Marcos Palmeira não construiu sua relação com o campo apenas para viver o imaginário de uma vida rural cercada por verde, cavalos e natureza. Dono da Fazenda Vale das Palmeiras, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o ator transformou ao longo de quase três décadas uma propriedade que encontrou degradada em um projeto de produção orgânica, recuperação ambiental e preservação da Mata Atlântica!
Agora, uma nova etapa dessa história chama atenção pela dimensão. Em parceria com o Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA), a fazenda trabalha na restauração de 130 hectares, área equivalente a cerca de 1,3 milhão de metros quadrados - ou aproximadamente 182 campos de futebol. A meta é chegar a 200 mil árvores nativas, considerando tanto o plantio de mudas quanto a regeneração natural da vegetação.
O projeto, iniciado em parceria com o ITPA em 2022, amplia um trabalho que Marcos já vinha realizando desde que comprou a propriedade, em 1997.
Quando adquiriu a propriedade, Marcos Palmeira encontrou uma área marcada pela degradação e por trechos desmatados. A recuperação não aconteceu de uma hora para outra: foi resultado de um processo iniciado após a compra e desenvolvido ao longo dos anos.
Um dos focos foi a proteção das nascentes existentes na fazenda. Partes da propriedade também foram deixadas sem intervenção para que a própria natureza retomasse espaço. Com o tempo, o ator passou a observar o reaparecimento da vegetação e de aves, mostrando o potencial de regeneração de uma área protegida.
A mudança ganha ainda mais significado quando considerada a relação antiga de Marcos com o universo rural. Na infância, ele conviveu com propriedades da família na Bahia, entre criação de gado e plantações de cacau. A experiência ajudou a alimentar o desejo de ter uma propriedade no campo - sonho que se concretizou décadas depois em Teresópolis.
© Reprodução/Instagram, @gabigastal
A Vale das Palmeiras também não é apenas uma área destinada à conservação. A propriedade desenvolveu uma produção orgânica e agroecológica que inclui alimentos como leite, queijos, mel, café e hortaliças.
A proposta é justamente aproximar duas atividades que muitas vezes aparecem como opostas: a produção rural e a preservação ambiental. Enquanto determinadas áreas permanecem voltadas à agricultura e à produção de alimentos, outras são destinadas à recuperação da vegetação e à conservação permanente.
Esse modelo se tornou uma das marcas do trabalho desenvolvido por Marcos no campo. Em entrevistas ao longo dos anos, o ator já relatou seu envolvimento direto com a rotina da propriedade e com a produção, mostrando que a fazenda ultrapassou há muito tempo a ideia de um simples refúgio de fim de semana!
O dado mais impressionante do projeto pode levar a uma interpretação equivocada. As 200 mil árvores previstas não correspondem necessariamente a 200 mil mudas que serão plantadas.
A meta anunciada pelo projeto combina duas frentes: o plantio de espécies nativas e a chamada regeneração natural, quando a vegetação volta a se desenvolver espontaneamente depois que a área deixa de sofrer determinadas pressões.
Entre as espécies previstas estão palmito-jussara, jequitibá, aroeira e pau-ferro, árvores características da Mata Atlântica que ajudam a recompor a biodiversidade e as funções ecológicas do ambiente.
O trabalho não termina com a colocação das mudas no solo. Segundo as informações divulgadas pelo Compre Rural, o acompanhamento inclui cuidados como o controle de formigas, que podem comprometer as plantas recém-implantadas, além do replantio daquelas que não sobrevivem.
A dimensão territorial dá outra perspectiva ao projeto. São aproximadamente 1,3 milhão de metros quadrados contemplados pela iniciativa de restauração - algo próximo de 182 campos de futebol.
Dentro dessa área, a recomposição da vegetação também tem uma função importante na proteção dos recursos hídricos. A recuperação de trechos próximos a nascentes, córregos e cursos d'água contribui para proteger o solo, reduzir processos erosivos e preservar as condições ambientais necessárias à manutenção dessas fontes.
A preocupação ambiental de Marcos também está registrada nas duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) existentes dentro da Fazenda Vale das Palmeiras.
As áreas são identificadas como Rildo 1 e Rildo 2, também referidas como Rildo de Oliveira Gomes I e II. Uma RPPN é uma área particular destinada voluntariamente à conservação da biodiversidade. Depois de reconhecida como reserva, sua finalidade de conservação tem caráter permanente.
A parceria com o ITPA também contempla essas áreas, com apoio para a elaboração dos respectivos Planos de Manejo, documentos que estabelecem diretrizes para administração, monitoramento e conservação das reservas.
Assim, a fazenda reúne diferentes camadas de preservação: áreas em restauração, trechos em regeneração natural e espaços protegidos permanentemente por meio das RPPNs.
Embora a nova etapa de restauração tenha ganhado destaque agora, a história ambiental da Vale das Palmeiras não começou em 2022.
Marcos comprou a propriedade em 1997 e, desde então, acompanhou uma transformação gradual do território. A parceria firmada com o ITPA em maio de 2022 representa uma ampliação desse processo, com um planejamento de recuperação em escala muito maior.