Ela parece tão eternamente jovem que ninguém diria que tem 79 anos. Em 1947, Christian Dior expandiu o império de sua maison de luxo ao lançar seu primeiro perfume: Miss Dior.
A ideia? Criar uma fragrância que "cheirasse a amor" e permitisse ao estilista "ver surgir, uma a uma, todas as roupas Dior do frasco".
As fragrâncias, baseadas no chipre verde, têm como inspiração os jardins da Villa Les Rhumbs, em Granville, onde o estilista passou a infância. E a fórmula nunca mudou: há oito décadas, o perfume veste mulheres do mundo inteiro.
Enquanto uma nova campanha com Natalie Portman — que destaca um frasco reformulado — mostra a atriz transformando as ruas de Paris em campos de flores ao som do sucesso "Good Luck, Babe!", de Chappell Roan, a Dior também apresenta um belíssimo curta-metragem com a mesma música que personifica sua Miss Dior à maneira das heroínas do Studio Ghibli.
Disponível no YouTube, o belo filme poético foi dirigido por Ugo Bienvenu, cofundador do estúdio francês de animação Remembers e diretor de “Arco”, vencedor do César 2026 de Melhor Filme de Animação e Melhor Trilha Sonora Original.
O curta, que mostra Christian Dior imaginando suas coleções enquanto observa uma jovem colher rosas no Château de La Colle Noire, pretende ser uma vibrante homenagem aos grandes clássicos da animação japonesa.
A Miss Dior em questão não é outra senão Catherine Dior, irmã mais nova do estilista, que foi uma figura da Resistência Francesa. O filme revisita momentos importantes da história de Miss Dior, incluindo aquela famosa publicidade em que ela aparece sobrevoando Paris presa a balões.
O diretor e suas equipes, que "tiveram total liberdade criativa em termos de direção artística", não se limitaram a consultar os arquivos da Dior. Eles também utilizaram técnicas tradicionais para dar vida ao curta-metragem, como um pintor diante de sua tela.
"Para traduzir a beleza suave de uma natureza viva, escolhemos, para os cenários deste filme, uma técnica raramente utilizada. Trata-se de uma técnica artesanal japonesa com guache, que remonta aos anos 1980. Hoje, quase ninguém mais a utiliza, tamanha é a quantidade de tempo que ela exige. Louise Seynhaeve, que criou todos os cenários de Miss Dior, deve ser a única pessoa na França a dominar essa técnica."
Esse trabalho minucioso, com cores diluídas antes de serem enriquecidas, exigiu uma precisão digna de um relojoeiro. "Temos a impressão de que podemos esculpir a luz", resume poeticamente Louise Seynhaeve.
O resultado, de uma beleza estonteante, quase dá vontade de ver as vidas de Christian e Catherine Dior serem transportadas para as telonas em um filme de animação.