'Quem Ama Cuida' chega ao capítulo 100 nesta sexta-feira, dia 11, e já é possível fazer um balanço dos principais erros e acertos da novela. De modo geral, a trama pode ser considerada uma boa produção, pois tem elementos de sobra para ser elogiada, como bons personagens, conflitos e histórias capazes de movimentar as redes sociais.
Mas um folhetim não vive apenas dos acertos. E, ao completar 100 capítulos, alguns problemas também começam a ficar mais evidentes. Assim como analisamos os erros e acertos dos 50 capítulos iniciais, trazemos uma nova avaliação da novela das nove. Acompanhe!
Um dos trabalhos mais bonitos da novela está na maneira como os autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto vêm conduzindo a descoberta da sexualidade de Mau Mau (João Victor Gonçalves).
A história não trata o personagem apenas como alguém que precisa encontrar uma definição para si, mas acompanha esse processo aos poucos, com dúvidas, descobertas e conflitos.
Ao mesmo tempo, a trama colocou dois personagens interessados nele: Fernando (Pedro Alves) e Felipe (Pietro Antonelli). O triângulo amoroso vem despertando carinho do público e parece responder bem aos pedidos dos telespectadores. O principal mérito está justamente na leveza.
Letícia Colin conseguiu transformar Adriana em uma personagem que ganhou torcida, e a vingança da fisioterapeuta deixou de ser apenas uma promessa para passar a movimentar vários núcleos.
A protagonista tem conflitos com diferentes personagens e suas decisões interferem diretamente na vida de quem está ao redor. Além disso, a interpretação da atriz é primordial. Letícia consegue mudar as expressões em uma mesma cena sem perder a naturalidade.
Chay Suede e Letícia Colin têm química e conseguem sustentar uma relação que mistura romance, desconfiança, mágoas e segredos. Os atores, que já viveram um casal em 'Segundo Sol', repete a mesma cumplicidade como Pedro e Adriana.
Tatá Werneck também merece destaque. Brigitte é uma personagem complexa, com uma obsessão por homens que continua sendo um dos seus principais problemas, mas a atriz tem conseguido equilibrar muito bem o drama e a comédia.
É especialmente interessante vê-la em cenas mais dramáticas. Brigitte tem problemas sérios na relação com a mãe, Pilar (Isabel Teixeira), e esse conflito permite que Tatá mostre uma faceta diferente de seu trabalho.
A expectativa em torno da chegada de Heitor, vivido por Renato Góes, é alta. O personagem, filho desaparecido de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), promete trazer novos segredos do passado e mexer profundamente com a estrutura da história.
Além da transformação visual de Renato para o papel, Heitor chega com a promessa de acabar com a paz de Pilar e ainda viver uma possível aproximação com Adriana.
É impossível falar dos problemas de 'Quem Ama Cuida' sem mencionar Pilar. Isabel Teixeira tem uma atuação magistral e demonstra ter capacidade para entregar cenas muito mais fortes, cruéis e memoráveis.
O problema está justamente no roteiro. Até agora, Pilar teve poucos embates realmente grandes com Adriana.
Suas maiores demonstrações de poder muitas vezes acabam concentradas em humilhar empregados, entrar em conflito com Brigitte ou até mesmo tentar controlar a educação da própria cachorra.
Uma personagem com o potencial de Pilar precisava de mais confrontos, especialmente com Adriana. A chegada de Heitor pode ser a oportunidade perfeita para mudar isso.
Outro problema está na maneira como a vingança de Adriana vem sendo conduzida. A protagonista demora para eliminar seus inimigos e, em alguns momentos, toma atitudes que parecem distantes da personagem que passou anos planejando sua revanche.
Um exemplo foi a humilhação de Dora (Mariana Ximenes), usada como parte da estratégia contra Ademir (Dan Stulbach). A cena teve repercussão, mas também deixou uma pergunta: Adriana realmente precisava chegar a esse ponto?
Também sinto falta de mais 'sangue nos olhos' da protagonista. Adriana quer justiça e está focada em destruir quem considera responsável por sua tragédia, mas às vezes transmite a sensação de que pode desistir a qualquer momento.
'Quem Ama Cuida' também tem um elenco de peso que poderia estar recebendo histórias melhores.
Isabela Garcia é um dos exemplos mais claros. Como Elisa, a veterana parece andar em círculos. A personagem fala frequentemente de maneira genérica e ainda não recebeu um texto à altura do talento da atriz.
A própria fibromialgia enfrentada por Elisa poderia ser explorada com mais profundidade. Trata-se de uma condição que permitiria trabalhar limitações, dores, relações familiares e dificuldades cotidianas, dando mais carga dramática para Isabela Garcia.
E ela não é a única. Outros nomes do elenco, como Maria Ribeiro, Haonê Thinar, Rainer Cadete e João Vitor Silva, também poderiam ganhar conflitos mais relevantes e histórias capazes de aproveitar melhor seus talentos.
Outro problema que foge completamente do controle dos autores é o horário de exibição. Com a presença do horário eleitoral, 'Quem Ama Cuida' perdeu espaço e passou a ter capítulos muito curtos, com duração de até 16 minutos.
Isso prejudica especialmente as sequências que dependem de tempo para desenvolver tensão.
Um exemplo foi o aguardado flagra de Ademir com Dora e André. Uma situação que poderia ocupar boa parte de um capítulo acabou comprimida em uma exibição menor, justamente quando o público esperava acompanhar todas as reações e consequências do escândalo.