Se para muitos a aposentadoria é um momento desejado, Carlos Alberto de Nóbrega foge totalmente dessa expectativa. Aos 90 anos e com 72 anos de carreira, desses 39 no SBT, o dono de "A Praça é Nossa" garante que o humorístico e a própria vida estão interligados.
"No dia em que me tirarem 'A Praça', acabou a minha vida. Eu vivo pela 'Praça'", sacramentou o humorista à imprensa durante as gravações do especial que comemorou os 45 anos da emissora fundada por Silvio Santos e exibido na noite anterior (20). Envolvido em polêmica recente com a ex-mulher Andrea Nóbrega, Carlos Alberto fez ainda uma reflexão a respeito da morte.
"Com 90 anos, já sou bisavô. Não quero morrer em uma cadeira de rodas, não quero morrer em um hospital. Eu não posso parar de trabalhar. Se tiver que acabar 'A Praça' - e um dia vai, porque tudo o que começa acaba -, vai ter que acabar comigo. Porque isso aqui é minha vida", acrescentou o pai de seis filhos e que desde maio de 1987 está à frente do humorístico.
A contratação pelo SBT ocorreu semanas após o formato voltar ao ar sob o título "Praça Brasil", na Band, e com grande audiência. Foi naquele 1987 que Carlos Alberto e Silvio fizeram as pazes após 11 anos de afastamento, em período marcado por ataques pesados do artista ao "Homem do Baú".
Já no SBT, a nova "Praça" manteve os números em alta, revelou talentos e deu espaço para um vasto time de ícones do humor, a maior parte absoluta já falecida. Entre eles Ronald Golias, Rony Rios, Roni Cócegas, Maria Tereza, Canarinho, Simplício, Consuelo Leandro, Jorge Lafond, Dercy Gonçalves e Arnaud Rodrigues, só para citar alguns.
Nos quase 40 anos de vida, a "Praça" já passou pelas noites de sexta e sábado e pelas tardes de domingo, além de ter ganhado especiais temáticos, como Roma antiga, Western e céu (em uma referência às previsões do fim do mundo na virada de 1999 para 2000).