Veterana das novelas, já esteve em cerca de 50, Rosamaria Murtinho completa 94 anos neste sábado (24). Premiada com troféus como o da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e Kikito, do Festival de Cinema de Gramado (RS), a atriz e mulher de Mauro Mendonça já foi vista nas primeiras versões de "Sangue do Meu Sangue" (1969), "Pecado Capital" (1975) e "Pantanal" (1990) e nos remakes de "As Pupilas do Sr. Reitor" (1994) e "O Astro" (2011) e "Guerra dos Sexos" (2012).
Mãe de três filhos, todos da relação com Mauro, seu par desde o fim dos anos 1950, Rosamaria seria a intérprete da Marilda em "Roque Santeiro", contudo a história de 1975 acabaria censurada no dia da estreia. Quando foi liberada, dez anos depois, a obra teve Elizângela (1954-2023) no papel da ciumenta mulher do conquistador Roberto Mathias (Fábio Jr.).
Com passagens pela Globo, Record e SBT - onde esteve na pouquíssimo lembrada "Jogo do Amor" (1985) -, além ds extintas Tupi, Manchete e Excelsior, a artista não escondeu a insatisfação com os rumos de sua personagem em "Corpo Dourado" (1998), última novela da carreira de Gerson Brenner (1959-2026).
"Tenho a impressão de que não sou mais necessária na trama", disparou Rosamaria. Entenda abaixo o motivo da queixa da veterana.
Naquela história de Antonio Calmon exibida de janeiro a agosto de 1998, Rosamaria foi a generosa Isabel, mulher de Zé Paulo (Lima Duarte) - assassinado logo no capítulo de estreia - e mãe de quatro filhos: Laís (Mara Carvalho), Arturzinho (Marcos Winter) - a quem apoia no casamento com Selena (Cristiana Oliveira) -, Guto (Marcelo Faria) e Judy (Giovanna Antonelli).
Inicialmente, a personagem levantaria uma questão de saúde mental crônica e grave que afeta 1% da população ao redor do mundo, sendo mais comum na fase final da adolescência e no começo da idade adulta, de acordo com o Hospital Albert Einstein.
"Com a saída do Lima Duarte, tudo mudou. Estava me preparando para pôr os pés na esquizofrenia. Mas, de uma hora para outra, arranjaram um casamento, às escondidas dos filhos, para a Isabel", reprovou. "Tenho a impressão de que não sou mais necessária na trama. Eu chego no estúdio e as cenas que faço são apenas para dar recados", disparou ao jornal "O Globo" de 12 de maio.
Em algumas cenas, Isabel acreditava que o marido não havia sido assassinado e era vista falando e dançando sozinha na rua. Isso levou a mãe de quatro filhos a ser encaminhada por um deles para o psiquiatra. Na vida real, Lima Duarte apoiou a insatisfação da colega de elenco.
"Acho que a Isabel murchou. É uma pena", contou o artista, que aceitara o convite de Paulo Ubiratan (1947-1998), então diretor da Globo. E o artista admitiu não gostar da novela, que já havia passado por outras mudanças em cinco meses no ar. "Não assisto. Não tem nada a ver com a minha carreira nem comigo. É uma história que se passa numa praia, cheia de garotinhas e garotões. Não gosto de 'Corpo Dourado'", afirmou.