A crise na Unidos de Vila Isabel ganhou mais um capítulo após uma parte dos compositores deixar a escola. Tudo começou quando, em reviravolta, a agremiação desistiu de juntar dois sambas-enredos para o Carnaval 2027 e escolher apenas aquele composto por Martinho da Vila, baluarte da Vila há seis décadas, e seu grupo.
No ano que vem, a azul e branca leva para a Sapucaí o enredo "Torto Arado: Sobre a terra há de viver sempre o mais forte", encerrando os desfiles do domingo 7 de fevereiro e em busca do quarto título no Grupo Especial. A escola foi campeã em 1988, 2006 e 2013, neste com um samba escrito por Martinho.
Agora, a escola de Sabrina Sato decidiu: aqueles compositores que venceram a final da semana passada e depois sofreram a derrota com a, podemos dizer, virada de mesa, vão receber a premiação devida. Os valores, contudo, seguem em sigilo.
"Todas as composições envolvidas irão receber a premiação. Em relação aos valores, essa é uma informação interna da escola, mas, sim, todas serão contempladas", informou a agremiação em nota ao jornal "O Globo" desta sexta-feira (18). Porém, Paulo César Feital, autor do samba vencedor e, depois, perdedor, informou que não havia sido notificado a respeito da premiação.
Gustavinho Oliveira, Thales Nunes, Danilo Garcia, Júlio Alves, Marcelo Martins e Gabriel Simões também assinaram a música preterida pela agremiação, terceira colocada na apuração deste ano vencida pela Unidos do Viradouro. "Não tenho informações sobre a premiação, entretanto, como não fomos proclamados campeões, nada devemos receber", disse Feital.
No bastidor da azul e branca da Zona Norte do Rio, fontes apontam o próprio Martinho da Vila a decisão de reverter o resultado da quadra. O cantor e compositor já teria sido contra a junção de sambas em pelo menos dois outros anos. Para o baluarte, em muitas vezes as músicas não combinam por conta de estilos próprios de cada uma.
Dessa vez, o pai de Mart'nália foi consultado de novo e reforçado que reprova a junção dos sambas. O cantor de "Mulheres" e "Cassandra" chegou a dizer que não iria assinar o samba-enredo final caso houvesse, de fato, a junção. Por sua vez, a Vila Isabel recuou e deu a vitória a Martinho.
No caso do samba do ícone da escola, a composição iria contribuir com grande parte da música nova, menos o refrão principal.