O perfume de uma pessoa querida pode despertar lembranças marcantes, e o príncipe Harry compartilhou uma experiência pessoal que mostra como um aroma pode estar ligado à memória e às emoções. Em uma nova aula sobre luto, o duque de Sussex revelou que a fragrância favorita de sua mãe, Lady Di, o ajudou a se reconectar com recordações que acreditava ter perdido após a morte da princesa.
Em entrevista apresentada na plataforma MasterClass, Harry contou que passou anos reprimindo as próprias emoções depois de perder a mãe, em um acidente de carro em Paris, em 1997. Na época, ele tinha apenas 12 anos. Segundo o relato publicado pela revista People, o príncipe chegou a esquecer como era a voz de Diana e o som de sua risada.
A fragrância que ajudou Harry a recuperar lembranças da mãe foi o First, da Van Cleef & Arpels, um perfume floral que ele já havia mencionado em sua autobiografia, Spare, publicada em 2023.
O príncipe explicou que seu terapeuta apresentou uma técnica que ele já havia visto ser utilizada com veteranos militares que enfrentavam o transtorno de estresse pós-traumático. A abordagem consistia em recorrer a aromas familiares para acessar memórias afetadas por experiências traumáticas.
Ao revisitar o cheiro do perfume de Diana, Harry descreveu a sensação como uma viagem no tempo. "Foi como ser transportado para outro tempo", contou, conforme reproduzido pela People.
Ele também explicou que a experiência o ajudou a atravessar uma barreira emocional construída ao longo dos anos. "Desbloqueou tudo o que estava trancado anteriormente", relatou o duque, ao comparar as emoções reprimidas a uma parede que separava as lembranças boas e ruins.
Durante a aula Redefining Grief: Building Resilience Through Loss, desenvolvida em parceria com a neurocientista Dr. Mary-Frances O'Connor, o príncipe falou sobre as consequências emocionais da morte de Diana.
"Esqueci como minha mãe soava. Esqueci sua risada. Eu realmente não conseguia visualizar como ela era sem olhar para uma fotografia dela", revelou Harry, segundo a revista People.
O duque também relembrou a experiência de caminhar ao lado do irmão, príncipe William, atrás do caixão da mãe durante o cortejo fúnebre público em Londres, em setembro de 1997.
Na ocasião, os dois irmãos cumprimentaram pessoas que foram prestar homenagens à princesa. Harry recordou ter sentido estranheza ao perceber que muitos choravam intensamente, enquanto ele próprio não conseguia demonstrar a mesma emoção.
"Quase me senti culpado por não conseguir demonstrar a mesma emoção que aquelas pessoas que choravam por alguém que nunca haviam conhecido", relatou.
Segundo o príncipe, ele conseguiu chorar após o sepultamento privado de Diana, realizado em Althorp, residência da família Spencer. "Lembro-me de pensar ou sentir que, na verdade, era muito bom chorar", contou.
Outro ponto revelado pelo duque foi a dificuldade de aceitar a ausência definitiva da mãe. Durante anos, ele manteve a esperança de que Diana estivesse viva e retornaria para buscá-lo e ao irmão.
Harry contou que imaginava que a princesa havia criado uma maneira de escapar das situações que destruíam sua vida e que reapareceria disfarçada para levar os filhos embora.
"Essa crença protetora durou uma década", afirmou. Ele explicou que, como mecanismo de defesa, sua mente e seu corpo passaram a reprimir as emoções e as lembranças, incluindo não apenas as experiências dolorosas, mas também as boas recordações.
Na aula, Mary-Frances O'Connor explicou que o olfato tem uma ligação importante com a amígdala e o hipocampo, regiões do cérebro envolvidas no processamento das emoções e da memória.
A neurocientista também destacou que os aromas podem atravessar barreiras emocionais que dificultam o acesso às lembranças durante o luto. A experiência compartilhada por Harry integra a discussão sobre como as pessoas podem lidar com a perda e aprender a conviver com a ausência de alguém querido.
Ao longo dos anos, Harry também precisou enfrentar a culpa que sentia diante da possibilidade de voltar a ser feliz. Segundo o príncipe, ele acreditava que precisava permanecer triste e emocionalmente entorpecido para demonstrar o quanto sentia falta de Diana.
"Passei tanto tempo emocionalmente entorpecido, em grande parte porque me sentia desleal e culpado pela possibilidade de ser feliz e alegre sem ela", revelou.
Com o tempo, porém, o duque chegou a uma compreensão diferente sobre a relação com a memória da mãe. "O que descobri foi que, na verdade, ela só queria que eu fosse feliz", afirmou. Para ele, essa mudança de perspectiva foi importante e trouxe uma nova maneira de enxergar a própria vida.
Atualmente, Harry afirma que a família e o trabalho beneficente são formas significativas de manter vivo o legado de Lady Di. O príncipe contou que espera que a mãe se orgulhe das iniciativas às quais dedica sua energia.
"Há um elemento de carregar minha mãe dentro de mim que, em última análise, me dá energia para o trabalho que faço", declarou.