Poucos cosméticos são tão reconhecíveis quanto o creme Nivea. Ele é tão popular que pessoas de diferentes gerações o conhecem — não apenas pela icônica lata azul, mas também pelo aroma e pela textura inconfundíveis.
Em muitas casas, o Nivea é um item indispensável, daqueles aos quais se dá mil e uma utilidades.
Nas redes sociais, os usos sugeridos são dos mais variados, e poucos cosméticos despertam tanto interesse.
O problema é quando o creme Nivea passa a ser usado para tudo: combater rugas, substituir um pós-sol — embora especialistas já tenham indicado que ele não foi desenvolvido para isso —, servir de máscara facial e até hidratar cabelos secos.
Para entender melhor o que podemos esperar desse creme tão conhecido, conversamos com a farmacêutica Marta Masi (@martamasi5), especialista em pele e bem-estar, que tem sua própria marca de produtos voltados aos cuidados com o corpo por dentro e por fora.
Uma das dúvidas mais comuns é se o Nivea da lata azul serve para todos os tipos de pele. De geração em geração, vimos o creme ser usado em peles diferentes, sem muita distinção. Sobre isso, a farmacêutica ressalta:
“Embora a marca o apresente como indicado para todos os tipos de pele, sua textura rica e oclusiva o torna especialmente adequado para peles secas ou muito secas, com sensação de repuxamento ou descamação, e para áreas como mãos, cotovelos, joelhos e calcanhares. Em peles oleosas ou com tendência à acne, pode ser denso demais. Também não seria minha primeira opção para peles muito sensíveis ou reativas, porque contém perfume e alérgenos de fragrância”, explica Masi.
Outra característica marcante do creme Nivea é sua textura untuosa. Por isso, perguntamos a Marta se ela recomendaria usá-lo no rosto.
“Sim, ele pode ser usado no rosto se a pele for seca e o tolerar bem, especialmente à noite ou em áreas específicas que precisem de mais proteção. No entanto, não é o creme facial ideal para todo mundo. Em peles mistas, oleosas ou com acne, pode ser pesado, e, para peles reativas, eu preferiria uma fórmula sem perfume e adaptada especificamente às suas necessidades. Além disso, ele não contém proteção solar”, afirma a farmacêutica.
Um dos pontos que mais geram controvérsia em relação ao creme Nivea diz respeito a alguns de seus ingredientes.
“Na lista atual de ingredientes da versão comercializada na Espanha, aparecem óleo mineral — Paraffinum Liquidum —, cera microcristalina e parafina, mas não consta Petrolatum, que é a vaselina”, esclarece a especialista.
Segundo Marta, não devemos condenar um ingrediente simplesmente por sua origem.
“Os derivados minerais utilizados nos cosméticos europeus são altamente purificados e submetidos a controles de segurança. Permanecem principalmente na superfície da pele e ajudam a reduzir a perda de água. Não existe uma razão científica para evitá-los se estiverem corretamente formulados e a pele os tolerar”, afirma.
O químico Vladimir Sánchez tem a mesma opinião e considera que a parafina líquida não é perigosa por ser um derivado de petróleo.
“Na verdade, a utilizada em cosméticos é altamente purificada para que não contenha nenhum tipo de impureza que possa causar problemas”, explica.
Muitas mulheres destacam o uso do creme Nivea clássico para combater rugas. Como já mencionamos, porém, ele foi desenvolvido para hidratar e proteger a pele. Nesse sentido, a farmacêutica afirma:
“Não deveríamos considerá-lo um tratamento antienvelhecimento. Ao hidratar e diminuir a perda de água, ele pode melhorar temporariamente a maciez e disfarçar as pequenas linhas causadas pela desidratação”, explica.
Talvez seja esse efeito de hidratação intensa que dê a algumas pessoas a impressão de que o creme preenche temporariamente a pele.
“No entanto, não podemos esperar que ele trate rugas já formadas nem que estimule o colágeno como determinados ativos específicos. Uma pele hidratada parece mais lisa e luminosa, mas isso não significa que se esteja atuando de fato sobre o envelhecimento da pele”, ressalta Marta.