Sou fã do 'MasterChef Brasil' e acompanho, desde a primeira edição, exibida em 2014, todas as temporadas lançadas anualmente pela Band. Seja nas versões Profissionais ou Confeitaria, as extintas Kids e 60+, além das Celebridades, estive religiosamente em frente à TV em todas elas. Mas claro, a versão Amadores sempre será a melhor de todas.
A premissa de reunir cozinheiros amadores (embora não sejam assim tão leigos) para disputar um prêmio em dinheiro, diversos brindes, um curso gastronômico e um troféu icônico já fez dezenas de vencedores marcantes ao longo das últimas temporadas, até chegarmos à 13ª, a atual em exibição.
Sempre icônico, o 'MasterChef' já teve altos e baixos com suas edições. Mas a atual parece ser o estopim, pelo menos aos olhos do público, para a Band analisar como deverá seguir daqui para a frente. Afinal de contas, até que ponto a busca pelo entretenimento pode ser prejudicial para uma competição culinária?
Depois de uma edição passada histórica, com a vitória de Daniela e cozinheiros icônicos, como Glória e Leonela, o 'MasterChef Brasil 13' chegou com uma missão de seguir o legado e deixar o reality show à altura do que o público esperava... mas simplesmente não vingou e muito menos caiu no gosto dos fãs.
Seja pelas dinâmicas, o excesso de tretas na cozinha ou até mesmo o nível de seus competidores, a final entre Carla e Jéssica, que acontece nesta terça-feira (29), tende ser uma das menos entusiasmantes dos últimos anos. E aqui vale a ressalva que a culpa não é das cozinheiras, já que, de fato, ambas se destacaram ao longo da temporada comparadas ao restante do elenco.
Mas, se vale o olhar como telespectador, jornalístico e crítico, separei 5 pontos que explicam a derrocada do 'MasterChef Brasil 13' em relação às demais temporadas, e que não podem se repetir nas próximas. Vem comigo!
Logo no primeiro episódio, o 'MasterChef 13' já mostrava a que viria. Os participantes ingressaram na cozinha mais desejada do Brasil em clima de Copa do Mundo, divididos em quatro times de cores diferentes e com um método de seleção meio confuso por modelo de pontos. E essa foi só a ponta do iceberg...
À medida em que a competição avançou, mais e mais provas em grupo vieram para definir os eliminados semanais, até o ponto em que se tornou extremamente cansativo. Quando assistimos a um reality culinário, gostamos de nos apegar a aos participantes e torcemos para que eles brilhem sozinhos, o que aqui foi cada vez mais difícil - especialmente nas primeiras semanas, antes das decisivas.
Se a ideia era 'semear o caos' entre os participantes, as provas em grupo serviram perfeitamente para isso. Mas, para o público, faltou a oportunidade de vermos mais rostos mostrando suas habilidades isoladamente... afinal, 'MasterChef' não é gincana e só um vence.
Esse é, na minha opinião, o maior problema do 'MasterChef' hoje. Se na edição passada os conflitos surgiram de forma natural, na versão Amadores de 2026 ele foi criado a todo custo, tanto com a ajuda dos jurados quanto nas dinâmicas impostas pela produção. Tudo foi criado para que a cozinha estivesse a todo momento com faíscas.
No meio disso tudo, até a escalação colaborou para o caos entre as diferentes personalidades fortes que passaram pela cozinha. Desde a finalista Carla até o expansivo Everaldo, o ácido Patric, os destemidos Rodrigo e Marcelo até o irreverente Reinaldo, essa edição pareceu mais uma briga de egos para ganhar uns minutinhos a mais de câmera do que a culinária em si.
Que, para os próximos anos, a Band não se esqueça que o público gosta de uma boa culinária como o centro de tudo. É melhor deixar o 'Jogo da Discórdia' para a concorrência.
Todos sabem que, no 'MasterChef', quem ganha prova tem vantagem... mas até que custo uma vantagem pode ser mesmo bem aproveitada? Essa edição não teve uma linearidade na hora de escolher o que os vencedores poderiam desfrutar ou aprontar com seus 'pins', o que deixou muita gente revoltada.
Em uma prova, Rodrigo teve a oportunidade de provar um prato que, no final de contas, nem precisava se fielmente reproduzido... enquanto isso, na semifinal, Carla teve a chance de tirar tempo de dois concorrentes, justamente de Rodrigo e Jesuíno, seus 'rivais' naquela altura da competição. Se vale a dica, as vantagens, assim como a competição, deveriam ser justas para todos.
No início da temporada, o 'MasterChef' surgiu com uma novidade que pareceu até promissora e começou a mostrar, em provas individuais, o ranking de participantes - do primeiro ao último colocado na prova. Embora tenha sido animadora no começo, a produção simplesmente desapareceu com a dinâmica, que no meio da temporada não foi mais executada.
Esse foi o menor dos problemas bagunçados da temporada. Nas redes sociais, muitos internautas reclamaram dos critérios de avaliação dos chefs, inclusive na decisão que levou Carla à final, mas não parou por aí...
Teve troca de bancada no meio da prova e com os preparos em andamento, mudança de regras em um duelo onde até a perdedora foi para o mezanino, bagunça em informações tanto para os participantes quanto para o público, e no fim das contas tudo isso acabou desagradando muita gente. Infelizmente.
Quem assistiu ao 'MasterChef' sabe que Carla não conseguiu cativar o grande público, e talvez todo esse ranço tenha sido justamente por seu excesso de depoimentos. Sim, ela foi protagonista e, agora finalista, sempre aparecia soltando um comentário ou indireta em cenas que nem mesmo envolviam ela durante a edição.
Talvez, se os depoimentos tivessem uma melhor condução e com mais chance para outros participantes, até mesmo esse hate sofrido pela médica seria menor. Mas, se tratando de reality show, ganha espaço quem rende, e isso Carla soube fazer muito bem.
Seguimos na expectativa para a 14ª edição do 'MasterChef Amadores' para o próximo ano, e que venha o 'MasterChef Profissionais'.