O grande capítulo escrito por Manuela Dias, que mostrará a morte de Odete (Debora Bloch) no remake, está previsto para ir ao ar nesta segunda-feira (06). Se hoje a expectativa se concentra na audiência e nas ações de publicidade, há mais de 30 anos uma promoção milionária ajudou a transformar a revelação do assassino em um dos maiores fenômenos da história da TV brasileira.
Poucos mistérios da televisão brasileira conseguiram o impacto de "Quem matou Odete Roitman?". Mais de três décadas depois, a icônica cena da novela "Vale Tudo", exibida originalmente em 1989, continua rendendo assunto e agora volta ao centro das atenções com o remake no horário nobre da TV Globo.
No dia 6 de janeiro de 1989, o público finalmente descobriu o responsável pela morte de Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall. A assassina foi revelada como Leila, papel de Cássia Kis, que atirou acidentalmente na vilã. A revelação surpreendeu, já que muita gente acreditava em outros nomes, principalmente no mordomo Eugênio (Sérgio Mamberti), que chegou a ser o mais votado pelo público.
A cena não apenas prendeu a atenção de milhões de brasileiros como também movimentou a economia e até o jogo do bicho, segundo o jornal O Dia, que em 8 de janeiro de 1989 relatou apostas que somaram mais de 350 milhões de cruzados somente no Rio de Janeiro.
Na época, a expectativa foi tão grande que a Globo firmou parceria com a Maggi, marca da Nestlé, para lançar o concurso popular "Quem matou Odete Roitman e qual o caldo da Galinha Azul?".
O apresentador César Filho conduziu a ação que recebeu cerca de 3 milhões de cartas de telespectadores de todo o país. O prêmio era tentador: 5 milhões de cruzados (o equivalente hoje a aproximadamente R$ 85,5 mil), conforme informações da Folha de S.Paulo.
De acordo com o site Notícias da TV, apenas 6,7% dos participantes acertaram o nome da verdadeira assassina. A iniciativa transformou o final da novela em um fenômeno de engajamento, ainda raro para a época, e reforçou a força da televisão como principal veículo de entretenimento no Brasil.
Com a nova versão de "Vale Tudo", a morte de Odete Roitman volta a ser explorada pela Globo, mas com estratégias mais modernas. Segundo informações da Folha de S. Paulo, a emissora já vendeu todos os espaços comerciais do folhetim até o último capítulo, previsto para o dia 17 de outubro.
Marcas como OMO, iFood, Dove, Itaú, Zé Delivery, Subway e Serasa compraram cotas de publicidade, que não saem por menos de R$ 10 milhões cada. Estima-se que o faturamento já ultrapasse R$ 200 milhões, superando o sucesso comercial do remake de "Pantanal" em 2022.