Carmelo Jorge, treinador espanhol: 'A partir dos 50 anos, um agachamento bem feito vale mais do que 10.000 passos sem controle'
Publicado em 29 de julho de 2026 às 11:07
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Durante anos, acreditamos que dar 10 mil passos por dia era o ideal. Mas, depois dos 50, as regras mudam e o corpo passa a precisar de outros estímulos
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Houve uma época em que bastava sair para caminhar, fazer uma aula de aeróbica ou subir na esteira da academia para cumprir a meta diária de exercícios.

No entanto, depois dos 50 anos, o corpo começa a mudar e passa a exigir outros cuidados. A perda de massa muscular se acelera, o metabolismo se transforma e preservar a força deixa de ser apenas uma questão de condicionamento físico para se tornar um investimento direto em saúde e qualidade de vida.

Por isso, cada vez mais profissionais de educação física reforçam a mesma mensagem: não basta apenas se movimentar, é preciso treinar com propósito, sabendo exatamente o que se está fazendo.

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O músculo: o órgão do qual só nos lembramos quando começa a faltar

A maioria das pessoas só passa a se preocupar com a musculatura quando percebe que está mais difícil subir escadas, levantar do sofá ou carregar as sacolas do mercado. Mas a realidade é que a perda muscular acontece há anos, de forma silenciosa.

A sarcopenia — perda gradual de massa muscular — "não dói, não avisa. Simplesmente chega um dia em que fica mais difícil levantar do sofá, subir escadas exige mais esforço e o equilíbrio já não é o mesmo", explica Carmelo Jorge, treinador da Peach Sport. "Então as pessoas atribuem isso à idade, quando, na verdade, é algo que pode ser retardado", acrescenta.

A partir dos 40 anos, a massa muscular começa a diminuir progressivamente, e esse processo se acelera com o envelhecimento quando não há estímulos suficientes. 

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Preservar a musculatura é uma das melhores estratégias para manter o equilíbrio, proteger ossos e articulações, melhorar o metabolismo e reduzir o risco de quedas.

Não por acaso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda combinar exercícios aeróbicos com treinamento de força pelo menos duas vezes por semana.

"É a musculatura que permite que você se abaixe para pegar o neto no colo, levante de uma cadeira sem apoiar os braços ou suba um lance de escadas. Se você a perde, perde autonomia. É simples assim", afirma o especialista.

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A boa notícia é que nunca é tarde para começar. Os músculos respondem ao treinamento praticamente em qualquer idade, desde que recebam os estímulos adequados.

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O mito dos 10 mil passos por dia

Durante muitos anos, acreditamos que atingir a marca de 10 mil passos diários era o caminho definitivo para uma boa saúde. O que pouca gente sabe é que esse número surgiu na década de 1960 como parte de uma campanha publicitária japonesa para promover um pedômetro — e não de uma pesquisa científica.

Para esclarecer essa questão, o cardiologista José Abellán comentou o tema em um de seus vídeos nas redes sociais, com base em um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology.

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Um dos resultados mais relevantes mostrou que o risco de morte por qualquer causa começa a diminuir a partir de cerca de 8.700 passos por dia, número que coloca em xeque o famoso objetivo dos 10 mil passos.

Isso não significa que caminhar deixe de ser benéfico. Muito pelo contrário. Segundo a OMS, caminhar reduz o risco de doenças cardiovasculares, ajuda no controle do peso, melhora o humor e contribui para um envelhecimento saudável.

O problema surge quando acreditamos que caminhar, sozinho, é suficiente.

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"Não sou contra caminhar, muito pelo contrário. Mas sou contra transformar a caminhada na única medida de saúde depois dos 50 anos", ressalta o especialista.

Por que o agachamento é um dos melhores exercícios depois dos 50

Se fosse preciso resumir em um único exercício o que uma pessoa deveria fazer para se manter em forma após os 50 anos, provavelmente a resposta seria o agachamento, segundo o treinador Carmelo Jorge.

Embora pareça um movimento simples, trata-se de um dos exercícios mais completos e funcionais que existem. Sempre que nos sentamos, levantamos da cadeira, pegamos algo no chão ou brincamos com os netos, estamos, na prática, realizando um movimento semelhante ao agachamento.

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Por isso, o treinador não tem dúvidas: "Depois dos 50 anos, um agachamento bem executado vale mais do que 10 mil passos feitos sem critério."

E faz sentido. Quando executado corretamente, o agachamento ativa glúteos, quadríceps, posteriores de coxa, abdômen e toda a musculatura estabilizadora. 

Em outras palavras, trabalha boa parte do corpo em um único movimento, ao mesmo tempo em que melhora força, mobilidade, coordenação e equilíbrio.

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