José Manuel Martínez, ginecologista: 'As palpitações na menopausa podem surgir devido à deficiência hormonal; se a taquicardia for persistente, é recomendável realizar um exame'
Publicado em 9 de julho de 2026 às 17:00
A menopausa vai muito além das ondas de calor. Conhecer seus sintomas e desmistificar os mitos que ainda a cercam é fundamental para viver essa fase com mais tranquilidade e bem-estar
José Manuel Martínez, ginecologista: 'As palpitações na menopausa podem surgir devido à deficiência hormonal; se a taquicardia for persistente, é recomendável realizar um exame'
- Foto ilustrativa de Sandra Annenberg, de 58 anos Claudia Raia, aos 59 anos, revela surpresa com efeito colateral pouco comentado da menopausa Menopausa vai muito além das ondas de calor: ginecologista revela sintomas pouco conhecidos Sandra Annenberg revelou sofrer com o "brain fog", expressão usada para descrever o chamado "nevoeiro mental" na menopausa Fatores como a menopausa e a perimenopausa podem afetar o peso das mulheres

Por muito tempo, a menopausa foi um assunto tabu na sociedade, e isso fez com que, embora hoje haja muito mais informações sobre o tema graças às redes sociais, ainda existam gerações de mulheres que chegam a essa fase sem saber realmente o que esperar durante esses anos e como lidar com ela.

As ondas de calor são o sintoma mais conhecido, mas não o único. Insônia, confusão mental, alterações de humor, secura vaginal, aumento da gordura abdominal ou perda de massa muscular são alguns outros sintomas muito comuns que também podem surgir e, em muitas ocasiões, são considerados normais ou atribuídos ao estresse ou ao passar do tempo, por falta de conhecimento. 

“Embora agora se fale mais sobre o assunto nas redes sociais e haja cada vez mais informações, ainda há muito tabu. Muitas mulheres nem mesmo identificam certos sintomas como parte desse processo porque ninguém lhes explicou que eles também podem estar relacionados”, explica o Dr. José Manuel Martínez, do Serviço de Ginecologia e da Unidade de Patologia Benigna do Hospital Universitário de Bellvitge, em entrevista para o portal trendencias.

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Muitas mulheres procuram o médico com muitas dúvidas e ideias erradas, ou até mesmo com medo de certos tratamentos hormonais devido a informações que circulam há anos e que, por falta de atualização, elas não se atrevem a seguir. 

Alguns desses sintomas não são os típicos que costumam ser associados à menopausa, mas estão, de fato, ligados a essa fase. Segundo o Dr. Martínez: “O cansaço persistente, a confusão mental, a dificuldade de concentração, problemas de memória recente, dores articulares, queda de cabelo, coceira na pele, sensação de inchaço abdominal ou até mesmo alterações no assoalho pélvico, como uma maior tendência à incontinência urinária ou ao prolapso”.

O cansaço persistente ou a confusão mental são frequentemente associados como um sintoma secundário à falta de um bom descanso noturno. As ondas de calor noturnas prejudicam o sono, aumentam a frequência dos despertares e podem até levar à insônia, o que faz com que, no dia seguinte, soframos as consequências. 

Muitas pacientes, diz o especialista, costumam associar erroneamente esses sintomas à falta de vitaminas; por isso, procuram complexos vitamínicos quando, na verdade, a solução “geralmente está mais em tratar outros sintomas: fazer com que descansem melhor, reduzir a insônia, controlar as ondas de calor ou tentar estabilizar um pouco o humor”.

Como o risco cardiovascular muda após a menopausa

No entanto, o ginecologista afirma que também existe outro sintoma — que costuma ser um dos que mais assusta as mulheres e que leva muitas delas a procurarem atendimento médico —: trata-se da sensação de palpitações ou aceleração cardíaca decorrente das ondas de calor. “Isso pode ser normal no contexto da menopausa. 

