Fantasias de luxo com muitos cristais, corpo coberto ou quase todo de fora e retornos à Sapucaí, como de Luana Piovani. Assim foram o segundo dia de desfiles das escolas do Grupo Especial de São Paulo e da Série Ouro do Rio. Nem tudo foi festa, porém.
No Anhembi, um componente da Águia de Ouro machucou a cabeça no portão de ferro que demarca o fim da apresentação das agremiações. Já a Camisa Verde e Branco, última das 14 agremiações da elite, encerrou o desfile após o tempo máximo permitido.
Enquanto isso, no Rio um grave acidente envolveu três componentes da União de Maricá. Um deles sofreu fratura exposta nas duas pernas. Na nossa galeria de fotos, algumas das rainhas, musas e destaques dos desfiles.
A Império de Casa Verde abriu os trabalhos em busca do título que não conquista desde 2016. A agremiação destacou as as joias afro-brasileiras. Com Renata Spallicci, que venceu um câncer no intestino, a Águia de Ouro tenta quebrar o tabu de quatro anos sem vitórias com enredo sobre Amsterdã - a agremiação citou desde a prostituição à liberação da maconha.
Com Thelma de Assis e Fred Nicácio na comissão de frente, a Mocidade Alegre recordou a vida e obra de Léa Garcia para ganhar seu 13º carnaval. A atriz ícone da representatividade negra morreu em 2023. Logo depois veio a Gaviões da Fiel, que em um enredo sobre a preservação das florestas deixou de fora o verde.
Paulo César Pinheiro ganhou homenagem da Estrela do Terceiro Milênio, que lembrou músicas como "Canto das Três Raças", sucesso do compositor. A Tom Maior teve problemas de iluminação em um dos carros no tributo a Chico Xavier. Por fim, a Camisa Verde e Branco levou para a pista as manifestações de Exu.
Na Sapucaí, a Botafogo Samba Clube fez um desfile colorido para lembrar o paisagista Roberto Burle Marx com Wenny Isa, irmã de Lexa, à frente da bateria. As entidades símbolo de liberdade e resistência e as manifestações das Pombagiras estiveram no enredo da Em Cima da Hora, que apresentou problema de evolução ao correr para não estourar o tempo máximo (55 minutos).
O palhaço Xamego, papel de Maria Eliza Alves dos Reis, foi tema da Arranco - a artista quebrou padrões porque mulheres não podiam interpretar palhaças. A escritora Conceição Evaristo foi enredo do Império Serrano, que reuniu Luana Piovani à frente da ala das baianas. Quitéria Chagas de novo brilhou como rainha de bateria.
Tancredo da Silva Pinto, escritor e compositor ícone da umbanda, foi lembrado pela Estácio de Sá, que desfilou com um carro sem iluminação e com a bateria fantasiada de papa. As joias-amuletos foram o tema da União de Maricá.
A vida das garotas de programa surgiu no Porto da Pedra, com Andressa Urach como um dos destaques em fantasia repleta de cristais. Em carro alegórico, Bruna Surfistinha optou por roupa que cobria seu corpo. As raízes negras e periféricas e a cultura do biquíni de fita isolante passaram pelo desfile da Unidos da Ponte.