Não é segredo para ninguém que uma casa limpa e organizada costuma tornar a rotina mais agradável. É mais fácil encontrar o que se procura, aproveitar os espaços e descansar sem olhar para a mesa ou o sofá e lembrar de uma tarefa pendente.
Mas será que a forma como enxergamos o lugar onde moramos também tem relação com o que sentimos?
As pesquisadoras Darby Saxbe e Rena Repetti investigaram essa questão em um estudo publicado na revista Personality and Social Psychology Bulletin.
Elas analisaram as palavras usadas por 60 pessoas, integrantes de casais em que ambos trabalhavam, enquanto apresentavam suas casas.
Nos dias seguintes, acompanharam o humor dos participantes e a variação do cortisol, hormônio envolvido na resposta do corpo ao estresse.
Entre as mulheres, aquelas que descreviam a casa com mais referências à bagunça e a tarefas inacabadas relataram uma piora do humor ao longo do dia. Elas também apresentaram uma queda menos acentuada do cortisol, que normalmente diminui entre a manhã e a noite.
Já entre as que falavam do lar como um espaço de descanso, os relatos de humor deprimido diminuíram ao longo do dia, e a queda do cortisol foi mais pronunciada. O estudo observou, portanto, diferenças no humor e no ritmo diário do hormônio associadas à maneira como elas descreviam a própria casa.
Isso não quer dizer que encontrar louça na pia ou roupas fora do lugar seja motivo para preocupação. A pesquisa identificou associações, mas não demonstrou que a bagunça, por si só, tenha causado as mudanças no humor ou no cortisol.
Ainda assim, o estudo nos convida a perceber como nos sentimos em casa.
Se olhar ao redor traz sempre a sensação de que há algo por fazer, pode valer a pena começar por uma mudança pequena: guardar os objetos depois de usá-los, liberar uma superfície ou resolver uma tarefa pendente por vez.
A intenção não é manter tudo impecável. É tornar o espaço mais confortável para a rotina e para o descanso, sem transformar a organização em mais uma fonte de cobrança.