Noelia Bonifacio, psicóloga: 'A pessoa emocionalmente saudável não é aquela que nunca sente medo, tristeza ou ansiedade'
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 17:06
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Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Reconhecer emoções desconfortáveis sem se julgar por senti-las pode ajudar a enfrentar as dificuldades com mais equilíbrio
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A psicóloga Noelia Bonifacio, autora do livro “Método Noebo”, propõe uma reflexão sobre o que significa estar bem. 

“A pessoa emocionalmente saudável não é aquela que nunca sente medo, tristeza ou ansiedade”, afirmou em entrevista ao AS.

Na prática, o que a especialista quer dizer é que o equilíbrio emocional envolve conseguir reconhecer e compreender o que sentimos, mesmo quando essas emoções são desconfortáveis.

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Isso permite atravessar momentos difíceis e recuperar o bem-estar aos poucos, sem transformar cada sentimento em motivo de cobrança.

Afinal, ficar triste depois de uma decepção ou apreensivo diante de uma mudança não significa, por si só, que há algo errado conosco. Cobrar tranquilidade nessas horas pode acrescentar culpa a uma experiência que já é difícil.

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O que a ciência diz sobre aceitar as emoções

Essa reflexão encontra apoio em uma pesquisa publicada em 2018 no Journal of Personality and Social Psychology.

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Em três estudos, os pesquisadores observaram que o hábito de aceitar pensamentos e emoções sem julgá-los estava associado a melhores indicadores de saúde psicológica.

Em uma das etapas, com 222 participantes, essa aceitação esteve ligada a menos emoções negativas diante do estresse cotidiano, o que ajudou a explicar sua relação com o bem-estar seis meses depois. Os resultados sugerem que a maneira como reagimos ao próprio desconforto também importa.

Como levar essa ideia para o cotidiano

Um primeiro passo pode ser trocar a cobrança pela curiosidade: em vez de pensar “eu não deveria estar assim”, perguntar “o que estou sentindo e do que preciso agora?”.

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Reconhecer a tristeza após uma perda, por exemplo, abre espaço para buscar companhia ou respeitar o próprio tempo. Admitir o medo diante de um desafio permite pensar em como enfrentá-lo, sem exigir que ele desapareça antes de agir.

Esse acolhimento também inclui perceber quando precisamos de ajuda. Se o sofrimento persiste, se intensifica ou prejudica o sono, o trabalho e as relações, buscar acompanhamento profissional é uma forma de cuidado.

Até mesmo porque ser emocionalmente saudável também passa por reconhecer os próprios limites.

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