A mesa de trabalho pode dizer muito sobre o estado mental de uma pessoa. Em períodos de maior estresse e ansiedade, por exemplo, é comum que ela fique mais desorganizada.
Segundo especialistas em psicologia, existem diversos motivos para manter esse espaço bagunçado, e nem todos são necessariamente negativos.
A desordem, por exemplo, pode ser sinônimo de criatividade ou um sinal de falta de disciplina. No entanto, se você se incomoda ao ver a casa bagunçada, talvez seu cérebro esteja tentando reduzir o estresse ou o cansaço mental.
Para algumas pessoas, ver as prateleiras desorganizadas, as almofadas fora do lugar, a louça na pia ou as cadeiras afastadas da mesa não provoca apenas incômodo.
Segundo especialistas, essa reação também pode ser um sinal de que o cérebro está tentando reduzir o cansaço mental. Ele precisa de menos estímulos e, por isso, a desordem gera ansiedade.
A neurociência já demonstrou que diferentes estímulos apresentados simultaneamente competem por representação neural.
Pesquisadores associados à Universidade de Princeton estudaram essa competição entre estímulos visuais por meio de experimentos de neuroimagem, e os resultados reforçam a existência de uma capacidade visual limitada e de uma disputa pela atenção.
Isso significa que, em um ambiente desorganizado e com mais objetos à vista, nosso cérebro tem “mais trabalho”. Além disso, algumas pessoas apresentam maior sensibilidade visual e são mais afetadas pelo ruído visual provocado pelas coisas fora do lugar.
Em entrevista à revista Forbes, Natalie Christine Dattilo, psicóloga clínica e professora da Faculdade de Medicina de Harvard, explicou:
“O estado de nosso espaço físico pode ser um reflexo de nosso estado mental. Assim, quando olhamos ao redor e vemos nosso ambiente físico desorganizado, abarrotado e caótico, também podemos começar a nos sentir desorganizados e confusos por dentro.”
Na mesma publicação, Joanne Broder, psicóloga e integrante da Associação Americana de Psicologia, acrescentou:
“A desordem tende a criar uma carga pesada que nos oprime.”
Um dos estudos que confirmam a relação entre a organização e seus efeitos sobre a saúde mental indica que a desordem pode reduzir a sensação de felicidade, bem-estar e segurança.
Além disso, um ambiente bagunçado dificulta que as redes neurais se concentrem em uma tarefa específica, obriga o cérebro a dividir a atenção e afeta nossa capacidade de concentração.
Nosso cérebro também pode interpretar a desordem como uma ameaça, desencadeando uma resposta de bloqueio que faz com que até mesmo as tarefas mais simples pareçam impossíveis.
Pesquisas sugerem que a bagunça aumenta os níveis de cortisol, enquanto a limpeza está associada a uma percepção mais positiva da própria saúde.
Outros estudos descobriram que estar cercado por muitos objetos desnecessários contribui para a procrastinação e reduz a satisfação com a vida.
Não é necessariamente porque essas pessoas são perfeccionistas que a desordem as incomoda. Talvez seu cérebro simplesmente não consiga processá-la da mesma maneira que o de outras pessoas.