As memórias de Charles Spencer, irmão da princesa Diana, voltam a colocar a família real britânica no centro das atenções. Às vésperas do lançamento de seu novo livro, 'The Swan Song: Diana, My Sister', que no Brasil recebe o selo da Companhia das Letras sob o título 'O Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã', o nono Conde Spencer resgata uma conversa íntima que teve com a irmã durante o turbulento processo de divórcio dela do então príncipe Charles, hoje Rei Charles III.
O relato chama atenção porque o funcionário mencionado por Diana também apareceu, anos depois, em um escândalo que envolveu rumores sobre um suposto contato sexual com o então príncipe. As alegações, porém, foram alvo de disputa judicial e foram negadas por Charles.
Segundo trecho do livro publicado pelo Daily Mail, Charles Spencer relembra um almoço com Diana no restaurante San Lorenzo, em Londres. Durante o encontro, ela teria anunciado de forma direta: "Charles, estou me divorciando".
O irmão conta que garantiu seu apoio, mas também revelou temer que a princesa fosse responsabilizada pelo fim do casamento e acusada de destruir o conto de fadas construído em torno da família real. Foi então que Diana teria respondido:
"Mas, Charles, meu marido está apaixonado pelo seu valet".
© Getty Images
A palavra "valet" se refere ao funcionário responsável por auxiliar o príncipe com suas roupas, além de cuidar de outras necessidades do cotidiano. Charles Spencer, no entanto, deixa claro que Diana nunca revelou quem era o funcionário e que ele próprio nunca perguntou sua identidade ou por que ela acreditava naquela situação, que considerava "tão improvável".
Ainda assim, durante o período do casamento e do divórcio de Diana e Charles, Michael Fawcett era o mordomo do então príncipe.
© Getty Images, Max Mumby/Indigo
Em novembro de 2003, cerca de seis anos após a morte de Diana, o nome de Michael Fawcett apareceu em um escândalo envolvendo o então príncipe Charles. De acordo com informações publicadas pelo Tampa Bay Times, jornais de diferentes países noticiaram alegações atribuídas a George Smith, antigo funcionário de Charles.
Segundo o relato divulgado pelo veículo, Smith afirmava ter presenciado o príncipe mantendo relações sexuais com outro funcionário, identificado como Michael Fawcett. Smith também alegava ter sido vítima de estupro cometido por um funcionário real.
© Getty Images, Tim Graham
As informações foram publicadas em meio a restrições judiciais que impediam veículos ingleses de divulgar detalhes das alegações. O caso, entretanto, ganhou espaço em jornais da Escócia, da Itália e da Austrália.
Na época, Charles negou envolvimento no episódio. Segundo o Tampa Bay Times, o então príncipe afirmou não ter participado de um "incidente ocorrido alguns anos antes envolvendo um membro sênior da Família Real". A declaração também dizia que as autoridades haviam investigado outras acusações feitas por Smith e as considerado sem fundamento.
Outro ex-funcionário, Simon Solari, saiu em defesa de Charles e afirmou que o episódio "simplesmente não poderia ter acontecido". Ele também questionou se Smith teria condições de testemunhar o que alegava.
© Getty Images
O episódio aparece agora novamente no contexto do lançamento de 'O Canto do Cisne: Diana, Minha Irmã', primeiro livro de Charles Spencer dedicado inteiramente à irmã.
A obra, com lançamento previsto para 22 de setembro, revisita a infância dos dois, o casamento de Diana, sua relação com a imprensa e os acontecimentos entre sua morte em Paris e o funeral. Spencer afirma que pretende apresentar um retrato "mais íntimo, amoroso e honesto" da princesa e corrigir narrativas sobre sua vida que circularam desde 1997.
© Divulgação, Companhia das Letras
O livro também traz uma lembrança envolvendo os filhos de Diana, William e Harry. Spencer relata uma discussão com o então príncipe Charles sobre a participação dos adolescentes no cortejo fúnebre atrás do caixão da mãe. Segundo ele, Charles teria dito que Diana seria esquecida "muito em breve".
A publicação das memórias também recebeu uma resposta do Palácio de Buckingham. Por meio de um porta-voz, a instituição declarou que "Sua Majestade está ciente de que o luto pela perda de um irmão pode nublar a razão, prejudicar o julgamento e distorcer a memória de maneiras que outros podem não reconhecer, mesmo muitos anos após a perda".
© Getty Images
Enquanto o livro chega às livrarias, a história envolvendo Diana, Charles Spencer, Charles III e Michael Fawcett ganha uma nova camada. O ponto central, porém, permanece baseado em relatos e alegações documentados pela imprensa da época, e não em uma confirmação de que o episódio descrito nos rumores tenha ocorrido.