A deputada estadual Sarah Poncio afirmou estar vivendo "um dos momentos mais difíceis" de sua vida após a prisão do pai, o pastor e empresário Márcio Poncio, durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (2).
A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho e à chamada "Máfia do Cigarro", que, segundo as autoridades, teria conexões com agentes públicos. De acordo com informações do g1, Márcio foi preso em um flat localizado na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Em nota oficial divulgada após a operação, Sarah Poncio declarou confiar plenamente na inocência do pai e afirmou acreditar que ele terá a oportunidade de esclarecer os fatos durante o andamento do processo.
"Como filha, esse é um dos momentos mais difíceis da minha vida. Tenho absoluta confiança na inocência do meu pai e acredito que ele terá a oportunidade de demonstrar a verdade dos fatos no curso do processo, com todas as garantias asseguradas pela Constituição", afirmou a deputada.
O posicionamento foi divulgado poucas horas depois da prisão de Márcio Poncio, conhecido por comandar a Igreja da Nuvem e também por ser pai do cantor Saulo Poncio, ex integrante da dupla UM44K. A família ganhou notoriedade nos últimos anos tanto pela atuação nas redes sociais quanto por episódios que envolveram polêmicas públicas.
Segundo a Polícia Federal, esta etapa da Operação Unha e Carne busca aprofundar investigações sobre possíveis crimes de lavagem de dinheiro praticados pelo grupo criminoso liderado pelo contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado como o principal responsável pela chamada "Máfia do Cigarro".
Ainda conforme apuração do g1, Márcio Poncio é investigado por possíveis ligações com esse esquema criminoso. A operação também teve como alvo pagamentos do jogo do bicho e da organização criminosa a agentes públicos dos poderes Executivo e Legislativo do estado do Rio de Janeiro.
Além da prisão de Márcio Poncio, foram expedidos novos mandados contra Adilsinho e o ex deputado estadual Rodrigo Bacellar, ambos já presos. Também foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos está o ex deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex governador Sérgio Cabral.
O advogado de Márcio Poncio, Leandro Mendonça, afirmou que, até o momento da divulgação da nota, a defesa ainda não havia recebido acesso aos autos do processo.
Segundo ele, "o que posso informar é que ele se encontra na Superintendência da Polícia Federal e que, até o presente momento, não tivemos acesso aos autos do processo, fato que nos impede de conhecer os fatos e os fundamentos que levaram à decretação de sua prisão preventiva".
Já a defesa de Adilsinho negou qualquer pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos e declarou confiar no devido processo legal.
Por sua vez, Marco Antônio Cabral afirmou que colaborou integralmente com o cumprimento do mandado de busca e apreensão e negou qualquer envolvimento com organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de recursos de origem ilícita.
A investigação também trouxe novamente à tona a atuação da chamada "Máfia do Cigarro" no estado do Rio de Janeiro. Conforme reportagem publicada anteriormente pelo g1, em 2024, a organização criminosa já exercia controle sobre pelo menos 45 dos 92 municípios fluminenses.
Segundo as investigações, comerciantes eram obrigados a vender apenas cigarros produzidos pela quadrilha. Quem descumprisse a determinação poderia sofrer ameaças e correr risco de vida.
Ainda de acordo com dados do Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica (Ipec), reproduzidos pelo g1, entre 2018 e 2023 o mercado ilegal de cigarros deixou de recolher cerca de R$ 10 bilhões em impostos no Brasil, sendo mais de R$ 2 bilhões somente no estado do Rio de Janeiro.
As investigações apontam que a organização inicialmente comercializava cigarros contrabandeados do Paraguai e, posteriormente, passou a fabricar versões falsificadas em território fluminense. Atualmente, segundo a apuração citada pelo g1, a produção já seria realizada por trabalhadores brasileiros, enquanto integrantes da quadrilha fiscalizariam os pontos de venda para garantir a exclusividade da comercialização dos produtos ilegais.