Você faz isso inconscientemente com seu filho, mas não deveria: você está prejudicando a inteligência emocional dele
Publicado em 29 de junho de 2026 às 22:30
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Segundo o neuropsicólogo infantil Álvaro Bilbao, algumas atitudes comuns dos pais podem acabar atrapalhando o desenvolvimento emocional das crianças
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Formado em Programação Neurolinguística e em Disciplina Positiva, o neuropsicólogo Álvaro Bilbao é palestrante, escritor e autor do livro "O cérebro da criança explicado aos pais". Especialista em criação consciente e também pai, Bilbao utiliza as redes sociais para compartilhar conteúdos voltados a pais que desejam educar os filhos de forma positiva. Em uma de suas publicações mais recentes, ele apresenta seis atitudes que destroem a confiança das crianças e que muitos adultos desconhecem.

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Não deixar que a criança passe por momentos difíceis

Podemos acreditar que o papel dos pais é evitar a qualquer custo que os filhos sofram, mas isso acaba sendo contraproducente.

A psicóloga Iria Reguera explica que todas as emoções são válidas e que o mais importante é aprender a administrá-las e saber o que fazer com elas. Se não permitirmos que as crianças vivenciem essas emoções, elas não aprenderão a lidar com elas.

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"Se toda vez que a criança se frustra tentamos ajudá-la imediatamente, ou toda vez que ela fica com raiva tentamos acalmá-la, estamos transmitindo duas mensagens: que ela não pode se sentir mal e que, como pais, acreditamos que ela não consegue lidar sozinha com essas emoções difíceis", explica Bilbao.

Com isso, o que fazemos é impedir que ela desenvolva resiliência e inteligência emocional.

Corrigir a criança na frente dos outros

É claro que, como adultos responsáveis pela educação das crianças, precisamos corrigir determinados comportamentos. No entanto, Bilbao afirma que é importante "ter cuidado e, se precisar corrigir ou ensinar alguma coisa, tentar fazer isso longe da atenção das outras pessoas".

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Segundo o especialista, quando corrigimos uma criança diante dos outros, "acabamos diminuindo seu senso de valor próprio e sua segurança".

A psicóloga Laura Ruiz Mitjana explicou ao portal Bebés y Más que, ao ser repreendida em público, a criança se sente mal e pode até sentir vergonha. Além disso, isso dificulta a construção de seu grupo de referência, favorece sentimentos de insegurança e prejudica sua autoestima.

© Getty Images, NurPhoto
Compará-la com outras crianças

Bilbao resume essa ideia em uma frase que vale a pena guardar:

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"Os seres humanos têm valor por si mesmos, e não em comparação com os outros."

Os especialistas da Psania alertam que o problema das comparações é que elas "não nos permitem valorizar aquilo que conquistamos ou aquilo que temos. Pelo contrário, fazem com que minimizemos nossos próprios sucessos, sendo prejudiciais para nós e para nossa autoestima".

Ou seja, isso afeta diretamente nossa percepção sobre nós mesmos. Em vez de comparar as crianças com outras, Bilbao recomenda ajudá-las a desenvolver uma relação mais saudável consigo mesmas, sem recorrer a comparações.

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Reconhecer apenas as conquistas

A Dra. Yasmine Liénard afirma que os estímulos positivos recebidos durante a infância, por meio dos elogios, são fundamentais para o desenvolvimento da confiança e da autoestima.

"O incentivo dos pais demonstra que eles estão atentos e felizes com as conquistas dos filhos", explica ela, acrescentando que "estimular o progresso de uma criança a motiva e a incentiva a fazer ainda melhor no futuro".

Isso significa que devemos elogiar apenas os resultados?

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Segundo Álvaro Bilbao, "seus filhos têm um valor muito maior do que suas conquistas".

É importante dizer que fizeram um desenho bonito, por exemplo, mas, segundo ele, "se você admira apenas os resultados, eles nunca enxergarão seu verdadeiro valor".

© Getty Images, Michael Reaves
O perigo de amar apenas pelos resultados

A pedagoga Eva Bach afirmou ao eldiario.es que "associar a autoestima apenas aos elogios e ao reforço positivo pode acabar gerando uma grande autoexigência nas crianças e uma dependência das conquistas e do reconhecimento externo".

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Em seu livro A beleza de sentir, Bach explica que a autoestima baseada nas conquistas acaba transmitindo a ideia de:

"Eu amo você pelo seu valor, pelo que faz e pelo que conquista."

Quando, na verdade, deveríamos transmitir a mensagem:

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"Você tem valor, mas eu não amo você por causa disso, nem pelo que conquista ou faz. Eu amo você porque você existe, por quem você é e, mesmo que frustre minhas expectativas, continuarei amando você."

Evitar conversas difíceis

Às vezes cometemos o erro de esconder situações complicadas ou evitar determinados assuntos por medo. Segundo a terapeuta infantil Kelsey Mora, "quando evitamos o desconfortável ou o desconhecido, ensinamos às crianças que esses assuntos não têm espaço dentro de casa".

Assim, quando elas precisarem enfrentar situações difíceis, talvez não se sintam seguras nem confiantes para conversar sobre isso. Conversas delicadas sobre sentimentos, sexualidade, responsabilidades ou limites ajudam as crianças a crescer porque permitem que tenham uma visão mais realista da vida.

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"Ser condescendente e evitar essas conversas não vai ajudá-las", afirma Bilbao, acrescentando que, embora devamos escolher bem nossas palavras, não devemos evitar conversas que possam contribuir para seu desenvolvimento.

© Getty Images, Shaun Botterill - FIFA
Dar responsabilidades emocionais em excesso

Se fosse preciso resumir esse ponto em uma única frase, seria esta, de Bilbao:

"Deixe seus filhos serem crianças e não coloque sobre eles responsabilidades que não lhes pertencem."

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Antes de assumir responsabilidades, as crianças precisam simplesmente viver sua infância. Nem mais, nem menos. Caso contrário, existe o risco de ocorrer a chamada parentificação, que, segundo especialistas da CSC, é "um padrão com graves consequências a curto, médio e longo prazo para o desenvolvimento emocional, psicológico e afetivo das crianças".

Isso não significa que elas não devam ter responsabilidades, mas sim que essas responsabilidades precisam ser compatíveis com sua idade.

A psicóloga infantil Noelia Sosa explicou ao portal Bebés y Más que "o segredo é incentivar a criança a ajudar em tarefas adequadas para sua idade, mas interrompê-la quando ela tentar assumir responsabilidades próprias dos adultos".

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