Há quase 30 anos, Régis Pitbull vivia o auge no futebol, com BMW e fama; hoje, aos 49 anos, ex-Corinthians está nas ruas e luta contra o crack: ‘Não sou um coitadinho’
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 15:56
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Conhecido pela passagem por clubes como Ponte Preta, Corinthians e Vasco, Régis Pitbull teve uma carreira internacional antes de abandonar o futebol e enfrentar uma longa luta contra o crack
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Aos 49 anos, Régis Fernandes da Silva, conhecido no futebol como Régis Pitbull, vive uma realidade bem distante daquela que experimentou nos gramados... Ex-jogador de clubes como Ponte Preta, Corinthians e Vasco, o atacante está há cerca de dois meses em situação de rua em Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, bairro onde nasceu e cresceu. 

Sob lonas, cobertores e papelões improvisados em uma praça, ele enfrenta novamente uma batalha que atravessa boa parte de sua vida: a dependência química. A situação foi revelada em uma reportagem publicada pelo ge nesta quarta-feira (2). 

Segundo o veículo, Régis deixou de viver no apartamento que possui após acumular dívidas de condomínio e IPTU. O imóvel é alvo de uma ação judicial. O ex-atleta também passou a morar nas ruas depois de ter sido preso, em 2025, por agredir o sub-síndico do prédio.

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A história, porém, não começou agora. Muito antes de se tornar um homem em situação de rua, Régis Pitbull foi um atacante que construiu uma carreira internacional, vestiu camisas de clubes tradicionais e viveu o tipo de reconhecimento que costuma acompanhar os jogadores profissionais em seus melhores anos.

Quem é Régis Pitbull?

Nascido em São Paulo, Régis começou a carreira profissional no Comercial de Ribeirão Preto, ainda na década de 1990. O desempenho chamou atenção e o atacante chegou ao Marítimo, de Portugal, antes de retornar ao Brasil para defender o Ceará.

Foi na Ponte Preta, entretanto, que seu nome ganhou maior projeção. Régis participou de campanhas importantes do clube e integrou o elenco que conquistou o acesso ao Campeonato Paulista em 1999. Naquele time estavam jogadores que posteriormente teriam carreiras de destaque, como Luis Fabiano, Fábio Luciano, Ronaldão e Mineiro.

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A própria Ponte Preta já relembrou, em publicação sobre os 25 anos do acesso, a participação de Régis naquela campanha. O atacante aparece na lista de artilheiros do time, com um gol no campeonato. Foi também nesse período que o apelido que o acompanharia pelo resto da vida ganhou força: Régis Pitbull. Dentro de campo, velocidade, força e drible eram algumas de suas características.

A carreira ainda o levou para o Coritiba, o Kyoto Sanga, do Japão, o Gaziantepspor, da Turquia, e o Daejeon Citizen, da Coreia do Sul, além de outros clubes brasileiros.

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Corinthians era o sonho, mas passagem foi curta

Em 2004, Régis chegou ao Corinthians. A contratação tinha um significado especial para o jogador, que considerava o clube do coração. A passagem, porém, esteve longe de alcançar a expectativa criada.

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Pelo Corinthians, foram sete partidas e nenhum gol. O vínculo não foi renovado, e Régis seguiu sua trajetória por outras equipes, entre elas Portuguesa, Inter de Limeira, ABC, Rio Branco-MG, Poços de Caldas e São Raimundo-AM.

Segundo o levantamento publicado pelo ge, a carreira profissional de Régis soma 170 jogos e 49 gols. O ex-atacante deixou o futebol profissional em 2012, aos 34 anos. 

Régis jogou no exterior, passou por diferentes regiões do Brasil e chegou a viver muitos momentos de prestígio e conforto financeiro! Anos depois, ao conversar com o ge, ele próprio recuperou algumas lembranças daquele período de abundância. "Eu andava de BMW, tive uma Dakota (caminhonete). Um dia fui na churrascaria comer uma costela daquelas top e nem paguei, tiraram fotos e não deixaram pagar a conta. Imagina isso hoje? Você está louco", disse.

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Drogas já faziam parte da história antes da aposentadoria

A dependência química não surgiu apenas depois que Régis deixou os gramados.

Em 2001, segundo o portal do Esporte Clube Bahia, Régis foi detido em Curitiba quando defendia o Coritiba por posse de cocaína e acabou afastado do clube. Posteriormente, passou pelo Ceará e declarou estar recuperado antes de chegar à Ponte Preta, onde ganhou destaque e se tornou ídolo.

Anos depois, a história seria contada de maneira ainda mais detalhada pela ESPN. Em reportagem publicada em abril de 2021, o jornalista Marcelo Gomes relatou que Régis enfrentava dependência de crack havia pelo menos 15 anos. A publicação também apontou que o contato com maconha e álcool era ainda mais antigo, remontando à adolescência.