O que não seria normal é que isso se traduzisse em uma taquicardia persistente, em quedas significativas da frequência cardíaca ou em uma sensação constante de mal-estar cardiovascular. É preciso lembrar que o estrogênio tem um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular”, diz Martínez.

Enquanto os níveis de estrogênio estão elevados, esse hormônio exerce um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular; por isso, antes da menopausa, as mulheres costumam apresentar menor risco de sofrer um infarto ou um AVC do que os homens da mesma idade. No entanto, quando os níveis de estrogênio diminuem, essa proteção se perde progressivamente.

Isso não significa que a menopausa, por si só, provoque uma doença cardiovascular, mas sim que o risco aumenta com o passar dos anos e pode ser ainda maior se forem somados outros fatores, como hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, excesso de peso ou sedentarismo. 

“Normalmente, as pacientes em idade de menopausa que procuram atendimento médico por sintomas como palpitações, falta de ar… — sintomas que aumentam a ansiedade — costumam vir para descartar a possibilidade de uma causa de origem cardiovascular. Isso envolve a realização de diversos exames (holter, eletrocardiograma, teste de esforço, ecocardiograma) para detectar a causa”, explica o cardiologista José Werenitzky.

No entanto, “em muitas ocasiões, não encontramos patologias cardiovasculares, pois se trata de sintomas relacionados à queda dos níveis de estrogênio”, acrescenta. “Por isso, essa é uma fase muito propícia para rever os hábitos de vida e cuidar da saúde cardiovascular. Na consulta, costuma-se recomendar prestar mais atenção à alimentação, praticar exercícios, respeitar o horário de sono, etc…”.

Nem tudo se resume às ondas de calor: outros sintomas que também vale a pena conhecer e que são sinais da menopausa

Além disso, outro dos sintomas mais curiosos mencionados pelo Dr. Martínez é a coceira na pele e a queda de cabelo. Isso também tem sua explicação: mais uma vez, a redução dos estrogênios é a culpada, pois, com ela, a pele fica mais fina. A derme fica “mais frágil, perde elasticidade, colágeno e hidratação. Isso faz com que muitas mulheres sintam mais coceira, sensação de repuxamento ou desconforto na pele. Com o cabelo, ocorre algo semelhante. Pode haver queda devido a alterações hormonais, estresse, desequilíbrios nutricionais ou simplesmente porque o próprio ciclo capilar muda”, explica o ginecologista. Portanto, quando esses sintomas se tornarem realmente significativos, é hora de consultar um especialista em dermatologia para uma avaliação.

O inchaço abdominal e os problemas digestivos também são bastante comuns, e, como diz Marta Marcé, nutricionista especialista em menopausa: “As mudanças em nossa microbiota devido à queda dos estrogênios e a outros hábitos diários podem estar relacionadas (…). Durante a perimenopausa e a menopausa, os estrogênios modulam tanto as bactérias quanto outros microrganismos que temos no intestino (responsáveis por esses gases e inchaço), a motilidade intestinal, alteram as mucosas… o que produz um excesso de gases que não pode ser eliminado”.

Por outro lado, também precisamos falar do efeito contrário, ou seja, que, devido à grande quantidade de informações que encontramos hoje nas redes sociais, divulgadas por profissionais duvidosos sobre a menopausa, “isso faz com que muitas mulheres cheguem muito preocupadas à consulta, perguntando constantemente sobre a perimenopausa”, diz o ginecologista. Portanto, “o segredo está em procurar orientação quando esses sintomas deixam de ser algo pontual e começam a afetar o bem-estar, o descanso, os relacionamentos pessoais ou a vida cotidiana”, conclui. 

A menopausa não precisa ser vivida com resignação, pois há cada vez mais evidências científicas e ferramentas para aliviar os sintomas e prevenir problemas de saúde a longo prazo. Informar-se, consultar profissionais e adotar hábitos saudáveis pode ser essencial para enfrentar essa nova fase com mais bem-estar, energia e qualidade de vida.

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Por Clara Espíndola | Colaboradora | TV, beleza e famosos
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
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