[ALERTA: o texto a seguir pode conter gatilhos para vítimas ou pessoas sensíveis a assuntos relacionados a abuso sexual]
A condenação de William Pimenta Gusmão, irmão da influenciadora Virgínia Fonseca, por importunação sexual ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (09). Após a decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ GO), a vítima, Rauriceia Martins da Costa, decidiu falar publicamente pela primeira vez sobre o caso e revelou os impactos que a denúncia trouxe para sua vida ao longo dos últimos três anos.
Segundo informações divulgadas pelo Portal LeoDias, Rauriceia afirmou que aguardava pela conclusão do processo desde 2023 e disse que a decisão da Justiça representa o fim de uma longa batalha marcada por sofrimento emocional, dificuldades profissionais e ataques à sua imagem.
De acordo com o relato apresentado por Rauriceia Martins da Costa e acolhido parcialmente pela Justiça, o episódio aconteceu durante uma festa realizada em Jussara, no interior de Goiás, em abril de 2023. A vítima afirmou que tudo ocorreu enquanto ambos gravavam um boomerang durante o evento. Em seu depoimento ao Portal LeoDias, ela voltou a descrever o momento.
"Na hora em que o William tá mordendo a boca, e você tá vendo ele mordendo a boca, isso é um boomerang. Ele tá enfiando a mão dentro da minha roupa. Na hora em que ele tá mordendo essa boca, ele tá enfiando a mão dentro da minha calça."
Segundo ela, o impacto da situação foi imediato, mas a reação demorou a acontecer diante do choque vivido naquele momento.
Durante o desabafo, Rauriceia contou que enfrentou uma longa luta para conseguir que sua denúncia fosse levada adiante e afirmou que nunca buscou exposição pública.
"Eu não tive uma reação. Eu lutei três anos por justiça, pra ser escutada, pra que a justiça divina seja a melhor, mas que a justiça da Terra também arque com suas responsabilidades. E, graças a Deus, a justiça foi feita."
Ela também afirmou que desejava apenas que o caso não terminasse impune.
"Eu só queria que isso não ficasse impune, sabe? Que as pessoas não se silenciassem porque o William é irmão da Virginia. Não. Ele fez um crime."
Ainda segundo a vítima, após tornar o caso público, sua reputação passou a ser questionada e ela foi alvo de críticas nas redes sociais, sendo acusada de buscar notoriedade por meio da denúncia.
Além dos ataques públicos, Rauriceia contou que enfrentou consequências profundas em sua rotina. Segundo ela, precisou deixar o emprego, iniciou acompanhamento psicológico e psiquiátrico e passou a conviver com marcas emocionais provocadas pelo processo judicial.
"Enquanto esse homem tá vivendo a vida dele, a minha vida foi totalmente desgraçada por conta desse homem. Eu gastei dinheiro com psicólogo, com psiquiatra, por conta desse homem aí. Esse homem fez um inferno na minha vida."
Ela ainda declarou que chegou a abandonar o trabalho por se sentir perseguida durante o andamento da ação judicial.
Ao encerrar o pronunciamento, afirmou que finalmente sente paz após a decisão do Tribunal de Justiça.
"Hoje é a minha hora de falar. O William foi condenado, entendeu? Eu só quero que as pessoas me deem a oportunidade de falar, a oportunidade de todo mundo saber que esse homem é um criminoso."
Em seguida, completou:
"Deus tem me sustentado, porque, se não fosse Deus… Hoje eu posso dizer que estou em paz, porque a justiça foi feita."
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Após a decisão, a defesa de William Pimenta Gusmão também se manifestou, em nota enviada ao Portal LeoDias. Os advogados ressaltaram que a condenação ainda não é definitiva e informaram que irão recorrer aos tribunais superiores. Segundo a defesa, o julgamento analisou um recurso apresentado pelos assistentes de acusação e, por isso, ainda existem medidas judiciais cabíveis.
Os representantes de William afirmaram respeitar a decisão do Tribunal de Justiça de Goiás, mas disseram discordar da condenação, sustentando que o acusado nega os fatos e que o Ministério Público havia se manifestado pela absolvição tanto em primeira instância quanto na fase recursal, apontando, segundo a nota, ausência de provas e de materialidade.
Na última segunda-feira, a 1ª Câmara Criminal do TJ GO reformou parcialmente a absolvição de William Gusmão e o condenou por importunação sexual em relação ao primeiro dos dois fatos descritos na denúncia. Em relação ao segundo episódio investigado, a absolvição foi mantida por decisão unânime dos desembargadores.