Desde sua estreia no cinema, em “Jamón, Jamón”, em 1992, Penélope Cruz construiu uma carreira que atravessa países, idiomas e gerações.
Aos 52 anos, a atriz espanhola segue entre os nomes mais reconhecidos da indústria cinematográfica, com trabalhos ao lado de diretores como Pedro Almodóvar e um Oscar por “Vicky Cristina Barcelona”.
Foi também no set de “Jamón, Jamón” que ela contracenou pela primeira vez com Javier Bardem, com quem se casou em 2010. Discretos em relação à vida familiar, os dois voltariam a dividir a tela em outros projetos ao longo dos anos.
Em uma entrevista concedida à edição espanhola da revista “Vanity Fair” em 2022, Penélope falou sobre “A Imensidão”, filme disponível no Looke, no qual interpreta a mãe de uma pessoa trans.
O lançamento aconteceu em meio ao debate sobre a lei trans na Espanha, e a atriz foi questionada sobre sua posição diante do assunto.
Penélope disse que via com alegria a possibilidade de aprovação da lei, mas preferiu não comentar declarações específicas sobre um projeto em que, segundo ela, cada detalhe importava.
Em vez disso, falou dos valores que recebeu dos pais, que a ensinaram desde cedo a respeitar os outros.
“Não há outra maneira de ver a vida senão olhar para a pessoa que está à minha frente e respeitar, cem por cento, o que essa pessoa sente sobre si mesma”, afirmou.
A fala de Penélope ganha força pelo contexto em que foi dada. Diante de uma discussão pública sobre direitos e identidade, ela escolheu falar da educação que recebeu e do modo como trata as pessoas em sua vida.
Seus pais, contou a atriz, ensinaram a ela e à família o respeito pelo outro. É um valor que parece simples de defender, mas que pode ser mais difícil de praticar quando alguém vive ou pensa de uma maneira diferente da nossa.
Nesses momentos, ouvir exige deixar de lado, por um instante, a vontade de responder ou tirar conclusões.
O respeito também se manifesta nas conversas cotidianas: na atenção que damos a quem fala, nas perguntas que fazemos para entender melhor e na disposição de reconhecer que não conhecemos toda a experiência de outra pessoa.
Isso não significa que todas as conversas terminarão em concordância. Significa que é possível discordar sem deixar de tratar o outro com consideração.
Ao trazer a reflexão para a educação que recebeu em casa, Penélope lembra ainda que aprendemos esse modo de agir no convívio. A maneira como ouvimos e falamos com as pessoas à nossa volta ajuda a mostrar, todos os dias, o valor que damos a elas.