Você interrompe uma tarefa cansativa, pega o celular e passa alguns minutos olhando mensagens. Ao voltar, percebe que continua sem disposição.
A cena ajuda a pensar em uma diferença importante: mudar de atividade nem sempre significa descansar.
Em entrevista ao La Vanguardia, a psiquiatra Pilar de Castro, professora do IESE, escola de negócios da Universidade de Navarra, recomenda reservar momentos de recuperação durante o expediente:
“Depois de trabalhar por 60 ou 90 minutos, você precisa parar, respirar, levantar e caminhar um pouco ou conversar com um colega."
A ciência oferece apoio à ideia de interromper o esforço por alguns minutos.
Uma revisão com meta-análise publicada na PLOS ONE, em 2022, reuniu 22 estudos e encontrou pequenos benefícios das pausas de até dez minutos para reduzir a fadiga e aumentar a disposição.
Não houve, porém, melhora significativa no desempenho geral. Isso indica que as pausas podem ajudar a aliviar o cansaço, embora essa análise não tenha identificado um benefício claro para a produtividade.
Em um experimento com 414 participantes, publicado em 2019 no Journal of Behavioral Addictions, realizar uma atividade de compras hipotéticas no celular durante o intervalo foi menos favorável à recuperação do desempenho na resolução de anagramas do que fazer a mesma atividade no papel ou no computador.
O resultado sugere que recorrer ao celular pode manter a mente ocupada justamente quando a intenção é descansar. Mesmo fora da tarefa principal, continuamos processando informações e fazendo escolhas, o que pode limitar a recuperação antes de retomar o trabalho.
Isso não significa que toda atividade em tela prejudique o descanso, mas serve como um alerta: nem toda distração ajuda, de fato, a “recarregar as baterias”.
Na prática, a proposta da psiquiatra pode ser incorporada com atitudes simples: levantar para buscar água, caminhar por alguns minutos, respirar com calma ou conversar com um colega sobre algo além das demandas profissionais.
A ideia é interromper por um momento as exigências da tarefa e dar espaço a uma mudança de ritmo.
Para quem costuma emendar uma atividade na outra, programar um lembrete pode ajudar a reservar esse tempo.
Também vale observar os próprios sinais de cansaço, como reler várias vezes o mesmo trecho ou sentir dificuldade para acompanhar o que está fazendo.
O intervalo não precisa virar mais uma obrigação na agenda. Pode ser apenas uma oportunidade de perceber como você está, movimentar o corpo e se afastar brevemente das cobranças antes de continuar.