Cristiane Dantas, mulher que processou Virgínia Fonseca e Zé Felipe por gordofobia, quebrou o silêncio após o ex-casal ganhar vitória na ação judicial. O caso foi definitivamente arquivado no último dia 18. Em uma carta divulgada pela colunista Fábia Oliveira, do portal Metrópoles, ela desabafa sobre ser alvo de “ridicularização travestida de brincadeira”.
“Quando a dor de uma pessoa obesa vira entretenimento, não se trata de mero dissabor cotidiano — trata-se de dignidade. A Constituição Federal assegura a inviolabilidade da honra e da imagem e consagra a dignidade da pessoa humana como fundamento da República. A liberdade de expressão é essencial, mas não é absoluta”, frisou.
Cristiane ainda destacou os impactos da gordofobia. “A gordofobia não é exagero nem vitimismo. É uma forma de violência simbólica que marca, silencia e exclui. Minimizar esse sofrimento é perpetuar uma cultura que normaliza o constrangimento. Como futura advogada, sigo convicta de que respeito não é favor — é direito. E transformar dor em propósito também é uma forma de fazer justiça.”
Em 2021, Zé e os amigos foram vistos gargalhando de um vídeo de Cristiane, onde ela, que sofre de obesidade mórbida, comentava a quantidade de pães que comia. O momento foi filmado e compartilhado por Virgínia em seu perfil no Instagram.
Cristiane alega que passou a ser alvo de ataques após a veiculação de vídeo e diz que sua imagem foi utilizada de forma indevida, além de acusá-los de praticar gordofobia. Ela pediu R$ 600 mil de indenização por danos morais e materiais.
Segundo a colunista, a sentença saiu no dia 11 de janeiro e deu a vitória a Virgínia e Zé, que ainda se enfrentam na Justiça por conta da divisão de bens. A juíza alegou que Cristiane tornou o vídeo público voluntariamente. Com isso, as imagens viralizaram e ela não poderia mais alegar uso indevido do material.
A magistrada também apontou que Zé e Virgínia não mencionaram o nome de Cristiane, tampouco fizeram comentários sobre características pessoais, limitando-se apenas a assistir ao vídeo. Além disso, a juíza pontuou que, de todos os envolvidos no registro, apenas o ex-casal foi processado, o que indicaria uma tentativa de obter uma condenação mais vantajosa financeiramente.