O sentido da vida pode ser visto tanto nesse plano material quanto no espiritual se levarmos em consideração a frase atribuída a Pablo Picasso — embora provavelmente tenha sido emprestada do psiquiatra David Viscott: “O sentido da vida é encontrar o seu dom. O propósito da vida é compartilhá-lo”.
Mais do que uma definição sobre talento, a ideia funciona como um convite para pensar sobre o que cada pessoa pode oferecer ao mundo.
Encontrar um dom não significa necessariamente descobrir uma habilidade extraordinária ou algo relacionado à arte. Pode ser a capacidade de ouvir, aconselhar, ensinar, cuidar, criar, transformar ambientes ou simplesmente estar presente quando alguém precisa.
O verdadeiro significado aparece quando aquilo que temos de melhor deixa de ser apenas uma característica pessoal e passa a produzir algum efeito na vida dos outros.
Picasso fez isso por meio da arte. Ao longo da carreira, o artista espanhol rompeu padrões, experimentou linguagens e ajudou a transformar a maneira como o mundo enxergava a criação artística. Seu legado atravessou gerações justamente porque sua obra foi questionada.
É interessante pensar que essa reflexão não precisa ficar limitada ao mundo real. A ficção também encontra maneiras de representar personagens cujo maior propósito está justamente em ajudar alguém a seguir adiante.
Na atual novela das nove da Globo, 'Quem Ama Cuida', Francesca (Nathalia Dill) surge como uma espécie de espírito que continua ligada a esta existência para cumprir uma missão.
Sua relação com Otoniel (Tony Ramos) é construída justamente a partir desse princípio. O veterano compartilha suas dores, dúvidas e histórias com a jovem, que passa a aconselhá-lo e ajudá-lo a enxergar situações por outros ângulos na Terra.
E esse propósito ainda deve ganhar novos contornos nos próximos capítulos. Francesca terá uma função importante na trajetória de Adriana (Leticia Colin), neta de Otoniel, ao ajudá-la a descobrir onde está um anel que representa uma grande fortuna deixada por Arthur (Antonio Fagundes).
No fim das contas, tanto Picasso quanto a trajetória de Francesca apontam para uma mesma reflexão: um dom guardado, quando é compartilhado, pode transformar vidas.