Como R$ 246,5 milhões e os direitos das músicas dos Beatles teriam provocado um rompimento entre Michael Jackson e Paul McCartney
Publicado em 29 de agosto de 2026 às 09:06
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Michael Jackson e Paul McCartney eram amigos, mas uma compra mudou tudo: entenda a 'briga' pelo catálogo dos Beatles
Como R$ 246,5 milhões e os direitos das músicas dos Beatles teriam provocado um rompimento entre Michael Jackson e Paul McCartney Michael Jackson e Paul McCartney se conheceram na década de 1970, tornaram-se amigos e trabalharam juntos em sucessos como "Say Say Say" e "The Girl Is Mine", segundo informações da ABC News A amizade entre Michael Jackson e Paul McCartney era marcada por afinidades musicais e culturais, incluindo o gosto pela música pop, antigos filmes de Hollywood, primeiros discos de rock e desenhos animados, conforme relato de Alan Light à ABC News Em 1985, Michael Jackson venceu uma disputa com Paul McCartney pela compra dos direitos do catálogo dos Beatles e pagou US$ 47,5 milhões, aproximadamente R$ 246,5 milhões na cotação de hoje, pela coleção com mais de 200 canções, segundo a ABC News Uma das versões sobre o início do interesse de Michael Jackson por direitos musicais aponta para uma conversa durante um jantar na casa de Paul McCartney, que teria explicado ao cantor que investir em direitos de publicação era uma forma de ganhar dinheiro na indústria musical, de acordo com a ABC News

Neste sábado (29), Michael Jackson, o Rei do Pop, completaria 67 anos se estivesse vivo. Entre os muitos capítulos marcantes de sua trajetória, um episódio envolvendo Paul McCartney continua chamando atenção: a compra do catálogo de músicas dos Beatles por US$ 47,5 milhões, em 1985, aproximadamente R$ 246,5 milhões na cotação de hoje, negócio que teria provocado o rompimento da amizade entre os dois artistas.

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Como Michael Jackson e Paul McCartney ficaram amigos?

Segundo informações publicadas pela ABC News, Michael Jackson e Paul McCartney se conheceram na década de 1970 e, naquele período, estavam entre os artistas mais famosos do mundo. Os dois se tornaram amigos e chegaram a trabalhar juntos em sucessos como "Say Say Say" e "The Girl Is Mine".

A parceria fazia sentido também pelas afinidades pessoais. O ex-editor-chefe das revistas Vibe e Spin, Alan Light, contou à ABC News que os dois compartilhavam o gosto pela música pop, pelos antigos filmes de Hollywood, pelos primeiros discos de rock e até por desenhos animados.

A relação, porém, começou a azedar em 1985, quando Michael Jackson entrou em uma disputa pela compra dos direitos do catálogo de músicas dos Beatles. O cantor venceu a concorrência e desembolsou US$ 47,5 milhões, aproximadamente R$ 246,5 milhões na cotação de hoje, pela coleção, que reunia mais de 200 canções, incluindo clássicos como "Yesterday" e "Let It Be".

© Youtube
O que Paul McCartney teria contado a Michael Jackson?

A origem da história ganhou um detalhe curioso. De acordo com o repórter de música do New York Times, Ben Sisario, ouvido pela ABC News, existe um relato segundo o qual Paul McCartney teria mostrado a Jackson, durante um jantar, que uma das maneiras de ganhar dinheiro no mercado musical era investir em direitos de publicação.

O interesse do Rei do Pop pelos catálogos teria crescido a partir daí. Segundo reportagem do Los Angeles Times, assinada por Robert Hilburn, Jackson posteriormente disse ao advogado John Branca

"Quero comprar alguns direitos autorais, como Paul."

Nos meses seguintes, o cantor passou a adquirir diferentes coleções de músicas. Entre elas estavam trabalhos de Sly Stone, além de canções de Len Barry, Soul Survivors e dois sucessos de Dion. Essas primeiras compras custaram menos de US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5,2 milhões na cotação de hoje. Mas Jackson queria algo maior.

Michael Jackson e Paul McCartney se conheceram na década de 1970, tornaram-se amigos e trabalharam juntos em sucessos como "Say Say Say" e "The Girl Is Mine", segundo informações da ABC News © Getty Images, Dave Hogan
Por que Michael Jackson queria tanto as músicas dos Beatles?

O interesse ficou evidente quando seu advogado revelou que o catálogo da ATV Music estava à venda. A coleção incluía a Northern Songs, empresa criada pelos Beatles na década de 1960 e que reunia os direitos de publicação de suas músicas.

Segundo o relato publicado pelo Los Angeles Times, quando John Branca contou a Jackson que o catálogo incluía os Beatles, o cantor teria ficado extremamente empolgado e respondido: 

"Eu não me importo. Eu quero. Por favor."

