Dan Stulbach chega aos 57 anos neste sábado, 26 de setembro, com uma linda trajetória na TV. Dono de personagens marcantes, o veterano é um dos artistas mais aclamados de sua geração.
Neste momento, ele vive o inescrupuloso Ademir na novela 'Quem Ama Cuida'. Mas para quem conhece sua história sabe que ele estava comprometido para dar vida a outras prpfissões.
Muito antes de se tornar um dos rostos conhecidos da televisão brasileira, ele vendeu pipoca em um cinema nos Estados Unidos, prestou vestibular para Medicina, Administração e Engenharia e chegou a ouvir de Al Pacino uma pergunta que jamais esqueceu.
A história do pipoqueiro foi revelada pelo próprio Dan durante sua participação no Angélica Ao Vivo, do GNT, ao lado de Ivete Sangalo e Lázaro Ramos. Aos 19 anos, ele estava em San Diego, nos Estados Unidos, depois de ganhar do pai, Josef Stulbach, um curso de inglês. A intenção do pai era justamente afastá-lo da carreira artística.
Dan, porém, encontrou outro caminho, trabalhando em um cinema para juntar dinheiro e viajar até Nova York, onde queria assistir a peças de teatro.
“Comecei a trabalhar num cinema lá para juntar dinheiro e ir a Nova York assistir a peças. Ganhava apenas US$ 6,25. No final, deu tudo errado para ele e tudo certo para mim”, contou, bem-humorado.
A resistência à carreira artística não foi um episódio isolado. Filho de imigrantes judeus poloneses, Dan cresceu em uma família que valorizava estabilidade e segurança profissional.
Antes de se dedicar definitivamente à atuação, ele prestou vestibular para Medicina, Administração e Engenharia. Chegou a cursar Engenharia por um ano e se formou em Comunicação Social pela ESPM, além de ter estudado na Escola de Arte Dramática da USP.
O próprio ator já contou que chegou a ser mandado embora de casa quando decidiu escolher o teatro em vez de seguir o caminho profissional esperado pela família. O episódio aconteceu quando ele tinha 19 anos e precisava decidir entre uma oportunidade importante no teatro e uma viagem à Polônia com os pais e a irmã. Dan escolheu a peça.
Anos antes, porém, ele já dava pistas de que o futuro que imaginava para si era outro. Aos 16 anos, escreveu uma carta para o próprio “eu” do futuro, depois de assistir a uma premiação da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em que Paulo Autran foi premiado. No texto, Dan perguntava se um dia seria ator e se conseguiria trabalhar com aqueles profissionais que admirava.
A persistência acabou dando resultado. Dan iniciou sua trajetória na televisão nos anos 1990 e ganhou projeção nacional especialmente em 2003, como Marcos, em 'Mulheres Apaixonadas'.
O personagem, marcado pela violência doméstica contra Raquel, vivida por Helena Ranaldi, tornou-se um dos papéis mais lembrados de sua carreira, e fez uma simples raquete de tênis entrar para a memória da televisão brasileira.
Depois vieram trabalhos em 'Senhora do Destino', 'Queridos Amigos', 'Fina Estampa' e A Força do Querer', além de uma participação no remake de 'Pantanal'.
E existe ainda uma coincidência cinematográfica nessa trajetória. Dan assistiu a Al Pacino em O Mercador de Veneza, em Nova York, e teve um encontro rápido com o astro depois da apresentação.
Anos mais tarde, o brasileiro assumiria justamente o papel de Shylock na mesma obra de Shakespeare — personagem que já havia sido interpretado por Pacino. A montagem de Dan chegou a ultrapassar 80 mil espectadores em temporadas pelo Brasil.
A ligação com Pacino ficou ainda mais curiosa porque o ator brasileiro já contou que, em outro encontro nos Estados Unidos, ainda na sua juventude, conversou com o astro sobre Shakespeare. A pergunta feita pelo americano ficou guardada na memória de Dan: "Vocês fazem Shakespeare no Brasil?". Quem dira que um dia Dan representaria um espetáculo de Shakespeare.
Por trás da carreira construída com humor, teatro e televisão existe ainda uma história familiar muito mais pesada. Os pais de Dan eram imigrantes poloneses que viveram os efeitos da Segunda Guerra Mundial. O pai, Josef, era sobrevivente judeu do conflito e chegou ao Brasil depois da guerra.
Dan só conseguiu conhecer parte dessas histórias muitos anos depois. Em conversa com Pedro Bial, contou que o pai evitava falar sobre o período e que, já doente no hospital, acabou revelando algumas lembranças sem perceber que estava conversando com o próprio filho.
O ator também relatou que o pai de sua mãe foi fuzilado durante a guerra e que a mãe dela morreu depois de chegar ao Brasil.