A influenciadora Virgínia Fonseca abriu o coração nas redes sociais na noite da última segunda-feira (16) ao relatar uma fase difícil enfrentando crises intensas de enxaqueca. Conhecida por compartilhar sua rotina com milhões de seguidores, ela revelou o impacto direto das dores no dia a dia, com limitações que vão muito além do desconforto físico.
“Esses últimos dias foram horríveis! [...] Eu não estava conseguindo treinar, eu deitava para dormir e dormia por muito tempo. Quando você está com dor de cabeça, você fica mais exausta, sem fazer nada! E eu odeio ficar assim!”, desabafou a namorada de Vini Jr., destacando ainda a sensação de estar “privada de viver”, sem ânimo até para conversar.
Segundo a própria influenciadora, a piora aconteceu após ela admitir que acabou “espaçando” o tratamento. Mesmo com acompanhamento médico, Virginia Fonseca revelou que deixou de seguir o cronograma por quase um mês, o que acendeu um sinal de alerta importante.
De acordo com o neurologista Dr. Tiago de Paula, especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina (EPM/UNIFESP) e membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), a interrupção pode agravar significativamente o quadro. O médico, que integra a equipe responsável pelo tratamento da influenciadora, foi categórico ao explicar, em relato enviado pela assessoria:
“Ela é uma paciente grave com a enxaqueca crônica e quando há esse espaçamento, essa interrupção temporária do tratamento, o paciente volta a ter de fato mais dores e acaba piorando.”
O especialista ainda reforça que esse comportamento é mais comum do que se imagina.
“Não é tão frequente o paciente espaçar o tratamento, mas isso acontece quando se sentem bem, com menos crises, ou sem crises e acreditam que é possível espaçar o tratamento.”
O tratamento seguido pela mãe da Maria Alice, Maria Flor e José Leonardo envolve a aplicação de toxina botulínica, popularmente conhecida como botox, em pontos específicos da cabeça a cada três meses. Segundo a assessoria da influenciadora, a técnica promete “congelar a dor”.
Mas, como explica o Dr. Tiago de Paula, o objetivo vai muito além disso.
“É basicamente isso. A gente está desfazendo um caminho da dor que o cérebro aprendeu a fazer, principalmente no paciente crônico.”
Ele detalha que o tratamento atua na chamada neuromodulação, que também pode incluir medicamentos monoclonais Anti-CGRP.
“O objetivo é ensinar o cérebro a não causar mais dor”, afirma.
Outro ponto importante destacado pelo especialista é a origem da doença. Segundo ele, a enxaqueca tem forte componente genético, mas também sofre influência hormonal.
“Existe também uma questão hormonal. Hormônios como o estrogênio influenciam na sensibilidade e prevalência dos sintomas. Por isso, é mais comum em mulheres”, explica Dr. Tiago de Paula.
Além disso, fatores do estilo de vida podem agravar as crises. Rotina intensa, estresse elevado e noites mal dormidas são apontados como gatilhos frequentes.
“Uma pessoa que tem uma vida muito intensa, está sempre exposta a estímulos e não dorme direto tende a sofrer com crises mais frequentes e mais graves”, pontua.
A alimentação também entra na lista de cuidados essenciais. O neurologista alerta que alimentos estimulantes podem agravar o quadro. Café, chocolate, energéticos e até itens considerados saudáveis, como gengibre e pimenta vermelha, devem ser consumidos com cautela. Isso porque, segundo ele, a enxaqueca está ligada à hiperexcitabilidade cerebral, o que torna o organismo mais sensível a esses estímulos.
O caso de Virgínia escancara uma realidade comum: quando a dor melhora, muitos pacientes acreditam que podem relaxar no tratamento. Mas, como reforça o especialista, essa decisão pode custar caro.
“Quando espaçamos ou interrompemos o tratamento, começamos a perder essa neuromodulação e o paciente, invariavelmente, começa a piorar das dores. E perdemos a melhora progressiva”, alerta Dr. Tiago de Paula.
O tratamento, segundo ele, deve ser contínuo e integrado, envolvendo mudanças no estilo de vida, acompanhamento com profissionais como nutricionistas e psicólogos, além de terapias com comprovação científica, como a toxina botulínica.
“Mas é fundamental seguir o plano de tratamento”, finaliza o médico.