Desde a infância, muita gente aprende que ter um animal de estimação vai muito além de ganhar uma companhia para brincar.
Cuidar de um cachorro ou gato envolve horários, alimentação, atenção, idas ao veterinário e, principalmente, a capacidade de perceber que existe outro ser vivo dependendo de você.
A psicologia, de certa forma, também encontra respaldo nessa percepção, embora faça uma ressalva importante: ter um animal não transforma automaticamente alguém em uma pessoa mais responsável ou empática.
Pesquisas indicam que pessoas que desenvolvem vínculos mais fortes com seus animais de estimação tendem a apresentar níveis um pouco maiores de responsabilidade, empatia e sensibilidade emocional.
Um dos estudos citados foi realizado pela Queen's University Belfast com 938 donos de cães e gatos de diferentes países.
Os resultados apontaram que pessoas com pontuações mais altas em conscienciosidade (essa palavra mesmo), uma característica do modelo dos Cinco Grandes Fatores da personalidade, associada a organização, consistência e cumprimento de obrigações, também tendiam a demonstrar maior apego aos pets.
E a ficção oferece um exemplo curioso dessa contradição. Pilar (Isabel Teixeira), a vilã de 'Quem Ama Cuida', da Globo, é capaz de cometer maldades contra praticamente todos ao seu redor, principalmente contra Adriana (Leticia Colin).
Ao mesmo tempo, demonstra um amor enorme por sua cachorrinha, tratando o animal praticamente como uma filha. Contraditório? Nem tanto.
Isso porque os estudos não afirmam que uma pessoa precisa ser empática com todos os seres vivos para desenvolver uma relação intensa com um animal. O que aparece é uma possível associação entre o vínculo com os pets e determinados aspectos da sensibilidade emocional.
Uma pesquisa de 2024, por exemplo, apontou que uma ligação mais forte com animais de estimação estava associado a maior empatia pelos próprios animais. Essa empatia também apareceu relacionada a comportamentos mais pró-sociais com outras pessoas, como preocupação e disposição para ajudar.
Existe ainda uma possível explicação para isso. Ao contrário dos seres humanos, cães e gatos não conseguem explicar verbalmente que estão com medo, fome, dor ou desconforto. Quem convive com eles precisa aprender a interpretar sinais sutis: uma mudança no olhar, na postura, no comportamento ou até na maneira de comer.
Mas fique ligado! Uma pessoa sem animal de estimação não é menos responsável ou compassiva, assim como alguém apaixonado pelo próprio cachorro não necessariamente será sensível em todas as relações.
A conclusão mais prudente é justamente essa: pessoas muito ligadas aos seus animais tendem, em média, a apresentar pontuações um pouco maiores em responsabilidade e empatia, especialmente em relação aos próprios pets.