O empresário Luciano Hang, fundador da Havan, investiu R$ 8,32 milhões na aquisição de um dos imóveis históricos de maior destaque de Brusque, em Santa Catarina. Conhecida como Villa Renaux, a propriedade pertenceu à tradicional família Renaux e chama atenção pela arquitetura, pelas dimensões e pela história ligada à indústria têxtil da cidade.
Construído na década de 1930, o casarão possui 768 m² de área construída, em um terreno de impressionantes 55 mil m², com jardins e área de mata. A compra, no entanto, não foi uma negociação imobiliária convencional: o negócio envolveu um processo judicial e burocrático que se estendeu por aproximadamente nove anos.
Segundo as informações sobre a negociação, a aquisição foi concluída em 2025, após a autorização da Justiça. Agora, o imóvel passa por um projeto de restauração com uma finalidade diferente daquela de uma residência particular.
A Villa Renaux, também conhecida como Casa do Cônsul Carlos Renaux, foi construída entre 1932 e 1935 pelo arquiteto alemão Eugênio Brandt. A propriedade está ligada à história da família Renaux, tradicional no desenvolvimento da indústria têxtil de Brusque.
Diferentemente de suas residências particulares, o empresário adquiriu o imóvel com o objetivo de preservar o patrimônio histórico e cultural da cidade. O projeto prevê a transformação da propriedade em um parque histórico-cultural, aberto à população e aos visitantes.
A iniciativa também tem um significado afetivo para o fundador da Havan. Os avós e os pais de Luciano Hang trabalharam na fábrica fundada por Carlos Renaux, personagem importante da história industrial de Brusque.
Em 2018, antes da aquisição do casarão, a Havan já havia arrematado o complexo da antiga fábrica Renaux, vizinho à propriedade. A compra da Villa Renaux ampliou, portanto, o conjunto de imóveis históricos ligados à trajetória da indústria têxtil local.
A demora para a conclusão do negócio está relacionada à situação financeira da antiga fábrica de tecidos Carlos Renaux. Com a crise da empresa e a decretação de sua falência, os bens que integravam seu patrimônio passaram a depender de decisões judiciais para serem negociados.
Nesse tipo de procedimento, os imóveis ficam sob a administração da massa falida, responsável por reunir os recursos necessários para o pagamento das dívidas da empresa. A venda de um patrimônio dessa natureza depende de autorizações judiciais e do cumprimento das etapas previstas no processo.
No caso da Villa Renaux, a situação foi ainda mais complexa porque havia um herdeiro com direito à posse direta do imóvel, Vitor Renaux Hering, que residia no casarão.
De acordo com as informações da negociação, foi necessário estabelecer um acordo para viabilizar a transferência da propriedade e a entrega da posse, sem prolongar ainda mais as disputas judiciais.
A proposta inicial apresentada pelo grupo ligado a Luciano Hang era de R$ 8 milhões. Após avaliações e ajustes no processo judicial, o valor final da compra foi estabelecido em R$ 8,32 milhões.
A divisão dos recursos também fez parte do acordo para a conclusão da venda. Confira os valores:
- 80% do montante, equivalentes a R$ 6,656 milhões, foram destinados à massa falida da antiga fábrica, para o pagamento de dívidas e credores.
- 20% do valor, correspondentes a R$ 1,664 milhão, foram destinados a Vitor Renaux Hering, em razão do acordo relacionado à entrega da posse do imóvel.
Os valores são calculados com base no preço final de R$ 8,32 milhões informado para a transação.
Além da definição dos valores, o processo envolveu avaliações imobiliárias e arquitetônicas, manifestações dos envolvidos e análise judicial. A proposta precisou passar pelas etapas necessárias para garantir a regularidade da venda e a destinação dos recursos aos credores.
A conclusão ocorreu após a homologação do acordo pela Justiça, encerrando uma negociação que se arrastava havia quase uma década.
Apesar de ter adquirido a Villa Renaux, Luciano Hang não comprou o imóvel para transformá-lo em sua residência. O casarão histórico é distinto da casa particular em que o empresário vive com a família, em Brusque.
O projeto anunciado prevê a restauração da edificação e a preservação dos jardins e da área de mata, que somam 55 mil m². A proposta é transformar o espaço em um parque histórico-cultural, valorizando a memória da família Renaux e da indústria têxtil catarinense.
Em 2026, outro item histórico passou a integrar a iniciativa: um Mercedes-Benz 170 W15, de 1931, que pertenceu ao cônsul e foi adquirido por Hang para o acervo do futuro parque.
Com quase um século de história, 768 m² de construção e um terreno de 55 mil m², a Villa Renaux reúne arquitetura, memória industrial e uma negociação que precisou de anos de tramitação judicial até chegar às mãos do fundador da Havan.