O fim de ano já está dobrando a esquina e, em um mês, desembarcamos no mês de dezembro. Além das comemorações de final de ano, está época é marcada por tendências de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).
Quem traz essa reflexão impressionante é o psicólogo Rafa Guerrero, ao citar um dado estatístico que acende um importante alerta nos consultórios e nas salas de aula:
"Crianças nascidas em dezembro têm 39% mais chances de serem diagnosticadas com TDAH do que aquelas nascidas em janeiro."
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Um exemplo clássico de talento gigante que nasceu no fim do ano é o ator e diretor Selton Mello. Nascido em 30 de dezembro de 1972, o artista completará 54 anos em breve e carrega uma trajetória brilhante na televisão desde a infância.
Sua estreia ocorreu ainda garoto, em 1981, na série 'Dona Santa'exibida pela Band, quando tinha apenas 9 anos.
Apesar da carreira precoce e bem-sucedida, a vida escolar de Selton foi marcada por desafios profundos. O ator já revelou publicamente que recebeu o diagnóstico de TDAH (Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade) e de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) aos 19 anos de idade.
Em relatos francos, Selton contou que na infância e adolescência era uma criança extremamente agitada, falava alto demais e chegou a ser expulso de colégios, sofrendo bastante bullying por se sentir "esquisito" em relação aos colegas da mesma turma.
A experiência vivida por Selton Mello ajuda a ilustrar o ponto defendido por Rafa Guerrero. O psicólogo faz referência a um amplo estudo realizado com aproximadamente um milhão de crianças canadenses, que constatou uma disparidade gritante no número de diagnósticos associada unicamente ao mês de nascimento.
"A única diferença entre essas crianças é que algumas são 11 meses mais velhas, nada mais. Elas estão na mesma turma e são avaliadas exatamente pelos mesmos padrões", explica Guerrero.
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O especialista lembra que o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento focado no córtex pré-frontal, região cerebral responsável pela concentração, planejamento e controle de impulsos.
No entanto, ao colocar na mesma sala um aluno nascido em janeiro e outro nascido em dezembro, a diferença de quase um ano de vida representa um abismo em termos de maturação biológica.
"Comparar uma criança nascida em dezembro com uma nascida em janeiro é comparar dois níveis totalmente diferentes de maturidade e, muitas vezes, rotular essa diferença natural como um transtorno", pontua o psicólogo.
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Diante dessa constatação, Guerrero defende que a 'idade relativa' precisa ser levada em conta durante avaliações médicas e pedagógicas. O alerta não busca minimizar as necessidades reais de crianças que de fato convivem com o TDAH e precisam de suporte especializado, mas sim evitar o excesso de diagnósticos equivocados.
Para o psicólogo, educadores e professores devem estar atentos a essa lacuna de meses entre alunos da mesma série, ajustando as expectativas de comportamento e atenção.
Avaliar cada criança de acordo com seu estágio individual de desenvolvimento é o único caminho para garantir um ambiente acolhedor e sem rótulos precipitados.