A negociação durou cerca de dez meses e foi bastante complicada. Jackson chegou a fazer uma oferta inicial de US$ 46 milhões, aproximadamente R$ 238,7 milhões na cotação de hoje, mas precisou aumentar o valor em mais US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 7,8 milhões. O contrato acabou sendo assinado às 2h45 da manhã de 10 de agosto de 1985.

O pacote adquirido não reunia apenas músicas. A negociação também envolveu prédios, um estúdio de gravação, equipamentos e até uma apólice de seguro relacionada a Paul McCartney.

Michael Jackson construiu uma das carreiras mais lucrativas da música, com mais de 500 milhões de discos vendidos em todo o mundo © Getty Images, Dave Benett
A amizade teria terminado depois da compra

Com a aquisição, Michael Jackson passou a controlar os direitos de publicação das músicas dos Beatles que estavam no catálogo. Segundo a ABC News, Paul McCartney ficou furioso e os dois teriam passado anos sem se falar.

Em 2006, McCartney resumiu o desconforto ao comentar que precisava pagar para cantar algumas das próprias músicas durante suas turnês.

"Você sabe o que não parece muito bom? É sair em turnê e pagar para cantar todas as minhas músicas. Toda vez que canto 'Hey Jude', tenho que pagar a alguém."

A situação era especialmente delicada porque McCartney e o espólio de John Lennon, como compositores, continuavam recebendo parte dos rendimentos das músicas. O editor ficava com outra parcela e normalmente controlava utilizações das canções em filmes, comerciais e produções teatrais.

O investimento de Michael Jackson acabou se valorizando muito

Apesar da crise pessoal com McCartney, especialistas ouvidos pela ABC News consideraram a compra um dos grandes movimentos empresariais da história da música.

Ben Sisario classificou o investimento de Jackson no catálogo dos Beatles como uma jogada empresarial extremamente inteligente. Segundo a avaliação apresentada pela publicação, o investimento de aproximadamente US$ 50 milhões, cerca de R$ 259,5 milhões na cotação de hoje, teria se transformado posteriormente em um ativo avaliado em mais de US$ 1 bilhão, equivalente a aproximadamente R$ 5,2 bilhões.

Em 1985, Michael Jackson venceu uma disputa com Paul McCartney pela compra dos direitos do catálogo dos Beatles e pagou US$ 47,5 milhões, aproximadamente R$ 246,5 milhões na cotação de hoje, pela coleção com mais de 200 canções, segundo a ABC News © Getty Images
Michael Jackson era realmente fã dos Beatles

A compra fazia sentido diante da admiração que o Rei do Pop tinha pela banda. Segundo o Los Angeles Times, Jackson gostava especialmente das melodias compostas por Paul McCartney, como "Yesterday" e "Eleanor Rigby". Em determinado momento, quando questionado sobre suas músicas favoritas dos Beatles, o cantor começou a citar várias faixas e acabou percebendo que sua lista já tinha ultrapassado cinco músicas.

Ele então brincou: 

"Posso fazer com que sejam minhas 10 favoritas?"

O interesse de Michael Jackson pelos direitos autorais aumentou quando seu advogado, John Branca, revelou que o catálogo da ATV Music estava à venda e incluía a Northern Songs, empresa criada pelos Beatles na década de 1960, conforme reportagem do Los Angeles Times. © Getty Images, Dave Hogan

Em reportagem publicada pela Rolling Stone Brasil em dezembro de 2025, outra declaração de Jackson sobre os Beatles também foi destacada. Para o Rei do Pop, algumas melodias eram tão bem construídas que poderiam funcionar mesmo sem as letras.

Ao falar sobre "Here Comes the Sun" e "Fool on the Hill", Jackson afirmou: 

"Eu acho que as melodias são sempre o mais importante, especialmente em algumas das músicas antigas dos Beatles. Acho as melodias lindas. Sabe, é isso que eu acho que faz com que eles permaneçam relevantes por tanto tempo. Se você simplesmente cantarolar 'Here Comes the Sun' ou 'The Fool on the Hill'... quero dizer, a melodia é tão bonita que você não precisa... A letra também é linda, mas você realmente nem precisaria disso."

Por que Paul McCartney não comprou as próprias músicas?

A história também levanta uma pergunta curiosa: se Paul McCartney estava interessado no catálogo, por que não conseguiu comprá-lo? Segundo o Los Angeles Times, McCartney teria feito ofertas à ATV ao longo dos anos, mas não era considerado um dos principais concorrentes naquele momento.

Uma das possibilidades apontadas por pessoas próximas às negociações era que o músico estivesse interessado principalmente nas próprias composições, enquanto a aquisição da ATV envolvia milhares de direitos autorais diferentes. A parte dos Beatles, sozinha, era estimada por uma fonte como responsável por aproximadamente dois terços do valor da compra.

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Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
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