Quando falamos na personalidade de uma pessoa estamos nos referindo à forma como aquele indivíduo se relaciona com o que está ao seu redor. E o desenvolvimento dessa pessoa adquirido através de suas experiências e questão genética. É por essa razão que temos a ideia de que irmãos tenham características muito parecidas.
Acontece que esse achismo em nada se parece com a realidade. O fato de crescer no mesmo ambiente, na mesma casa e passar pelas mesmas experiências não vai levar duas pessoas a agirem de maneira semelhante.
Essa questão foi levantada na web pelo psicólogo Rafa Guerrero. "Mesma família. Mesma casa. Mesma infância? Não necessariamente", apontou o especialista. "Sempre nos perguntamos por que dois irmãos que cresceram e viveram na mesma casa, na mesma família, são completamente diferentes. Por que, inclusive, podem chegar a ser opostos", acrescenta.
Na visão do profissional, "crescer na mesma família não significa vivenciá-la da mesma maneira". O que o psicólogo quer dizer com isso? "Dois irmãos podem crescer juntos, terem os mesmos pais e viverem muitas experiências juntos e, mesmo assim, se tornarem adultos completamente diferentes. E em alguns casos, serem opostos"
Ainda de acordo com o especialista, durante a fase criança e avaliando irmãos que crescem na mesma casa, "cada filho ocupa um lugar diferente, tem seu próprio temperamento e estabelece vínculos particulares com aqueles que o cercam. E nós, como pais, também não nos relacionamentos exatamente da mesma forma como cada um de nossos filhos".
É por isso que na visão do psicólogo, "compreender tais diferenças nos permite olhar para a infância com mais profundidade e entender por que não existe uma experiência única dentro de uma mesma família". Diante desse cenário, "existem tantas variáveis que nos fazem crescer, nos desenvolver e nos tornar adultos que, se não forem levadas em conta, acabam nos deixando muito diferentes uns dos outros".
O psicólogo aponta também: "não é a mesma coisa ser o irmão mais velho ou o mais novo. Não é a mesma coisa ter um temperamento ou outro. É muito importante a posição que ocupo dentro da minha família".
Não se pode esquecer de um detalhe fundamental. "Nós, mães e pais, criamos vínculos e nos relacionamentos com nossos filhos de maneiras muito diferentes. Não nos relacionamos da mesma forma com o mais velho e com o mais novo... Não nos relacionamos da mesma forma com a menina e com o menino", reforça o especialista.
Dessa forma, os pais dão uma contribuição que acaba por ser fundamental para que os filhos desenvolvam suas próprias personalidades. Em outras palavras, "tem muito a ver também com os estereótipos, com os nossos medos; tem a ver, é claro - do ponto de vista dos adultos -, com os nossos traumas, com as nossas angústias, com as nossas preocupações".
A conclusão do psicólogo acaba por ser essa: "Por isso, duas crianças que crescem na mesma família podem acabar sendo muito, mas muito diferentes".