A infância de Lady Diana Spencer volta a ganhar espaço nas memórias de seu irmão, Charles Spencer, nono Conde Spencer. Em seu novo livro, 'O Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã', publicado no Brasil pela Companhia das Letras, ele revisita os anos vividos ao lado da irmã em Park House, propriedade localizada na região de Sandringham, na Inglaterra.
A casa, que marcou profundamente a infância dos irmãos, hoje apresenta uma realidade muito diferente daquela descrita por Charles Spencer. Segundo reportagem publicada pelo The Mirror, a antiga residência aparece abandonada e em estado de deterioração, com gramado tomado pelo mato, pintura descascada, tijolos manchados e construções danificadas no terreno.
Nas memórias, Charles Spencer descreve uma residência imponente, de estilo "jacobetano", com ambientes amplos e uma estrutura que refletia a vida tradicional da família. Quando os irmãos moravam ali, Park House tinha cinco quartos destinados à família, dois quartos de hóspedes e outro para a babá, além de anexos utilizados pelos empregados.
A propriedade também contava com uma sala de estar, sala de jantar, escritório, piano de cauda, adega e uma sala onde o pai dos irmãos mantinha suas armas, sempre trancada. No jardim, havia uma quadra de tênis, piscina e diferentes espaços usados por Diana e Charles para brincar.
Um dos lugares preferidos de Charles era uma casa na árvore construída junto ao galho de um cedro. Já Diana tinha sua própria "toca", onde brincava com amigos e organizava chás imaginários. Os irmãos, segundo ele, respeitavam o espaço um do outro.
Entre as lembranças mais curiosas está o aniversário de sete anos de Diana, em 1968. O pai dos irmãos preparou uma surpresa que chamou atenção até mesmo na região: um trailer levou até Park House um camelo chamado Bert, vindo de uma reserva de animais selvagens perto de Peterborough.
As crianças passaram a tarde montando no animal enquanto dois tratadores o conduziam pelo jardim. Charles Spencer descreve a presença do camelo como uma extravagância rara em uma família cujo pai era conhecido por controlar cuidadosamente os gastos.
Antes de chegar ao atual estado de abandono, Park House ganhou uma nova função. Segundo reportagem publicada pela People em 2015, dois anos depois do casamento de Diana com o então príncipe Charles, em 1983, a Rainha ofereceu a propriedade à instituição Leonard Cheshire Disability, organização britânica voltada ao apoio de pessoas com deficiência.
O imóvel foi adaptado para atender às necessidades dos hóspedes e recebeu seus primeiros visitantes em abril de 1987. O hotel oferecia estrutura para pessoas com diferentes tipos de deficiência, incluindo esclerose múltipla, Parkinson, paralisia cerebral, lesões na coluna e consequências de acidentes vasculares cerebrais.
A transformação também ganhou um significado especial para a história de Diana, já que, conforme destacou a People, parte de seu trabalho humanitário esteve relacionada à defesa e ao apoio de pessoas com deficiência.
De acordo com o The Mirror, a propriedade funcionou durante mais de 30 anos como um hotel de descanso para adultos com deficiência. Após o aumento dos custos no período posterior à pandemia, o imóvel foi devolvido ao espólio em maio de 2021 e permaneceu vazio desde então.
A reportagem descreve a antiga mansão como uma propriedade de 16 quartos em estado de deterioração. Imagens apresentadas pelo jornal mostram também um galpão danificado, com o telhado parcialmente desabado e janelas quebradas, enquanto a piscina aparece cercada por uma estrutura metálica.
A relação emocional de Diana com a antiga residência aparece de maneira especialmente marcante no relato de Charles Spencer. Ao recordar a mudança da família para Althorp, em 1975, ele afirma que os irmãos se despediram dos cômodos de Park House e descreve a propriedade como o lugar que continuou considerando seu lar.
Mais adiante, ele escreve: "E durante o meio século que se passou desde que deixamos esse idílio da infância, uma de nós nunca conseguiu voltar lá. Seria simplesmente sofrido demais."
A frase encerra uma das passagens mais pessoais do livro e mostra como a antiga casa permaneceu ligada às lembranças da infância de Diana e de seu irmão. O imóvel que um dia foi cenário de brincadeiras, aniversários, animais, piscina, tênis e momentos familiares acabou assumindo funções muito diferentes ao longo das décadas, antes de chegar ao estado de abandono retratado pelo The Mirror.