'Sally Rooney é uma escritora, não uma terrorista': Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones, da série 'Pessoas Normais', da Prime Video, e mais 158 famosos defendem autora best-seller após editora retirar livros tirados de circulação por questão política
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 21:54
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Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
'Sally Rooney é uma escritora, não uma terrorista': Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones, de 'Pessoas Normais', lideram apoio de famosos à autora após livros serem retirados de circulação no Reino Unido
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Uma carta aberta assinada por atores, escritores e músicos, incluindo estrelas de Hollywood, saiu em defesa da escritora irlandesa Sally Rooney após a decisão de uma editora britânica de interromper a distribuição de seus livros no Reino Unido. O motivo é o apoio público da autora ao grupo pró-Palestina Palestine Action, classificado como organização terrorista pelas autoridades britânicas. Entre os signatários estão Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones, protagonistas da série 'Pessoas Normais', da Prime Video.

Divulgado nesta quarta-feira (21), o documento foi publicado na revista The New Statesman e reúne nomes conhecidos do entretenimento, como Tilda Swinton, Susan Sarandon, Jessie Buckley, Alison Oliver, Jonathan Glazer, Zadie Smith e Kate Nash, além do grupo musical Kneecap. Segundo informações publicadas pela Veja e pela Rolling Stone Brasil, a manifestação critica a retirada das obras das prateleiras e questiona os efeitos da legislação antiterrorista sobre a liberdade de expressão.

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O que os famosos disseram em defesa da autora?

A carta aberta traz uma declaração direta sobre a situação da escritora: “Sally Rooney é uma escritora, não uma terrorista. Seus livros devem estar disponíveis ao público.”

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Os signatários também classificam a retirada das publicações como uma afronta à liberdade de expressão. No texto divulgado pela The New Statesman, eles criticam a aplicação de uma legislação antiterrorista que consideram inadequada e excessivamente rigorosa.

“Rejeitamos categoricamente a censura, seja ela direta ou indireta, e instamos o governo a mudar de rumo, alterando a legislação que nos levou a este ponto de absurdo repressivo”, afirma outro trecho do comunicado.

A iniciativa reúne mais de 150 apoiadores, entre profissionais da cultura e do entretenimento, que pedem uma mudança de postura do governo britânico. A participação de Paul Mescal e Daisy Edgar-Jones, conhecidos por interpretarem o casal principal da adaptação de 'Pessoas Normais', também colocou o caso em evidência entre os fãs da produção.

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© Getty Images, Erik Voake
Por que os livros de Sally Rooney foram retirados das prateleiras?

A controvérsia envolve o apoio público de Sally Rooney ao Palestine Action, grupo de ação direta que atua em defesa da causa palestina. De acordo com a Rolling Stone Brasil, as autoridades do Reino Unido classificaram o movimento como organização terrorista em 2025, após episódios de vandalismo em uma base da força aérea.

A proibição da atuação do grupo foi mantida após uma longa batalha judicial. Nesse contexto, a filiação pública, o apoio ou a arrecadação de recursos financeiros para a organização podem resultar em punições de até 14 anos de prisão, conforme as informações publicadas pela revista.

Na semana anterior à divulgação da carta, a editora britânica Faber, responsável pela publicação dos livros de Rooney, anunciou que não poderia continuar distribuindo suas obras no país. A decisão está relacionada à posição política da escritora e às restrições impostas pela legislação britânica.

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Segundo a Rolling Stone Brasil, a autora informou, em comunicado recente ao jornal The Guardian, que a editora não poderia mais distribuir seu trabalho no Reino Unido. Ela também esclareceu que a decisão foi tomada com seu consentimento.

© Getty Images, Leon Neal
O que Sally Rooney já havia declarado sobre o assunto?

A escritora já havia se manifestado publicamente sobre o tema. No ano passado, em um artigo de opinião publicado no Irish Times, Sally Rooney afirmou que continuaria destinando os lucros de seus livros ao Palestine Action.

Na ocasião, a autora criticou a classificação do grupo como organização terrorista e questionou a equiparação de atos de vandalismo, manifestações públicas e perturbações em bases aos crimes de guerra cometidos pela organização terrorista Al-Qaeda. Ela também interpretou a medida como uma tentativa do governo britânico de controlar a liberdade de expressão política.

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Em declarações reproduzidas pela Rolling Stone Brasil, Rooney afirmou: “Fiz todo o possível para ser honesta com o público sobre minhas crenças e intenções”. Em seguida, acrescentou: “E estou totalmente preparada para aceitar as consequências”.

© Getty Images, Erik Voake
Qual é o debate por trás da mobilização de artistas?

O caso colocou em evidência o conflito entre a aplicação das leis antiterroristas no Reino Unido e as preocupações de artistas e escritores com a liberdade de expressão. Enquanto as autoridades britânicas mantêm a classificação do Palestine Action como organização terrorista, os signatários da carta questionam os efeitos dessa decisão sobre a circulação de obras literárias.

A manifestação também destaca o impacto que medidas políticas e legais podem ter sobre a publicação e a distribuição de livros. Para os artistas que assinaram o documento, a retirada das obras de Sally Rooney representa um problema que vai além da situação individual da escritora.

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Com a participação de nomes como Paul Mescal, Daisy Edgar-Jones, Tilda Swinton e Susan Sarandon, a carta aberta transforma a controvérsia em uma discussão pública sobre os limites da censura, a legislação antiterrorista e o direito de autores expressarem suas posições políticas.

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