Deixar um fio de cabelo em um copo d’água mudou completamente a maneira como lavo o cabelo (e me fez economizar dinheiro)
Publicado em 20 de julho de 2026 às 12:01
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Descobri que o mais importante não é saber se o cabelo é oleoso ou seco, mas entender qual é a porosidade da fibra capilar
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Passei a vida inteira achando que conhecia o meu cabelo. Ele era oleoso, ponto final. Por isso, minha rotina consistia simplesmente em comprar produtos específicos para cabelos oleosos.

O problema é que, embora essas linhas parecessem promissoras nas primeiras lavagens, pouco tempo depois meu cabelo voltava a ficar limpo por apenas um dia. Além disso, perdia o brilho a cada banho e passava a ter um aspecto áspero e sem vida. 

Eu estava presa em um ciclo de comprar, testar, me decepcionar e voltar a comprar outro produto.

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Esta é a história de como consegui romper esse ciclo e descobrir quais ingredientes eram os maiores inimigos do meu cabelo, quais ele realmente precisava e em quais dias cada produto deveria ser usado dentro de um cronograma capilar.

De cabelo oleoso a cabelo de baixa porosidade

Descobri que vivi enganada durante muito tempo. Afinal, não existem apenas três tipos de cabelo — oleoso, seco e danificado por tinturas ou ferramentas de calor.

Tudo mudou no dia em que encontrei, no TikTok, o teste do copo com água para descobrir a porosidade do cabelo. Resolvi experimentar porque, no fim das contas, tudo o que era necessário era um copo com água e um fio de cabelo limpo.

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Esse pequeno experimento abriu as portas para um universo em que duas pessoas com o couro cabeludo igualmente oleoso podem precisar de produtos completamente diferentes. Isso porque o problema não está na oleosidade em si, mas na capacidade da fibra capilar de absorver e reter hidratação.

Também não posso afirmar que esse teste seja uma verdade absoluta ou uma prova científica infalível. Eu o usei apenas como um ponto de partida para entender melhor o meu cabelo, que acabou se revelando de baixa porosidade.

E, sinceramente, tudo passou a fazer sentido. Para mim, foi um divisor de águas. Meu cabelo não só ficou muito mais saudável, como também permanece limpo por mais tempo. Além disso, hoje gasto bem menos dinheiro com xampus e máscaras capilares simplesmente porque sei exatamente o que procurar — e também o que deixar na prateleira.

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Como fazer o teste do copo com água

Antes de tudo, o cabelo precisa estar completamente limpo. Isso significa sem resíduos de óleos, séruns, máscaras ou silicones. O ideal é utilizar um fio que tenha caído naturalmente depois de lavar o cabelo apenas com xampu.

Encha um copo com água em temperatura ambiente e coloque o fio delicadamente dentro dele, sem empurrá-lo com o dedo. Basta soltá-lo na água e esperar alguns minutos.

Depois, observe em que posição o fio ficou.

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Se ele continuar boiando na superfície, seu cabelo tem baixa porosidade. Se permanecer aproximadamente no meio do copo, a porosidade é considerada média. Já se afundar até o fundo, trata-se de um cabelo de alta porosidade.

A explicação é bastante simples: quando as cutículas do cabelo estão muito fechadas, quase não permitem a entrada de água. Já quando estão muito abertas, absorvem água com facilidade. Como o fio fica mais pesado, acaba afundando.

Vale reforçar, porém, que esse teste serve apenas como referência. Ele não substitui a avaliação de um profissional e nem sempre descreve com precisão as características do cabelo. Ainda assim, como ponto de partida para escolher melhor os produtos nos quais vale a pena investir, ele pode ser surpreendentemente útil.

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Os primeiros passos (sem desespero)

Até aqui, tudo parece bastante simples. Mas, depois de descobrir a porosidade do seu cabelo, começa a parte mais desafiadora do processo: entender quais ingredientes funcionam a seu favor e quais devem ser evitados a todo custo.

É praticamente inevitável mergulhar nesse universo e passar horas pesquisando, aprendendo e lendo — muitas e muitas — listas de ingredientes.

O mais importante é não confiar apenas no marketing das embalagens. Reserve um tempo para analisar a composição completa dos produtos (o famoso INCI), porque é muito fácil acabar comprando uma fórmula com um óleo pesado demais para a porosidade do seu cabelo ou com proteínas de que ele nem precisa.

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Por isso, vá com calma. Essa é uma fase de tentativa e erro, na qual será preciso encontrar cerca de cinco produtos que realmente funcionem para você — normalmente dois xampus e três máscaras — enquanto uma avalanche de novas informações tenta se organizar na sua cabeça.

No meu caso, levei algumas semanas para montar meu kit inicial para cabelos de baixa porosidade. (Spoiler: mesmo assim, acabei comprando uma máscara com proteína e outra cuja textura não funcionou tão bem.)

Por isso, também recomendo começar com produtos mais acessíveis. Afinal, ainda estamos aprendendo e é muito provável que alguns erros aconteçam, mesmo depois de analisar o INCI dez vezes.

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Dito isso, a seguir deixo um guia básico para ajudar você a começar a entender o que faz sentido para o seu cabelo, seja qual for a porosidade.

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Baixa porosidade: uma barreira quase impenetrável

Nesse tipo de cabelo, as cutículas ficam tão fechadas e compactadas que formam uma barreira quase impermeável. Tanto a água quanto os produtos capilares têm dificuldade para penetrar na fibra e, quando conseguem, costumam permanecer por muito tempo na superfície.

