A eliminação de Portugal para a Espanha na Copa do Mundo de 2026 segue repercutindo ao redor do mundo. Desta vez, as críticas vieram do tradicional jornal esportivo norte-americano The Athletic, que publicou uma análise assinada pelo jornalista Stuart James afirmando que a seleção portuguesa "pagou o preço" por ter insistido em Cristiano Ronaldo durante todo o torneio. Segundo o veículo, o astro teria sido "mimado" pela comissão técnica comandada por Roberto Martínez, decisão que teria comprometido o desempenho da equipe.
Na análise publicada pelo The Athletic, Stuart James afirma que o fim do sonho de Cristiano Ronaldo em conquistar uma Copa do Mundo deveria ter acontecido ainda em 2022, quando Portugal foi eliminado por Marrocos nas quartas de final, no Catar. Para o jornalista, a participação do camisa 7 em mais um Mundial acabou se transformando em uma despedida sem o brilho esperado.
O texto destaca que, diante da Espanha, o CR7, hoje com 41 anos, mostrou as limitações naturais da idade. Segundo o jornalista, o craque parecia tentar vencer o tempo enquanto perseguia o único grande título que faltava em sua carreira.
Ainda de acordo com a publicação, os números reforçam essa impressão. Cristiano tocou apenas 19 vezes na bola durante a partida contra a seleção espanhola. Como comparação, o atacante espanhol Mikel Oyarzabal, que teve o menor número de participações entre os demais titulares da equipe adversária, registrou 35 toques.
© Getty Images, Richard Sellers/Allstar
Outro ponto criticado pelo jornal foi a condução da partida por parte do então técnico Roberto Martínez. Mesmo com a necessidade de aumentar a força ofensiva da equipe, o treinador retirou jogadores como Pedro Neto, Vitinha, João Félix e João Cancelo, mas manteve Cristiano Ronaldo em campo até o apito final.
Segundo Stuart James, essa postura contrasta com a adotada por Fernando Santos na Copa do Mundo de 2022, quando teve coragem de deixar o atacante no banco em uma partida importante. Para o jornalista, Martínez preferiu preservar o protagonismo do camisa 7, decisão resumida na frase que dá título ao artigo: o treinador teria "mimado" o jogador.
© Getty Images, Chris Brunskill/Fantasista
A análise também lembra que, no confronto contra a Croácia, Gonçalo Ramos entrou durante o segundo tempo e voltou a ser decisivo. Após a classificação, o atacante chegou a declarar: "Quando você precisa de um gol no fim do jogo, pode chamar Gonçalo Ramos." Ainda assim, segundo o texto, Martínez nunca quis abrir mão de Cristiano Ronaldo para apostar nessa alternativa.
Apesar das críticas, o próprio jornal faz questão de reconhecer a dimensão histórica da carreira de Cristiano Ronaldo. O texto destaca que ele continuará sendo lembrado como o maior jogador da história da seleção portuguesa, dono de 146 gols em 233 partidas internacionais, além de ser vencedor de cinco Bolas de Ouro.
Durante esta edição da Copa do Mundo, o atacante ainda estabeleceu marcas importantes. Tornou-se o único atleta a marcar gols em seis Copas do Mundo e ultrapassou Eusébio como maior artilheiro de Portugal em Mundiais. No entanto, o jornalista questiona qual foi o impacto real dessas conquistas para o desempenho coletivo da equipe.
© Getty Images, Lars Baron
Após a derrota, Cristiano Ronaldo voltou a afirmar que encerra sua trajetória em Copas do Mundo com a consciência tranquila. Na zona mista, o camisa 7 declarou que considera o título da Eurocopa de 2016 o maior feito da história da seleção portuguesa.
"Para mim, o maior título que a seleção conquistou foi a Eurocopa de 2016. Sinceramente, acho que teve o mesmo significado que uma Copa do Mundo. Por isso repito que estou com a consciência tranquila e dei tudo o que podia. É isso. Amanhã será um novo dia e a vida continua."