O adeus de Lionel Messi à seleção argentina ganhou todos os elementos de uma noite histórica. Do uniforme criado especialmente para a ocasião às lágrimas que o camisa 10 não conseguiu esconder, a despedida no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, foi muito mais do que um amistoso contra Benin!
Aos 39 anos, o craque encerrou um ciclo de mais de duas décadas com a Albiceleste em grande estilo: a Argentina venceu por 3 a 0, Messi participou dos três gols e ainda marcou o último dele com a camisa do país.
E se a partida já tinha sido planejada para ser especial, a roupa escolhida para o capítulo final também carregava uma série de símbolos. A Adidas desenvolveu uma coleção exclusiva para a despedida e colocou no uniforme elementos ligados tanto à identidade argentina quanto à trajetória do maior ídolo da atual geração.
A mudança mais chamativa está logo onde normalmente apareceria a marca da fornecedora esportiva. Para a ocasião, a Adidas abriu mão daquele espaço e colocou no lugar o logotipo pessoal de Messi.
A peça mantém o tradicional azul-celeste e branco da seleção, mas ganha detalhes dourados e uma versão ampliada do Sol de Maio, símbolo presente na bandeira argentina. O desenho aparece distribuído entre a parte frontal e as costas, criando uma das características mais marcantes do uniforme.
A Adidas confirmou que a coleção foi criada especificamente para celebrar a trajetória de Messi pela seleção e que a camisa seria usada na última partida internacional do craque.
O símbolo está associado à identidade nacional argentina e, nesse uniforme, faz referência ao processo iniciado em Buenos Aires em 1810, quando começou a ruptura política que levaria à independência do país anos depois. A independência argentina, propriamente dita, seria declarada em 1816. É como se a camisa transformasse em imagem aquilo que a partida representava: o fim de uma era profundamente ligada à identidade esportiva do país.
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A peça também virou objeto de desejo para os torcedores. Segundo a Band, a camisa estava sendo comercializada no site oficial da Adidas na Argentina por US$ 189,99, valor informado pela publicação como equivalente a aproximadamente R$ 974. A expectativa apontada pela reportagem era de que o modelo chegasse ao mercado brasileiro por cerca de R$ 600.
A coleção não ficou restrita a Messi. Os jogadores argentinos utilizaram o mesmo conceito de uniforme, cada um com sua respectiva numeração. Até o goleiro Emiliano “Dibu” Martínez ganhou uma versão especial: o modelo verde também recebeu o Sol de Maio e os detalhes dourados.
O uniforme poderia ter sido o grande assunto da noite. Não foi. Antes mesmo de entrar em campo, Messi já dava sinais de que aquela seria uma despedida difícil de controlar emocionalmente. Durante o trajeto até o Monumental de Núñez, o jogador foi flagrado dentro do ônibus da delegação argentina chorando enquanto observava a recepção dos torcedores pelas ruas de Buenos Aires.
Imagens divulgadas pela imprensa argentina mostraram o craque limpando o rosto com um lenço e tentando se recompor diante da multidão que o acompanhava.
Já no gramado, Messi entrou acompanhado pelos três filhos, Thiago, Mateo e Ciro. Pouco depois, durante a execução do hino argentino, o camisa 10 voltou a se emocionar. As lágrimas apareceram novamente, diante de um Monumental lotado. O técnico Lionel Scaloni também chorou durante o hino.
Quando a bola finalmente rolou, a festa não demorou a tomar conta do Monumental. Aos 10 minutos, em referência à camisa que Messi eternizou, a partida foi interrompida para uma homenagem ao craque. Mais de 80 mil torcedores fizeram uma enorme celebração nas arquibancadas, com aplausos e gritos para o camisa 10.
O amistoso contra Benin deixou, naquele momento, de ser apenas o último compromisso da Argentina na Data Fifa. Virou oficialmente a despedida de Messi.
A Argentina abriu o placar no segundo tempo, com Nicolás Otamendi aproveitando uma jogada que começou em cobrança de escanteio de Messi. Depois, foi a vez de Nico Paz marcar após receber passe do camisa 10. O jovem meio-campista ampliou a vantagem e ajudou a transformar a noite em uma festa ainda maior.
Faltava o gol do protagonista. Ele veio de pênalti. Após uma falta envolvendo Agustín Giay, do Palmeiras, Messi assumiu a cobrança e bateu no alto, sem dar chance ao goleiro de Benin. Foi o último gol do craque pela seleção argentina.
Na comemoração, Messi se jogou no gramado e levantou os braços para o público, que respondeu em coro. O camisa 10 encerrou a noite como maior artilheiro e principal garçom da história da seleção, com 126 gols e 70 assistências!
A noite no Monumental encerrou a história de Messi com a seleção argentina, mas não sua carreira profissional. O craque continua atuando pelo Inter Miami. O que chegou ao fim foi a trajetória internacional com a Albiceleste, iniciada em 2005 e marcada por uma transformação que parecia improvável durante boa parte do caminho.
Messi passou anos sendo cobrado justamente pela relação com a seleção. Viveu derrotas dolorosas, perdeu finais e chegou a anunciar, em 2016, que deixaria o time nacional. Depois, porém, veio a virada definitiva: o título da Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo no Catar e, posteriormente, mais uma Copa América, em 2024.
A despedida acontece depois de seis participações em Copas do Mundo e de uma trajetória de mais de 21 anos com a camisa argentina.