Morreu aos 95 anos, o autor Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores autores de novelas do Brasil, nesta terça-feira (7). A morte do criador de clássicos como "Pantanal", "Renascer" e "O Rei do Gado" que enfrentava há anos vários problemas de saúde se dá menos de seis meses após o falecimento de outro ícone da teledramaturgia, Manoel Carlos.
A morte de Benedito foi confirmada em boletim enviado ao Purepeople pelo Hospital do Coração, em São Paulo, onde o novelista estava internado. "O Hcor informa que o autor Benedito Ruy Barbosa, de 95 anos, faleceu nesta manhã devido a complicações de insuficiência renal crônica (IRC). A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar", informa o comunicado assinado pelo superintendente médico de Ensino e Pesquisa dr. Alexandre Biasi Cavalcanti e pelo clínico-geral Cyrillo Emilio Zuccon Mantovani.
Natural de Gália, interior de São Paulo, e nascido em 17 de abril de 1931, Benedito Ruy Barbosa foi o responsável por escrever grandes novelas da TV brasileira e que conquistaram audiência arrebatadora. Sua estreia foi em 1966 com "Somos Todos Irmãos", na extinta TV Tupi. Já contratado da Globo, escreveu em 1971 "Meu Pedacinho de Chão", que ganharia remake em 2014.
Outras novelas do autor também teriam duas versões. Caso de "Cabocla" (1979 e 2004), "Sinhá Moça" (1986 e 2006) e "Paraíso" (1982 e 2009). Sua última novela, "Velho Chico", em 2016, foi marcada pela morte trágica de Domingos Montagner. Em 1981, ganhou o Troféu Imprensa com "Os Imigrantes", na Band.
Nove anos depois, mais um prêmio, dessa vez com a clássica "Pantanal", na Manchete. Voltou à Globo em 1993 com "Renascer", em 1996 escreveu "O Rei do Gado", e em 1999, "Terra Nostra", todas também vencedoras do Troféu Imprensa. Em 2002, "Esperança" não conseguiu, porém, repetir o êxito das duas anteriores, sendo envolvido em críticas da imprensa especializada.
Também autor de "Voltei para Você" (1983) e "Vida Nova" (1988), Benedito assinou contrato com o SBT em meados dos anos 1990, contudo jamais estreou na emissora, gerando um atrito entre o canal, a Globo e Silvio Santos (1930-2024). No currículo estão ainda outros trabalhos marcantes como "Mad Maria" (2005) e uma temporada do "Sítio do Picapau Amarelo" (1977).
Escreveu dois livros, passou pelo teatro e, no cinema, foi roteirista e produtor de filmes: entre seus trabalhos, "Sábado Alucinante" (1978) e "O Filho Adotivo" (1984).