Houve uma época em que bastava sair para caminhar, fazer uma aula de aeróbica ou subir na esteira da academia para cumprir a meta diária de exercícios.
No entanto, depois dos 50 anos, o corpo começa a mudar e passa a exigir outros cuidados. A perda de massa muscular se acelera, o metabolismo se transforma e preservar a força deixa de ser apenas uma questão de condicionamento físico para se tornar um investimento direto em saúde e qualidade de vida.
Por isso, cada vez mais profissionais de educação física reforçam a mesma mensagem: não basta apenas se movimentar, é preciso treinar com propósito, sabendo exatamente o que se está fazendo.
A maioria das pessoas só passa a se preocupar com a musculatura quando percebe que está mais difícil subir escadas, levantar do sofá ou carregar as sacolas do mercado. Mas a realidade é que a perda muscular acontece há anos, de forma silenciosa.
A sarcopenia — perda gradual de massa muscular — "não dói, não avisa. Simplesmente chega um dia em que fica mais difícil levantar do sofá, subir escadas exige mais esforço e o equilíbrio já não é o mesmo", explica Carmelo Jorge, treinador da Peach Sport. "Então as pessoas atribuem isso à idade, quando, na verdade, é algo que pode ser retardado", acrescenta.
A partir dos 40 anos, a massa muscular começa a diminuir progressivamente, e esse processo se acelera com o envelhecimento quando não há estímulos suficientes.
Preservar a musculatura é uma das melhores estratégias para manter o equilíbrio, proteger ossos e articulações, melhorar o metabolismo e reduzir o risco de quedas.
Não por acaso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda combinar exercícios aeróbicos com treinamento de força pelo menos duas vezes por semana.
"É a musculatura que permite que você se abaixe para pegar o neto no colo, levante de uma cadeira sem apoiar os braços ou suba um lance de escadas. Se você a perde, perde autonomia. É simples assim", afirma o especialista.
A boa notícia é que nunca é tarde para começar. Os músculos respondem ao treinamento praticamente em qualquer idade, desde que recebam os estímulos adequados.
Durante muitos anos, acreditamos que atingir a marca de 10 mil passos diários era o caminho definitivo para uma boa saúde. O que pouca gente sabe é que esse número surgiu na década de 1960 como parte de uma campanha publicitária japonesa para promover um pedômetro — e não de uma pesquisa científica.
Para esclarecer essa questão, o cardiologista José Abellán comentou o tema em um de seus vídeos nas redes sociais, com base em um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology.
Um dos resultados mais relevantes mostrou que o risco de morte por qualquer causa começa a diminuir a partir de cerca de 8.700 passos por dia, número que coloca em xeque o famoso objetivo dos 10 mil passos.
Isso não significa que caminhar deixe de ser benéfico. Muito pelo contrário. Segundo a OMS, caminhar reduz o risco de doenças cardiovasculares, ajuda no controle do peso, melhora o humor e contribui para um envelhecimento saudável.
O problema surge quando acreditamos que caminhar, sozinho, é suficiente.
"Não sou contra caminhar, muito pelo contrário. Mas sou contra transformar a caminhada na única medida de saúde depois dos 50 anos", ressalta o especialista.
Se fosse preciso resumir em um único exercício o que uma pessoa deveria fazer para se manter em forma após os 50 anos, provavelmente a resposta seria o agachamento, segundo o treinador Carmelo Jorge.
Embora pareça um movimento simples, trata-se de um dos exercícios mais completos e funcionais que existem. Sempre que nos sentamos, levantamos da cadeira, pegamos algo no chão ou brincamos com os netos, estamos, na prática, realizando um movimento semelhante ao agachamento.
Por isso, o treinador não tem dúvidas: "Depois dos 50 anos, um agachamento bem executado vale mais do que 10 mil passos feitos sem critério."
E faz sentido. Quando executado corretamente, o agachamento ativa glúteos, quadríceps, posteriores de coxa, abdômen e toda a musculatura estabilizadora.
Em outras palavras, trabalha boa parte do corpo em um único movimento, ao mesmo tempo em que melhora força, mobilidade, coordenação e equilíbrio.