O jornalismo mineiro perdeu nesta terça-feira (15) uma de suas vozes conhecidas. Márcio Santos morreu aos 55 anos, em Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, após enfrentar um câncer durante cerca de três anos. O jornalista estava internado na cidade, onde realizava o tratamento contra a doença. A informação foi confirmada pelo g1.
Márcio deixa a esposa e duas filhas. Ao longo de 15 anos na TV Integração, afiliada da Globo em Minas Gerais, o comunicador construiu uma trajetória especialmente ligada às histórias do interior do estado e ganhou notoriedade como apresentador do MG Rural, programa dedicado ao agronegócio, aos produtores e à realidade do campo. Até o momento, o tipo de câncer enfrentado pelo jornalista não havia sido divulgado.
Muito antes de se tornar um rosto conhecido da televisão em Juiz de Fora, Márcio Santos começou a carreira na comunicação no fim dos anos 1980. Natural de Caratinga, em Minas Gerais, ele foi contratado pelo Grupo Sistec e passou pela Rádio Caratinga 94 FM e pela TV Sistec, onde atuou como narrador e comentarista esportivo.
Segundo levantamento publicado pela TMC, sua trajetória também incluiu trabalhos como âncora do Super Canal, locutor publicitário e mestre de cerimônias. Em 1995, ele exerceu essa última função no Exército Brasileiro, em Juiz de Fora. A carreira, portanto, foi construída em diferentes frentes da comunicação. Rádio, televisão, publicidade e jornalismo fizeram parte do caminho percorrido pelo mineiro até sua chegada à TV Integração.
Márcio completou 15 anos na TV Integração em agosto de 2026. Na emissora, estabeleceu uma relação particularmente forte com o público por meio do MG Rural, atração voltada para assuntos ligados ao agronegócio e à vida no campo.
Mais do que apresentar notícias sobre produção rural, o jornalista ajudou a aproximar realidades que muitas vezes parecem distantes: a de quem trabalha na lavoura e a de quem acompanha essas histórias nas cidades. O g1 descreveu a trajetória de Márcio à frente do programa como uma atuação que ajudou a aproximar campo e cidade, transformando a comunicação em um espaço de contato com as histórias da região.
E havia um cuidado específico na maneira como ele fazia esse trabalho. Segundo Fernanda Lília, gerente de Jornalismo da TV Integração, Márcio escolhia as palavras com atenção quando falava com o público rural.
"O Márcio sempre tinha uma frase de efeito, uma poesia, uma música. É esse o amigo que vai fazer muita falta na redação. É esse o Márcio que tinha um cuidado enorme para falar com o homem do campo, escolhendo cada palavra com carinho para ir ao ar aos domingos", disse ao g1.
A atuação de Márcio não ficava restrita aos estúdios da TV Integração. Em 2019, o comunicador participou de uma conversa com estudantes do Instituto Vianna Júnior, em Juiz de Fora, durante uma Mostra Cultural sobre Minas.
Na ocasião, ele conversou com alunos do 4º ano do Ensino Fundamental sobre o agronegócio e sobre assuntos apresentados no MG Rural. Entre os temas estava uma reportagem sobre uma onça-pintada capturada na cidade. A aproximação com a comunidade ajudava a explicar justamente uma das características de seu trabalho: traduzir assuntos da região para diferentes públicos, sem perder a conexão com as pessoas diretamente envolvidas nas histórias!
Camila Saenz, chefe de redação da TV Integração em Juiz de Fora, falou sobre a personalidade do jornalista e sobre a relação que os dois construíram ao longo dos anos. "Falar do Márcio é falar de alegria, de uma voz que preenchia a redação, de leveza, de certeza de riso solto", disse também ao g1.
A jornalista também ressaltou a gratidão por ter dividido com ele não apenas a vida profissional, mas parte da vida pessoal. Já Fernanda Lília associou a memória do colega ao comprometimento com o trabalho, a família e os amigos. Para ela, falar de Márcio também era falar de alegria e da paixão que ele tinha por Minas Gerais, pelo jornalismo e pela família.
Entre as declarações que ganharam destaque após a morte está uma frase dita pelo próprio Márcio em uma entrevista recente. "Não importa quanto tempo eu tenho de vida, importa a forma como eu decidi viver", disse.
A fala foi lembrada por Daniela Abreu, diretora de Jornalismo da TV Integração, em depoimento ao g1. Segundo ela, mesmo tendo chegado à emissora depois do afastamento de Márcio, era possível perceber a presença dele na rotina da redação pelas histórias contadas pelos colegas. Daniela afirmou ainda que o jornalista seguia sendo uma inspiração para profissionais mais novos e para a própria equipe da emissora.