Da Banheira do Gugu para as bancas de jornal. A página 56 da edição de fevereiro de 1996 prometia “a nudez da atração mais gostosa do programa ‘Domingo Legal’”. Depois de passar por diversas reportagens, que incluem uma entrevista com Paulinho da Viola, chega o recheio da revista. Para a surpresa do leitor, na primeira foto, ela ainda aparece de biquíni, nada diferente do que os brasileiros costumavam vê-la todos os finais de semanas.
Luiza Ambiel trocou o estúdio do SBT por uma casa de vidro em Arujá, município da Região Metropolitana de São Paulo, para posar como veio ao mundo na revista Playboy. A locação luxuosa, no entanto, não descartou sua referência, até hoje, mais famosa. Sob o título “Na banheira com Luiza”, a estrela da TV aparece nua e coberta de espuma em algumas das fotos, desfilando suas medidas de 1,76 m, 59 kg, 88 centímetros de busto, 96 de quadris e 56 de coxas, segundo a própria publicação.
As fotos fogem bastante da atmosfera trash do dominical. Não é de se espantar que sejam do fotógrafo de moda Gui Paganini. Além de fotografar para revistas prestigiadas, como Vogue e Harper's Bazaar, também foi o responsável pela imagem que estampa a capa do icônico álbum “Bang”, de Anitta.
© Reprodução, Playboy (Foto: Gui Paganini)
Nesta entrevista ao Purepeople, em celebração aos 50 anos da fundação da Playboy brasileira, Luiza revive os bastidores do ensaio realizado há quase três décadas. “Eu acho que dei uma causada ali na produção”, diverte-se ao lembrar.
As aparições de biquíni para milhões de brasileiros não deram à beldade, com apenas 23 anos na época, inibição suficiente para relaxar despida diante de uma equipe numerosa - e de muito curiosos.
“Era uma casa lindíssima no meio do mato, toda de vidro. Só que, ao chegar lá, tinha muita gente, a vizinhança em peso, a equipe gigante. Eu comecei fotografando de biquíni e na hora que o fotógrafo falou que era pra tirar, eu falei: ‘não vou tirar com essa plateia toda aqui’. Teve que tirar até o assistente do fotógrafo. Ficamos só eu e ele [o fotógrafo]”, conta Luiza, cuja personalidade longe das câmeras pouco combinava com a femme fatale da televisão: “Eu era muito tímida, tinha muita vergonha.”
Foi esta mesma personalidade que ditou a estética das fotos, em uma época que marca a transição da Playboy da sensualidade conceitual à nudez frontal cada vez mais explícita. “As fotos ficaram com a minha cara, eu queria uma coisa mais comportada. Não fiz nenhuma foto, como a gente brincava na época, de exame ginecológico. Gostei das fotos”, comemorou Luiza.
“Gosto de homens que falam pouco, mas dizem tudo com o olhar. Gosto de homem com cara de homem. Daqueles que respiram forte e sabem fazer várias coisas ao mesmo tempo” (Luiza Ambiel para a Playboy, fevereiro de 1996)
Nos anos 1990, uma capa da Playboy representava a consagração da carreira para modelos e até mesmo para atrizes globais. Foi o auge comercial: das 10 mais vendidas de todos os tempos, 8 foram lançadas nesta década.
“Nessa época, a revista tinha outdoors gigantes nas grandes marginais, atrás de ônibus. Quem estampava a revista, tinha muita visibilidade. E quem já estava em evidência, ficava mais ainda”, recorda Luiza. Exemplos não faltam: Marisa Orth, no auge do sucesso como a Madga de “Sai de Baixo”, expôs sua nudez em 1997, enquanto Carla Perez, um dos maiores fenômenos midiáticos daquela geração, apareceu sem nada um ano antes.
Mas nada disso deslumbrou Luiza, que, sem modéstia, mas com muita razão, afirma que a Banheira do Gugu atingia muito mais pessoas que a Playboy.
“Eu fiz única e exclusivamente pelo cachê”, confessa. Ela não revela valores, mas com o faturamento do ensaio, realizou o sonho de ter a casa própria. “Comprei um apartamento em Tatuapé e dois carros que todo mundo queria, e ainda fiquei com uma grana.”
© Reprodução, Playboy (Foto: Gui Paganini)
O cachê não seria tão pomposo sem aquele que trouxe Luiza ao estrelato. Foi Gugu Liberato que a aconselhou a recusar a proposta inicial da Playboy: aparecer apenas em um ensaio secundário, escondido no meio da revista.
“Ele falou que era pra eu fazer a capa, porque se eu fizesse dentro, depois não faria mais a capa. Isso a gente conversou no domingo no intervalo do programa. Na segunda, eu liguei para a Playboy, na época, nem existia celular. E falei: ‘O Gugu falou pra eu fazer a capa (risos)’. Aí eles me botaram na capa”, detalha Luiza, com muita gratidão ao saudoso apresentador: “O Gugu sempre se preocupou comigo.”
“Admiro a Luiza porque, além de linda, ela revela ser uma mulher e tanto para encarar os marmanjos na banheira do ‘Domingo Legal’” (Gugu Liberato para a Playboy em fevereiro de 1996)
Atualmente, Luiza é uma das recordistas de venda de conteúdo adulto em plataformas. A paulista começou com o trabalho online há três anos.
Musa do mercado da sensualidade em duas diferentes décadas, Luiza percebe que, atualmente, as pessoas lidam com mais naturalidade. Ela relata que temeu perder o carinho do público e o espaço na televisão aberta ao investir em conteúdos explícitos, mas foi surpreendida com a aceitação.
“Eu era da TV aberta, não existia internet, hoje eu tramito na duas e veio o conteúdo adulto. Eu não sabia o que ia acontecer, se as pessoas não iam me chamar mais para participar de programas. E não, eu vivo no SBT, na Record, na Band, recentemente, fiz Globo. Eu vejo que, hoje, as pessoas não têm mais esse preconceito. Quem critica é aquela pessoa que queria estar no meu lugar", gaba-se.
Em 2025, Luiza trocou os vídeos solo por parcerias com nomes famosos do universo pornográfico, como Jefão e Kylian Cria. Nas plataformas adultas, as collabs são o equivalente ao que, nos anos 2000, seria chamado de filme pornô.
A principal diferença é que, agora, Luiza tem o controle total do conteúdo, desde a produção até a distribuição - controle este que faltou a muitas musas da Playboy, cujos contratos já previam novas distribuições das fotos sem que elas ganhassem um centavo a mais por isso.
“Conteúdo adulto é uma coisa completamente diferente. Gravo com quem eu quero, onde eu quero, quando eu quero. Dirijo as cenas, tenho uma equipe foda por trás, é outra pegada. Além de ser uma coisa que eu gosto de fazer, me dá um retorno financeiro muito grande. Eu gosto de sexo e gosto de dinheiro. Imagina juntar as duas coisas. Aí dá bom.”