A morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, em decorrência de complicações causadas por uma insuficiência renal crônica, encerra um dos capítulos mais importantes da história da dramaturgia brasileira.
Mais do que criar novelas de sucesso, o autor foi responsável por mudar a narrativa do universo rural. Muito antes da popularização da expressão 'o agro é pop', Benedito já fazia isso nas novelas.
Quem acompanha a trajetória do novelista, pode perceber que suas histórias nunca se limitaram a retratar o homem do campo de forma estereotipada.
Pelo contrário, elas apresentavam personagens complexos, conflitos familiares, disputas por terra, questões sociais, transformações econômicas e o impacto da modernização sobre o interior do Brasil, até incluindo um casal gay no remake de 'Pantanal'.
Foi justamente essa capacidade de unir romance, crítica social e identidade brasileira que fez suas obras atravessarem gerações. O resultado é que Benedito Ruy Barbosa tornou-se o rei de novelas de sua autoria que se tornaram remakes.
Ao todo, seis obras ganharam novas versões, um recorde entre os novelistas nacionais. Na sequência aparece Ivani Ribeiro, com cinco remakes de grandes clássicos, como 'Mulheres de Areia', 'A Viagem', 'O Profeta', 'A Gata Comeu' e 'O Sexo dos Anjos'.
Confira as novelas de Benedito que ganharam uma nova vida na televisão:
Exibida originalmente em 1979, Cabocla foi inspirada no romance homônimo de Ribeiro Couto e marcou época na faixa das seis, tendo Glória Pires e Fábio Jr. como protagonistas.
Em 2004, a Globo produziu um remake estrelado por Vanessa Giacomo como Zuca e Daniel de Oliveira como Luís Jerônimo. A adaptação ficou nas mãos das filhas do autor, Edmara e Edilene Barbosa, preservando o clima político e os romances do interior brasileiro.
A versão original foi exibida em 1986 e retratava os últimos anos da escravidão no Brasil. Inspirada na obra de Maria Dezonne Pacheco Fernandes, a novela combinava romance, luta pela liberdade e disputas entre grandes fazendeiros.
Vinte anos depois, a Globo revisitou essa história, reafirmando a força do texto de Benedito ao apresentar o clássico para uma nova geração.
Originalmente exibida em 1982, 'Paraíso' conquistou o público ao misturar religiosidade, romance e folclore popular. A trama acompanha Maria Rita, conhecida como Santinha, e José Eleutério Filho, em uma história cercada por crenças e tradições do interior.
Em 2009, o remake manteve a essência da obra e reafirmou o talento do autor para contar histórias profundamente ligadas às raízes brasileiras.
Primeira novela escrita por Benedito Ruy Barbosa, 'Meu Pedacinho de Chão' estreou em 1971. Quarenta e três anos depois, ganhou uma releitura completamente inovadora sob direção de Luiz Fernando Carvalho.
Com cenários estilizados, figurinos coloridos e atmosfera semelhante a um conto de fadas, tornou-se uma das produções visualmente mais ousadas da TV.
Talvez o maior fenômeno da carreira de Benedito. Exibida originalmente pela extinta TV Manchete em 1990, 'Pantanal' revolucionou a televisão ao provar que uma novela ambientada quase inteiramente no campo podia superar gigantes da audiência.
Em 2022, a Globo apostou no aguardado remake, adaptado por Bruno Luperi, neto de Benedito. A nova versão preservou a grandiosidade das paisagens pantaneiras, o romance entre Juma Marruá e Jove e os conflitos familiares, repetindo o enorme sucesso da produção original.
Outro clássico absoluto da carreira do autor. Exibida originalmente em 1993, 'Renascer' apresentou a saga de José Inocêncio, poderoso produtor de cacau cuja trajetória foi marcada por paixões, tragédias e disputas familiares no sul da Bahia.
Em 2024, novamente sob adaptação de Bruno Luperi, a Globo trouxe a novela de volta para uma nova geração de telespectadores, atualizando alguns aspectos da narrativa sem perder a essência criada por Benedito Ruy Barbosa.