Depois de José Mayer, mais um ator foi citado na Justiça por conta de direitos trabalhistas. Desta vez se trata de Antonio Fagundes, intérprete do milionário Arthur na novela das nove da Globo "Quem Ama Cuida" e a ação envolve a Fazenda Fama, localizada em Ourinhos (SP), cidade distante umas 4h da capital paulista - a propriedade é ligada ao ator.
No processo onde são feitas graves acusações, a ex-colaboradora que trabalhou no local por quase seis anos (de julho de 2020 a janeiro deste ano) pedia inicialmente R$ 62.781,22, mas em audiência realizada em 24 de agosto passado, a anônima fez contraproposta de R$ 50 mil depois que a defesa de Fagundes sugeriu pagar R$ 500 (ou seja, 99% abaixo do valor inicial).
A informação é do colunista Daniel Nascimento, do jornal "O Dia" - o Purepeople procurou a assessoria de imprensa do artista e aguarda retorno.
Na versão da ex-funcionária, demitida sem justa causa, segundo ela, a rotina de trabalho envolvia sobrecarga, casos de humilhação e exposição a agentes com potencial de serem nocivos à saúde. A Justiça do Trabalho ainda vai analisar as provas apresentadas pela autora, que apontou salário de R$ 2.850.
Em um dos trechos, a antiga colaboradora da fazenda alegou que praticamente era a única pessoa a cuidar de todos os espaços da fazenda. Desde partes externas ao refeitório passando pelos banheiros do escritório e daquele usado por caminhoneiros, o que levava a um "esforço físico constante" e "rotina desgastante".
A anônima alegou também que não era paga por conta de seu trabalho envolver insalubridade e que uma de suas funções era lavar a roupa dos operadores de máquinas agrícolas. Na versão da ex-funcionária da fazenda, as vestes ficavam sujas de veneno e demais produtos químicos usados na atividade rural.
Diante disso, cobra aquele adicional em grau máximo, 40%, incidindo nas outras verbas trabalhistas. A autora do processo apresentou fotos para sustentar seus argumentos e alegou que após questionar o direito de trabalho sobre a insalubridade teve o salário aumentado em 12% - contudo os problemas levantados por ela não foram interrompidos.
A ex-funcionária relata ainda casos de humilhação e assédio moral - a coluna não citou de quem teria partido tais atitudes. Ela teria sido pressionada a esfregar um banheiro usando as próprias mãos e um produto químico a base de amoníaco; diante da recusa e na frente de demais funcionários teria vindo a humilhação.
Nos autos constam ainda casos de repreensão de maneira agressiva, gritos, constrangimento e intimidações, parte atribuída à gerente da fazenda. Em dezembro passado, a autora teria sido chamada de "batata podre" por aquela funcionária ao questionar porque os funcionários da limpeza não foram agraciados com um benefício.
Segundo a anônima, ela teria ouvido para se demitir. Como se negou, foi demitida dias mais tarde. No entanto, a defesa descarta totalmente tal hipótese. Em outro trecho, a autora cita problemas de saúde (desde derrame no joelho à coluna comprometida, passando por hérnia de disco e abalo psicológico) desenvolvidos, segundo ela, no período em que trabalhou na propriedade.
E que ao ser demitida não passou por exame demissional. Agora, uma perícia técnica e uma médica farão as análises diante das acusações.
À Justiça, Fagundes afastou as irregularidades e solicitou que a ação seja julgada como improcedente. Segundo a defesa, os parâmetros legais, fiscalização nos equipamentos de proteção e fornecimento de tais itens envolvem as atividades.
Negou grande circulação de pessoas na fazenda e afastou grande circulação nos banheiros. Descartou hipótese de xingamento à ex-funcionária e afastou que a demissão tenha sido retaliação. Afirmou ter garantido acompanhamento médico e apontou que os problemas de saúde listados pela autora não tiveram comprovação sobre o trabalho.