Ícone do cinema, Mel Brooks acaba de completar 100 anos no último final de semana. Americano de Nova York e premiado com as maiores estatuetas da sétima arte, do teatro e da TV, Oscar, Tony e Emmy, o veterano respectivamente, acumula uma longeva e extensa carreira desde 1949 como ator, roteirista, produtor e diretor.
No currículo consagrado do centenário artista estão filmes como "O Jovem Frankenstein", "Banzé no Oeste" (com Gene Wilder, 1933-2016) e "A Mosca" e a série "Mad About You" só para citar alguns trabalhos. Também compositor e comediante, antes da fama Mel Brooks serviu por alguns meses na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) no esquadrão anti-minas, quando formou amizade com um garotinho que encontraria anos depois nos bastidores de "O Homem Elefante", outro clássico de sua cinebiografia, de 1980.
Na mesma década, em uma esquete de humor criou uma lápide que trazia a seguinte frase: "Eu era Mel Brooks, um dos judeuzinhos mais engraçados que já andou pela Terra", citando sua origem. Aos 95 anos, no final de 2021, o ícone foi questionado se pensava muito a respeito da morte.
"Não. Desisti depois dos 60 (anos) de pensar nela, porque se o fizesse, estaria pensando nela o tempo todo. Então eu não penso muito nisso. Quando e se isso acontecer, será um dia triste - para todos menos para mim (risos). Eu gosto de viver. Eu gostaria de fazer isso o máximo que pudesse", cravou ao jornal "O Estado de S.Paulo".
Na mesma entrevista, o veterano lembrou ter sido questionado em outra ocasião a respeito da parte mais feliz da vida. Descartou ter sido a vitória no Oscar ou o casamento com Anne Bancroft (1931-2005), mãe de um dos seus quatro filhos. E apontou uma parte específica da infância.
"Dos 4 ou 5 aos 9 anos, tive a vida mais emocionante, feliz e alegre que alguém poderia ter. O cara (repórter) disse, 'O que aconteceu aos 9'. Eu disse, 'Lição de casa'. Percebi que o mundo queria algo de volta. Até hoje, ainda é uma coisa ruim. Lição de casa é uma coisa ruim. Tira minutos preciosos de sua infância", apontou.
O agora centenário artista aproveitou para fazer uma autorreflexão de um filme específico. "Era politicamente incorreto e não sabia disso", admitiu citando a letra "N" em "Banzé no Oeste". "Richard Pryor (1940-2005) estava escrevendo comigo. Ele simplesmente adorava usar a palavra com 'N' porque era verdade - os bandidos a usavam contra os negros. Não pensamos que havia nada de errado até um tempo depois. Talvez tenha sido usada demais", afirmou.
"De qualquer forma, éramos crianças e funcionou. Funcionou quando funcionou. Eu não acho que poderia fazer essas cenas de 'Banzé no Oeste' hoje. Eu não acho que poderia me safar disso. Acho que ofenderia muita gente", admitiu.