É por isso que esse tipo de cabelo demora tanto para molhar quanto para secar e tende a acumular resíduos de produtos com facilidade.

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Ingredientes aliados: aposte em umectantes leves, como glicerina, aloe vera, mel e ácido hialurônico. Também vale investir em óleos de moléculas menores, que conseguem penetrar mais facilmente entre as cutículas, como óleo de argan, óleo de amêndoas-doces e óleo de jojoba.

Ingredientes que devem ser evitados: manteigas muito pesadas, como a de karité, e óleos densos, como o de coco, já que tendem a permanecer na superfície dos fios, deixando-os pesados e com aspecto oleoso. Também é recomendável reduzir ao máximo o uso de proteínas, como queratina e colágeno, pois elas podem saturar rapidamente a fibra capilar.

Produtos mais indicados: fórmulas à base de água, texturas em gel, leave-ins mais líquidos e um xampu antirresíduos ou de limpeza profunda para ser usado ocasionalmente, evitando o acúmulo de resíduos. 

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Outra dica é aplicar a máscara capilar com água morna nos fios — ou até usar uma toalha aquecida antes do tratamento — para ajudar a abrir levemente as cutículas e facilitar a absorção dos ativos.

Média porosidade: o equilíbrio ideal

Existe um ditado que diz que a virtude está no equilíbrio — e ele também vale para os cabelos.

A porosidade média é considerada a situação ideal. As cutículas são equilibradas: abertas o suficiente para permitir a entrada da hidratação, mas fechadas na medida certa para retê-la.

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É um tipo de cabelo que costuma responder muito bem às mudanças na rotina de cuidados e mantém o penteado por mais tempo. Ainda assim, isso não significa que ele dispense cuidados.

Ingredientes aliados: praticamente toda a variedade de ativos cosméticos costuma funcionar bem. O ideal é manter um equilíbrio entre hidratação, com extratos botânicos, e nutrição moderada, utilizando ingredientes como óleo de oliva, óleo de abacate e manteigas vegetais mais leves.

Ingredientes que devem ser evitados: o maior risco aqui é exagerar nos cuidados. Evite o excesso de silicones insolúveis, como a dimeticona — especialmente se você não usa um xampu capaz de removê-los adequadamente — para não comprometer o equilíbrio natural dos fios. Também é importante evitar sulfatos muito agressivos, que podem ressecar o cabelo e aumentar sua porosidade.

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Produtos mais indicados: máscaras equilibrantes e condicionantes, além de cremes para pentear com textura leve ou líquida. Em geral, esse tipo de cabelo precisa apenas de manutenção e dos cuidados habituais.

Alta porosidade: uma esponja que perde tudo

A alta porosidade é bastante comum em cabelos cacheados e crespos, mas também costuma surgir após procedimentos químicos, como descoloração e coloração, ou devido ao uso frequente de ferramentas de calor.

Nesse caso, as cutículas estão abertas, levantadas e danificadas. A água entra rapidamente na fibra, mas também evapora com a mesma facilidade. Como consequência, o cabelo tende a apresentar frizz, toque áspero e secagem muito rápida.

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Ingredientes aliados: fios com alta porosidade precisam de ingredientes que ajudem a reconstruir a estrutura capilar e a selar as cutículas. As proteínas hidrolisadas — como as de trigo, seda e queratina — são grandes aliadas, pois ajudam a preencher as áreas danificadas da fibra. 

Também são recomendadas manteigas mais nutritivas, como karité e murumuru, além de óleos mais densos, como coco, rícino e macadâmia, que funcionam como uma barreira protetora.

Ingredientes que devem ser evitados: álcoois de ação secante, como Isopropyl Alcohol e Alcohol Denat., muito comuns em sprays fixadores, pois desidratam rapidamente os fios. Também é aconselhável evitar xampus com sulfatos.

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Produtos mais indicados: tratamentos reconstrutores à base de proteínas, máscaras altamente nutritivas, condicionadores sem enxágue mais encorpados e óleos finalizadores para selar as pontas.

Colocando em prática: o cronograma capilar

Agora que já entendemos a teoria, é hora de colocá-la em prática.

Para seguir esse método, é preciso adotar um calendário de lavagem no qual, em vez de utilizar sempre os mesmos produtos, eles são alternados de acordo com as necessidades dos fios.

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Essa rotina organizada, geralmente distribuída ao longo de quatro semanas e baseada na alternância das máscaras capilares, é conhecida como cronograma capilar. Seu objetivo é atender às três necessidades fundamentais de qualquer fibra capilar: hidratação, nutrição e reconstrução.

Além disso, nos dias destinados à limpeza profunda (ou detox), o ideal é substituir o xampu habitual por um xampu antirresíduos ou de limpeza profunda, capaz de remover o acúmulo de resíduos deixados pelos produtos ao longo do tempo.

A frequência de cada etapa, no entanto, varia de acordo com a porosidade do cabelo.

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De forma geral, cabelos de alta porosidade precisam de mais sessões de reconstrução, especialmente no início do tratamento. Já os fios de baixa e média porosidade costumam manter um equilíbrio maior entre hidratação e nutrição, deixando a reconstrução para ocasiões mais pontuais.

Também vale lembrar que a porosidade não é uma característica imutável. Ela pode mudar ao longo do tempo em consequência de tratamentos químicos, danos causados pelo calor, agressões externas ou até mesmo conforme a saúde dos fios melhora.

Por isso, vale a pena repetir o teste do copo com água de tempos em tempos para verificar se as necessidades do cabelo continuam as mesmas.

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