Madrugada do dia 10 de fevereiro de 2013. Uma confusão generalizada durante a concentração da Vai-Vai, terceira colocada no Carnaval de São Paulo no ano anterior, ganha atenção da mídia. A protagonista do barraco era Andressa Urach, vice-Miss Bumbum e ex-dançarina do cantor Latino.
Quase nua, ela alegou que lhe foi prometida uma posição de destaque em uma alegoria, mas foi colocada em um lugar muito longe dos holofotes. Para completar o factóide, Andressa afirmou que a mala com sua fantasia havia sido roubada - situação que, anos depois, admitiu ter sido inventada. “Eu tinha escondido, porque queria sair com os seios à mostra mesmo”, expôs em entrevista ao programa “Foi Mau”.
13 anos depois da polêmica que a colocou mais em evidência na mídia, Andressa retorna ao Carnaval, dessa vez, como musa da Unidos do Porto da Pedra no Rio de Janeiro. Ainda conhecida pelos escândalos, a famosa parece disposta a levar bastante a sério a nova chance na Avenida - não apenas pela maturidade, mas, também, pela forte conexão que tem com o enredo da agremiação.
A Porto da Pedra, que desfila no sábado, 14 de fevereiro, pela série Ouro, contará a história das profissionais do sexo. O desfile vai enaltecer nomes que lutaram pelos direitos das prostitutas.
Em conversa com o Purepeople, Andressa revela que vai fazer aulas de samba e reflete sobre sua participação no desfile. “Não é só sobre desfilar bonita, é sobre sentir o que o enredo representa”, pontua. Confira entrevista a seguir!
Purepeople: Como surgiu o convite para desfilar na Porto da Pedra?
Andressa Urach: O convite veio de uma forma muito especial. A escola me procurou por causa do enredo e, quando eu soube que eles iriam falar sobre a história e a força das profissionais do sexo, senti que fazia sentido pra mim. Foi uma identificação imediata. Aceitei porque achei importante fazer parte de algo que conversa com a minha história e com tudo o que já vivi.
PP: Como foi a recepção da comunidade e dos integrantes da escola no primeiro ensaio?
AU: Fui recebida com um carinho enorme. A quadra estava cheia, o povo cantando alto, aquela energia que só escola de samba tem. Me senti abraçada mesmo, sabe? É muito bom chegar em um lugar e sentir que a comunidade está junto com você desde o começo.
PP: Você já começou a trabalhar na fantasia? Pode adiantar algum detalhe?
AU: Estamos começando agora, mas a ideia é que a fantasia tenha tudo a ver com o enredo. Quero algo que tenha força, brilho e que acompanhe bem meu samba no pé. Estou conversando com a equipe para construir um visual que valorize a história que vamos contar na Avenida, mas ainda é cedo pra revelar muita coisa.
PP: Como você acha que a sua vivência pode contribuir com a performance na Avenida?
AU: Eu já vivi muita coisa e sei bem o quanto esse tema é cheio de preconceito e invisibilidade. Acho que isso me ajuda a entrar na Avenida com verdade. Não é só sobre desfilar bonita, é sobre sentir o que o enredo representa. Quero levar emoção, respeito e mostrar que essas histórias também merecem ser contadas.
PP: Muito além da beleza, o Carnaval requer uma disciplina regrada para aguentar a intensidade do desfile. Como será sua rotina de dieta e treinos até o grande dia?
AU: Já estou organizando tudo. Vou focar nos treinos de resistência, nas aulas de samba no pé e no fortalecimento do corpo, que é essencial para aguentar o ritmo. Na alimentação, prefiro manter algo equilibrado, que me dê energia e bem-estar. Nada de loucuras, só disciplina e cuidado comigo mesma.
PP: Recentemente, você fez desabafos sobre críticas com relação a seu corpo. Há quem diga que você está magra demais. De alguma forma, esses comentários vão influenciar na sua preparação para o Carnaval?
AU: Hoje em dia, isso não me mexe como antes. Já ouvi de tudo e aprendi a não viver em função da opinião alheia. Minha preparação para o Carnaval vai ser baseada no que eu sinto e no que me faz bem, não no que as pessoas acham do meu corpo. O foco é saúde e entrega na Avenida.
PP: Hoje em dia, existe a chamada “patrulha do samba no pé”, internautas que ficam avaliando se as famosas sabem sambar ou não. Como você pretende se preparar com relação à performance no samba?
AU: Eu vou treinar, sim, porque respeito o Carnaval e a tradição das escolas. Vou fazer aula, estar nos ensaios, aprender o que preciso aprender. Mas também não fico refém da patrulha da internet. Quero me divertir, me conectar com a escola e fazer um samba verdadeiro, de coração. O resto é consequência.