Mauricio de Sousa está completando 90 anos nesse mês, sendo deles mais de 60 dedicados ao universo dos quadrinhos. Como forma de homenagear um dos mais famosos cartunistas brasileiros, uma cinebiografia foi lançada com a presença do artista, que precisou de ajuda de cadeira de rodas para se locomover. Pai de 10 filhos, Mauricio é criador de mais de 200 personagens, que juntos formam a icônica "Turma da Mônica", já transformada em versão "live-action" para os cinemas.
A biografia em forma de filme chegou às salas de exibição oito anos após o lançamento do livro "Mauricio, a História que Não Está no Gibi" (Editora Primeira Pessoa). Nas suas 300 páginas, o cartunista e empresário fala do começo da carreira, recorda a época de jornalista policial, e de quando adquiriu gosto por um tipo específico de comida na época em que se dividia entre estudos e trabalhos.
O pai de Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e outros inúmeros personagens contou ainda quando foi preso. Na cadeia, tomou aversão por um alimento muito utilizado no dia a dia seja nas saladas ou como tempero. Sabia disso? Se você não sabe, o Purepeople te conta agora.
Essa situação é descrita por Mauricio no 8º capítulo, quando se recorda da chegada à capital paulista em 1953 - o cartunista nasceu em Santa Isabel, cidade perto de Guarulhos, ambas em São Paulo. O futuro criador de "Turma da Mônica" comprou uma série de jornais, fez várias entrevistas de trabalho e acabou contratado, sem saber que iria se envolver em um grande problema.
"Fui parar na empresa de cobrança, cujo dono aplicava golpes na praça, a mesma em que, poucas semanas depois de eu ter começado, a polícia apareceu, levando todos os funcionários para a cadeia. Nos dois dias em que fiquei preso, dividi a cela com camelôs e sem-teto, ninguém perigoso", ressaltou Mauricio, indicando ter tido sorte pois havia comprado um paletó. E essa roupa fez as vezes tanto de colchão quanto de cobertor na cadeia.
Segundo o cartunista, a cela era grande, mas, por outro lado, quem estivesse naquela cadeia não recebia comida. "Depois de quase 12 horas ali foi que apareceu um prato de arroz com feijão e pimentão boiando no óleo. A fome era tanto que comi tudo. E passei 30 anos sem sequer poder sentir cheiro de pimentão. Virou trauma", detalhou ele, que já transformou Neymar em personagem de suas HQs.