Dercy Gonçalves morreu aos 101 há 17 anos por complicações de uma pneumonia. O estado de saúde da humorista se agravou em poucas horas após a internação. Apaixonada por bingos, o que a fez criticar decisão do presidente Lula no primeiro mandato, a atriz dona de um recorde no "Guiness Book" apresentou insuficiência respiratória e sepse pulmonar.
Ao longo da vida de mais de um século, Dercy já havia enfrentado outros problemas graves de saúde, como o diagnóstico de câncer no estômago na primeira metade dos anos 1990. Na biografia "Dercy, de Cabo a Rabo" (de Maria Adelaide Amaral), conta que após descobrir a doença questionou ao médico se precisaria operar ou se iria morrer vítima da grave doença, que atualmente atinge Edu Guedes. E ouviu como resposta que teria que operar "ontem".
O receio da atriz era simples: seu túmulo em forma de pirâmide em Santa Maria Madalena (RJ) não estava pronto e ela tinha que realizar mais três shows para pagar o mausoléu. A atriz então recorreu a Boni, na época o vice-presidente da Globo e relatou sua situação.
Logo, foi avisada de que deveria ir para o Hospital Albert Einstein, onde tudo já estaria pronto para recebê-la. Contudo, a atriz se recusou a passar por uma cirurgia naquele momento, embora o médico tenha lhe deixado um grave alerta: "Se esse tumor arrebentar, não vai dar tempo de salvar a senhora".
Mesmo diante do alerta, Dercy recusou a cirurgia naquele momento e subiu ao palco três vezes, cumprindo sua agenda. Um acordo porém foi feito: uma UTI móvel estaria na porta do teatro. "No terceiro, fiz o espetáculo, mas quando saí do palco, apaguei. Acordei três dias depois", relatou, acrescentando ter sido levada para a UTI e operada ao longo de 8h.
"Era quase um milagre", definiu a artista que, décadas antes, passou seis meses internada em sanatório na cidade mineira de Santos Dumont para tratar um quadro de tuberculose. "Ficava a maior parte do tempo na cama para não me cansar e tomava injeção de ouro com cálcio Sandoz na veia. Elas me davam dor de cabeça desgraçada", resumiu no livro.
Retornando a 1991 e pouco antes da cirurgia no estômago, a humorista com passagens pela Globo, SBT e Band quebrou a bacia em um acidente de carro às vésperas de desfilar na Unidos do Viradouro, escola de Niterói (RJ) que estreava no Grupo Especial, e onde protagonizaria em 1992 uma quase tragédia na Sapucaí. Naquele ano, a vermelha e branca desfilou o enredo que homenageava a humorista em "Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o Retrato de Um Povo".
O acidente com o carro de Dercy, então com 83 anos, ocorreu no trajeto para Cabo Frio na altura de Rio Bonito: o veículo caiu em uma ribanceira. Semanas mais tarde, desfilou na Sapucaí acompanhada de um médico em um carro alegórico a 15 metros do chão. Segundo Dercy, não foi sua intenção exibir os seios durante sua passagem pela passarela.
"O vestidinho era muito e******, não segurava direito meus seios. Puxava para cima, caía. Tornava a levantar, caía. (...) Me enchi e deixei a parte de cima do vestido despencar de vez", prosseguiu Dolores Gonçalves Costa, nome de batismo da homenageada.
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