderoso diretor da Globo; alfinetada envolve retaliação por contrato com SBT
Publicado em 17 de abril de 2026 às 12:01
Por Guilherme Guidorizzi | Notícias da TV, novelas e famosos
Escreve sobre novelas e entrevista o elenco para trazer as novidades dos próximos capítulos. Produz conteúdos sobre famosos e TV.
Há décadas, uma tensão velada explodiu no palco do Troféu Imprensa, revelando um conflito entre Jô Soares e um influente diretor da Globo. Após uma polêmica transferência para o SBT, o apresentador desferiu duras críticas, comparando ações da emissora a uma "lista negra" de Hollywood e acusando o executivo de um rancor surpreendente.
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Silvio Santos (1930-2024) deu um contragolpe na Globo em outubro de 1987 ao tirar Jô Soares (1938-2022), dois meses após ver Gugu Liberato (1959-2019) ser contratado pela maior rival. A emissora líder, através de seu vice-presidente de Operações Boni, logo partiu para uma represália e bem antes de ser surpreendida com um recuo na decisão do apresentador morto em acidente doméstico.

Cancelou os especiais de final de ano do artista que iriam ao ar em dezembro e mudou o "Viva o Gordo" (1981-1987) de segunda à noite para a terça sob a alegação de que Dina de Finados não era dia de se fazer humor. "E se tirassem logo do ar até gostaria, porque teria mais um mês para descansar. Nem sei o que dizer. Acho tudo muito engraçado", ironizou ao "Jornal do Brasil" de 31 de outubro.

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Em maio de 1988, Jô foi ao palco do tradicional "Troféu Imprensa" - que o SBT exibe nova edição no próximo dia 26 e já em meio à polêmica, repetindo o que ocorreu em 2025 - e leu uma carta aberta onde fez duras críticas a Boni, com quem retornaria a amizade anos depois.

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No início, o humorista citou movimento surgido em 1947 e que reuniu produtores de Hollywood. "Resolveram que artistas com tendências políticas em desacordo com o seu ideário não trabalhariam mais em filmes. Surgia a lista negra e, a consequente, caça às bruxas", iniciou.

"Em pouco tempo, não somente radicais ou liberais eram perseguidos (...) E não conseguiam mais trabalho", recordou Jô para iniciar uma ácida crítica à Globo.

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"Com um impecável senso de oportunidade, a TV Globo escolheu exatamente o momento da Constituinte no Brasil para inaugurar a sua lista negra. Quem sair da emissora sem ter sido mandado embora, corre o risco de não poder mais trabalhar em comerciais sob a ameaça que estes não serão lá veiculados", disparou.

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Na ocasião, Jô citou o "quase monopólio do mercado" que a Globo já tinha. "Os anunciantes não ousam nem pensar em artistas que possam desagradar", alfinetou, negando ter interesse pessoal na ação e acusando o canal de ter proibido os anúncios pagos de seu show no teatro.

Jô Soares x Boni: 'Nenhum office-boy consegue guardar tanto rancor'

Em outro momento, Jô reproduziu falas que Boni teria lhe dito em sua sala na Globo. "Já mandei tirar todos os seus comerciais do ar. Chamada do teu novo show, também esquece. E estou vendo como te proibir de usar a palavra 'gordo''. Claro, que esta última ameaça ficou meio difícil de cumprir. A megalomania ainda não é lei fora da Globo", provocou.

O entrevistador afirmou que artistas como Eliézar Motta, que também se transferiu para o SBT, havia sido incluído na lista de nomes cujos comerciais seriam vetados na Globo. Por fim, Jô se virou contra Boni: "Silvio Santos foi tremendamente injusto quando chamou Boni em entrevista de "office-boy de luxo. Nenhum office-boy consegue guardar tanto rancor no coração".

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