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Durante a carreira, o atacante chegou a ser suspenso por casos de doping relacionados ao uso de maconha. O problema, portanto, acompanhou diferentes momentos de sua vida profissional e pessoal. A aposentadoria não representou o fim da batalha. Ao contrário... segundo o ge, foi depois de deixar o futebol que a dependência química se intensificou.

Dinheiro, fama e carreira começaram a desaparecer

O ex-jogador, que durante os anos de futebol chegou a adquirir bens e viver com conforto, enfrentava dificuldades financeiras severas. O apartamento comprado em 2000 para a mãe, Ana Maria, acumulava mais de R$ 160 mil em dívidas de condomínio, segundo a ESPN. O imóvel também chegou a ficar sem serviços básicos.

A dependência havia consumido boa parte do patrimônio construído durante a carreira. Mesmo assim, naquele momento, havia uma tentativa de interromper o ciclo.

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A ESPN reuniu familiares, amigos, jornalistas e pessoas ligadas ao futebol em uma mobilização que ficou conhecida como “Salve Régis”. Entre os envolvidos estava Walter Casagrande, que ajudou a convencer o ex-jogador a aceitar tratamento.

Em abril de 2021, Régis foi levado involuntariamente para uma clínica de reabilitação em Jaboticabal, no interior paulista. A internação contou com o aval da família e teve apoio de Casagrande e de uma psicóloga ligada ao comentarista.

Tentativa de recuperação mobilizou amigos

O período de tratamento chegou a representar uma rara esperança de mudança. Em junho daquele ano, a ESPN acompanhou a rotina de Régis dentro da clínica. A reportagem contou que ele havia ganhado peso, estava mais lúcido e participava de partidas de futebol no local.

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O empresário José de Anchieta, que conhecia Régis desde os tempos de Ponte Preta, também participou da tentativa de recuperação e se comprometeu a custear os seis primeiros meses de internação. "Chamei ele ali na sala e conversamos bastante. Disse pra ele que essa é uma chance de ouro pra ele resgatar a vida e a dignidade", afirmou Anchieta à ESPN.

O especial “Salvem o Craque, Salvem do Crack”, exibido pela ESPN em maio de 2021, tornou pública aquela tentativa de resgate e mostrou a mobilização feita em torno do ex-jogador. A recuperação, entretanto, não se sustentou.

A recaída e o retorno para a rua

De acordo com o ge, Régis foi novamente internado para reabilitação em 2022. Menos de um mês depois de deixar a instituição, sofreu uma recaída. A partir daí, sua vida voltou a ser marcada por altos e baixos, com períodos em que conseguia jogar futebol de várzea e obter algum dinheiro e outros em que a dependência voltava a dominar sua rotina.

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A situação chegou a um novo ponto crítico em 2025. Em março daquele ano, Régis foi preso em São Paulo depois de agredir o sub-síndico do prédio onde morava. Imagens de segurança registraram a agressão no elevador. Segundo o ge, a vítima, de 69 anos, perdeu três dentes. Meses depois, em julho, Régis voltou a ser preso por descumprimento de medidas judiciais. Entre elas estava o uso de tornozeleira eletrônica. Hoje, a situação é ainda mais precária.

Como vive Régis Pitbull atualmente?

Segundo o ge, Régis está há aproximadamente dois meses vivendo em uma praça de Pirituba. O abrigo improvisado é formado por lonas, cobertores e papelões, cercado por entulho e lixo.

A rotina é marcada pela vulnerabilidade. Ele recebe alimentos doados por um restaurante próximo, onde também utiliza o banheiro e carrega o celular. Uma bicicleta, guardada em um posto de gasolina, tornou-se um dos poucos objetos que preserva de sua antiga rotina.

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Na entrevista ao ge, Régis não escondeu que continua consumindo drogas. Na noite anterior ao encontro com o jornalista, afirmou ter usado uma mistura que chamou de “flor com ice”. Uma funcionária do restaurante relatou que são raros os dias em que ele permanece sóbrio.

Apesar da situação, ele rejeita propostas de internação ou de voltar a morar com conhecidos. Régis afirma que precisa de um emprego para reorganizar a própria vida. É uma postura que familiares e amigos apontam como um dos principais obstáculos para uma nova tentativa de recuperação, segundo o ge. A reportagem conversou com pessoas próximas ao ex-jogador, mas ninguém quis dar entrevista sobre o assunto.

Da lembrança de um craque à luta pela própria sobrevivência

Aos 49 anos, Régis tem dois filhos, irmãos e o pai vivos. A mãe morreu anos atrás sem ver o filho superar a dependência química, segundo o ge. No próximo dia 22 de setembro, ele completará 50 anos.

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Mesmo diante da situação em que se encontra, Régis diz esperar reunir amigos para comemorar a data. Por enquanto, porém, sua própria fala resume a dimensão do abismo entre o passado e o presente. "Não quero que ninguém saiba que eu existo. Se acharem que estou morto, é melhor. Não sou um coitadinho", declarou ao ge.

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