Javier Bardem conseguiu fazer algo muito difícil quando se é pai — ainda mais em uma profissão como a sua, na qual as ausências de casa são frequentes: conciliar a vida profissional e familiar.
Dedicar tempo àquilo que se ama e, ao mesmo tempo, proteger ao máximo o tempo com os filhos não é uma tarefa fácil, mas tudo é uma questão de organização.
Tanto para ele quanto para Penélope Cruz, manter a família longe dos holofotes sempre foi uma das prioridades. Mas havia também outra realidade: a necessidade de passar longos períodos longe de casa para cumprir seus compromissos profissionais, sem jamais deixar de lado o papel de pais.
É justamente sobre isso que Bardem fala em uma entrevista recente à Esquire, na qual garante que os filhos sempre foram sua prioridade:
“A coisa mais importante da minha vida são eles. Eu os amo e tenho a sorte de sentir o amor deles, o que é um presente”, diz.
Mas o ator também revela que ama sua profissão, e isso serviu ainda como um ensinamento para os filhos, mostrando a eles a paixão que tanto ele quanto a mãe têm pelo que fazem.
Seu projeto mais recente, “El ser querido”, filme que rodou sob a direção de Rodrigo Sorogoyen, é um claro exemplo disso.
Segundo Bardem, conciliar trabalho e família em sua casa envolve estabelecer regras que não podem ser quebradas, como, por exemplo, não passar mais de duas semanas longe.
“Se a vida lhe concede o privilégio de se dedicar ao que ama, você deve se esforçar, se preparar, respeitar e cuidar disso. Às vezes, isso significa viajar a trabalho e passar duas semanas sem vê-los. Três, no máximo. Meu corpo e meus contratos só permitem que eu fique duas semanas sem ver meus filhos. Na nossa casa, há algo inegociável: pelo menos um de nós dois deve estar sempre com eles”, afirma.
Durante anos, essa organização familiar foi fundamental, mas agora a situação começa a mudar um pouco.
Seus filhos, de 15 e 13 anos, já não são aquelas crianças que precisavam de atenção constante. Bardem tem consciência de que a adolescência marca o início de uma nova etapa e de que, aos poucos, é preciso deixá-los voar.
“Meus filhos têm 15 e quase 13 anos, e você começa a vislumbrar uma vida, não tão distante, sem eles em casa. E eu quero que isso aconteça. Quero a independência deles, a capacidade de existirem por si mesmos, pelo que são, pelo que fazem e também pelo que decidem não fazer”, explica.
Um dos principais sinais de que essas crianças estão crescendo aparece também na educação, já que surgem novas batalhas para enfrentar com elas.
Em outra entrevista, Bardem falou sobre a introversão que vivemos atualmente por causa das telas, dos celulares e tablets, e sobre os limites impostos ao uso desses dispositivos em sua casa. Seus filhos não tiveram celular até os 14 anos e “redes sociais, só depois dos 16. E isso já é um milagre na sociedade em que vivemos”.
Agora, o desafio é outro: continuar presentes enquanto os filhos conquistam cada vez mais autonomia e, como quaisquer adolescentes, reivindicam seu próprio espaço.
Afinal, como o próprio Bardem reconhece, não está tão distante o momento em que eles deixarão a casa dos pais para construir a própria vida.